Facebook faz sua primeira ação de impacto contra Fake News. Vai dar certo?

O primeiro grande ato do Facebook contras as fake news no Brasil foi registrado nesta quarta-feira (25). De acordo com a Reuters, 196 páginas e 87 contas ligadas ao grupo de extrema-direita MBL foram retiradas do ar. Motivo: as páginas e contas faziam parte de uma rede de difusão de fake news no país.

A notícia é comemorada nos meios de imprensa, como o primeiro grato ato contra as fake news no país. A página do MBL continua no ar, porém, sem o suporte que ajudava a impulsionar as notícias que propagava. Mas afinal, é o início de uma verdadeira guerra contra as fake news ou uma mera propaganda da Mark Zuckerberg para mostrar a sociedade que está preocupado com o fato?

Neste ano tivemos o escândalo da Cambrigde Analytica, empresa que utilizava o Facebook para difusão de fake news a favor de um candidato. Seus métodos são apontados como co-responsáveis pelas vitórias de Donald Trump nos Estados Unidos e do Brexit na Inglaterra. Zuckerberg foi ao banco dos réus na sociedade mundial, acusado de cúmplice da manipulação de informações e prometeu reagir. No Brasil, já havia anunciado uma parceria com duas agência de Fact-Checking para mapear as páginas suspeitas.

A reação

A reação do MBL era esperada. O grupo acusou o Facebook de censura e prometeu lutar para reverter a ação ocorrida. Em uma live gravada pouco depois da notícia da Reuters ter se espalhado, os representantes do movimento fizeram campanha contra a rede social, pediram aos seguidores para acompanhar pelo YouTube e Whatsapp, numa espécie de boicote ao Facebook. Detalhe: o Whatsapp também pertence a Zuckerberg e a live foi gravada dentro do Facebook. Não há nenhuma menção de possibilidade de deixar a rede social que eles acusam estar “vendida para o outro lado”.

Não é a primeira vez que o MBL ataca o Facebook. Quando a notícia da parceria da rede social com as agências de Fact-Checking foi anunciada, o grupo também atacou, colocando em dúvida a credibilidade dessas agências. O discurso é semelhante ao feito pro páginas de esquerda como o Brasil 247, que também questionou a credibilidade após uma notícia sua ser classificada como fake.

O chamado Argumentum ad hominem, quando a crítica é feita ao autor do argumento e não ao conteúdo apresentado, é recorrente na internet.

Os próximos capítulos

Nas próximas semanas, quando a eleição começar, a atitude do Facebook será muito questionada. A cada informação falsa publicada por uma página, o MBL dirá “porque essa página não foi censurada e nós fomos?”. Grupos ligados aos candidatos a presidente se acusarão mutuamente de propaganda notícias falsas, exigindo uma providência do Facebook. A rede social diz estar preparada para isso.

O fato de o ano de 2016 ser marcado pelas fake news e pela pós-verdade, 2018 poderá ser no Brasil o ano de combate as notícias falsas. O ano em que começou-se a agir contra essa e outras pragas das redes sociais. Se vai dar certo só o tempo dirá.

O papel da imprensa

Em tese, a imprensa comemora o fechamento de difusores de fake news. Além de espalhar notícias falsas, essas páginas costumam atacar diretamente os meios tradicionais de imprensa, acusando-os de fazer aquilo que eles fazem.

É fato que a imprensa perdeu credibilidade com o avanço da internet. É fato também que a imprensa tem boa parte da culpa nessa história. O cerco das páginas de fake news pode ser uma oportunidade para que muitos meios de comunicação se reestabeleçam como portos seguros de informação.  O desafio do jornalismo é marcar posição, se diferenciar e com audiência. Clickbait, a corrida desenfreada por “quem dá a notícia antes”, fenômenos comuns na internet, não ajudam nesse caso.

 

As mentiras sobre Marielle e a pós-verdade

Continua a repercutir as notícias falsas a respeito da história da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL). A mídia não apenas desmente as informações que circulam na internet, como problematiza a questão das “fake news”. Espalhar notícias falsas não é novidade na internet, nem na comunicação como um todo e no caso de uma execução de uma liderança política, o problema não é apenas o emissor das mensagens falsas mas também o receptor. É um problema muito mais de “pós-verdade” do que “fake news”.

Utilizado pela primeira vez na década de 90, pós-verdade foi escolhida a palavra do ano em 2016 pelo Dicionário Oxford. Segundo a universidade inglesa, pós-verdade é um substantivo utilizado em situações em que os fatos objetivos não menos importantes na opinião pública que questões emocionais e opiniões pessoais.

Os casos mais famosos envolvendo notícias falsas no mundo atualmente envolvem política: a eleição de Donald Trump e a votação da saída da Inglaterra da União Europeia (Brexit). Sabe-se da participação de empresas na divulgação de notícias falsas e o Facebook está no bancos dos réus acusado de omissão no uso da rede social para difusão dos boatos. Mas a relativização da verdade a partir de opiniões já estabelecidas é peça central da discussão. Em disputas políticas polarizadas como na eleição americana ou no Brasil atual, as pessoas estão cada vez mais militantes e dão credibilidade apenas as notícias que já confirmem sua visão de mundo.

