Coimbra deveria ser um adjetivo

Por Giovanni Ramos

Bom dia, leitor, o dia está tão Coimbra hoje! Sim, uma das cidades mais antigas e importantes de Portugal é tão bonita, mas tão bonita, que deveria ser um adjetivo de qualidade. A pequena Coimbra (pequena para nós, brasileiros, claro) está localizada no Centro do país e é quase uma parada obrigatória para quem visita as terras lusitanas. Não por acaso, ela foi escolhida para ser o ponto de partida nesta série do Blog Na Bagagem sobre Portugal além de Porto e Lisboa.

Se você chegou em Portugal por Lisboa, ir até Coimbra é fácil. Tem ônibus e trem, que os portugueses chamam principalmente por comboio. O melhor é ir mesmo sobre os trilhos de ferro. Para isso, há duas estações em Lisboa: Santa Apolônia e Oriente. Santa Apolônia é a estação final da linha Azul do Metrô. Oriente você chega pela linha Vermelha, do aeroporto.

Em qualquer uma das duas estações, a dica é você comprar uma passagem do comboio Alfa Pendular, mais rápido e sem paradas no caminho. Se você comprar antecipado, pagará entre 10,5 € e 14 € dependendo do horário. Dá para comprar no site da CP e pagar com cartão de crédito.

O comboio te levará a Coimbra B, uma estação mais afastada do Centro, mas na compra do bilhete, já vai ter incluso a linha regional que leva até a outra estação, no Centro da cidade. Coimbra dispõe de muitos hostels e alojamentos locais baratos, com preços inferiores a Lisboa e Porto. Eu recomendo o Residencial Avis. É quase um hotel, só que sem café da manhã, mas vale a pena e está no centrão da cidade.

Quando chegar a Coimbra comece a subir a ladeira. A Universidade de Coimbra, a terceria mais antiga da Europa, fica no alto do morro. No caminho, você passará pelo centro, em frente à Câmara Municipal, Igreja Santa Cruz, o calçadão da Visconde da Luz, você baterá uma foto na entrada da Rua do Arco Almedina e irá ladeira acima até a Sé Velha, uma das igrejas mais importantes e históricas da cidade. O prédio começou a ser construído em 1139 e é parada obrigatória do turismo na cidade.

Continue subindo até chegar na imponente Universidade de Coimbra. Só um passeio na área externa já vale a pena. Mas não deixe de visitar a torre da universidade e a fantástica Biblioteca Joanina. Esqueça a livraria do Lelo, no Porto, aquela do Harry Potter. A bibiloteca da UC é a coisa mais impressionante que você verá nessa categoria em Portugal.

Ainda na região da universidade, vale a pena ir até o Jardim Botânico, ficar um tempo por lá e, é claro fazer fotos dos arcos do jardim. Há outros registros romanos na região de Coimbra, mas deixamos isso para depois.

Para descer é sempre mais fácil. Mas a dica é ir pelas ruas Arco da Traição e da Couraça Lisboa. Você não vai apenas descer até o centro da cidade, você vai admirar as belas paisagens que o Rio Mondego proporciona. Aproveita para ir na Torre de La Muralha antes de descer.

O Rio Mondego impressiona com sua beleza. Deixe uma tarde ou uma manhã para dar uma volta em torno dele. Ande pelo Parque Verde e atravesse a Ponte Pedonal Pedro e Inês para chegar no outro lado da cidade. Mas afinal, quem foi Pedro e Inês? A história desse casal é um capítulo à parte na história de Coimbra e mais uma referência turística atual.

O Pedro da ponte é Pedro I, rei de Portugal no século XIV. Antes de assumir o trono, ele teve um caso com a galega Inês de Castro, aia de sua esposa Constança Manuel. O então rei Afonso IV mandou a aia para o exílio para evitar maiores problemas, mas depois da morte de Constança, Pedro mandou trazer a amada de volta. A briga entre pai e filho chegou ao ponto de Afonso IV mandar matar Inês de Castro. Quando o rei morreu e Pedro assumiu a coroa, revelou ter casado secretamente com a amada, legitimando os filhos e tornando-a a primeira rainha póstuma de Portugal.

A história shakespeariana de Pedro e Inês está viva no Jardim da Quinta das Lágrimas, onde o casal viveu. Além do luxuoso Hotel Quinta das Lágrimas, o local conta ainda com a Fonte das Lágrimas e Fonte dos Amores.

Ali perto da quinta está a Portugal dos Pequenitos, o mini-mundo versão portuguesa. Vale destacar aqui, a forma lúdica como é contada a era das navegações. Ali perto está a ponte de Santa Clara e você retorna a região da Estação de Comboio.

Conimbriga

São muitos os vestígios do Império Romano em Portugal. Esta série ainda vai falar de Évora/Elvas, mas se você tiver um tempo a mais em Coimbra, dê uma passada em Conimbriga, distante a 17 quilômetros do centro da cidade. O museu está aberto o ano inteiro de terça-feira a domingo e as ruínas estão abertas todos os dias para visitação.

Solar do Bacalhau

Se você já está em Portugal, já deve ter percebido que há cafés por todos os lados. Se está planejando vir a primeira vez, saiba disso: os portugueses são viciados em café, vinho, pastel de nata e bacalhau. Esta postagem termina com duas dicas de alimentação: o Solar do Bacalhau é um restaurante que, se você não ler nada a respeito antes, não terá coragem de entrar. É tão chique por dentro, que você imagina que vai precisar vender um rim para pagar no final. Mas quando você pega o menu, descobre que o prato com bacalhau (2 pessoas) fica na faixa de 12 euros. Uma pizza (2 pessoas) fica menos que isso e é a melhor pizza que este jornalista já comeu no país.

Perto do Solar do Bacalhau tem a loja dos Pasteis de Chaves, que tem pasteis folheados com diversos sabores. A sopa do local também é recomendada.
Da loja dos Pasteis de Chaves você caminha poucos passos até a estação de comboio. Ali você pega um trem regional para Aveiro por 5,35 €. Adeus, ladeiras e escadas. A próxima cidade é a mais plana de Portugal. Mas quem contará isso é a Manoela Nogueira, na próxima matéria desta série.