O psicólogo inglês Peter Wason criou o termo viés da confirmação em 1960 para explicar o fenômeno quando uma pessoa, já dotada de uma crença, busca exemplos e fatos apenas para confirmar a sua visão. A busca pelas notícias já será parcial e direcionada para evitar o contraditório.

O viés da confirmação somada as bolhas que as redes sociais na internet criaram resultou neste cenário de pós-verdade que vemos hoje. A vereadora Marielle Franco estava em um dos polos da briga política do país: filiada ao PSOL, defensora dos direitos humanos, crítica das atuações da polícia militar e da intervenção feita pelo governo federal no Rio de Janeiro. Quem está no outro polo, na direita, a favor do militarismo e crítico das entidades defensoras dos direitos humanos, já partia de um pré-conceito contra a vereadora. Qualquer informação que fosse compartilhada contra ela ganha credibilidade para este cidadão. Numa rede social onde está habituado a conviver “entre os seus”, a tendência é que qualquer notícia contra Marielle se espalhe rapidamente.

Este fenômeno não é observado apenas no espectro da direita política brasileira. A esquerda também possui suas bolhas, onde qualquer informação contra lideranças “do outro lado” ganham credibilidade independente da fonte. Tanto direita quanto esquerda possuem páginas na internet para espalhar essas informações, em sua maioria páginas sem autoria, mas já há veículos e jornalistas dispostos a apresentar o nome para informar esses grupos, sem interesse no contraditório e na checagem dos fatos.

É grave o fato de duas das principais notícias falsas contra Marielle terem partidos de um deputado federal e uma desembargadora. São pessoas com cargos públicos que agiram de forma irresponsável. No entanto, as notícias falsas teriam a mesma repercussão se fossem espalhadas por sites apócrifos. Há um público que deseja essas informações para confirmar suas crenças e se há demanda, haverá alguém para atender.

Como combater?

É óbvio que o deputado e a desembargadora precisam se explicar sobre espalhar notícias falsas. É óbvio que precisamos de uma legislação mais rigorosa com quem produz notícias falsas, é preciso combater e fechar os sites apócrifos pois a liberdade de expressão prevista na Constituição Federal veda o anonimato. Mas isso não impedirá as notícias falsas de se espalharem nas redes sociais, não impedirá sua tia de compartilhar um absurdo no grupo de família. Neste caso, o problema está na recepção.

Pensamento crítico, ensinar as pessoas a questionar as informações que chegam até elas e, principalmente, apresentar os métodos de pesquisa, como ter um raciocínio crítico. Isso tudo deveria fazer parte da educação dos cidadãos. Acabar com a polaridade insana da política brasileira também é um caminho, porém mais difícil. Por onde começar?

Estadão e Brasil 247: partidarismo a desserviço do jornalismo

A imprensa brasileira deu dois exemplos nesta quinta-feira (23) de como o partidarismo político atrapalha o jornalismo. O Estadão, um dos maiores jornais brasileiros e o Brasil 247, veículo da “imprensa alternativa” com uma das maiores audiências na web trouxeram dois casos do que não deve ser feito no jornalismo.

Começamos pelo Estadão, que circulou nesta quinta com essa manchete:

A manchete do Estadão induz o leitor ao erro. A pesquisa não trata de potencial de voto e sim da aprovação pessoal dos atos feitos por pessoas públicas cotadas para a disputa presidencial em 2018.

A matéria dá a entender que Huck possa ser um dos preferidos nas intenções de voto, só que a pesquisa se quer tratou disso. Um desliza vindo de um jornal abertamente anti-Lula e que defende um candidato que tenha chances de bater o ex-presidente, líder em todas as pesquisas de intenção de voto.

O Brasil 247, portal de noticias “alternativo” e abertamente favorável a candidatura de Lula em 2018, começou o dia criticando o Estadão por sua manchete, chamando-a de “fake news”. Mas no fim do dia, colocou essa manchete:

A manchete do Brasil 247 foi em cima de um tuíte do jornalista Gilberto Dimmenstein, que se encontra no mesmo campo político do site. Na verdade, foi apenas um retuíte com provocações ao Estadão. Não há contraponto, não há se quer uma entrevista com Dimmenstein para perguntar como ele conseguiu essa informação.

O Brasil 247 chamou a capa do Estadão de “fake news”, mas deu credibilidade a ela ao buscar uma manchete que “tirasse Luciano Huck da disputa”.  A matéria do site não pode nem ser chamada de jornalismo mal feito ou mal intencionado, porque não dá para chamar de jornalismo.

No mundo inteiro, jornais e portais de notícias deixam claram suas posições editoriais, de direita, de esquerda, de centro. Mas é no Brasil que a imprensa aceita fazer o serviço sujo para os partidos, ao invés de cobrar coerência desses.

Demissões nos jornais da NSC: mudanças irreversíveis

A nova onda de demissões nos jornais impressos da NSC Comunicação, antiga RBS em Santa Catarina, gerou uma nova onda de revolta entre os jornalistas catarinenses. Com sede em Blumenau e uma proposta para ser um veículo regional, o Santa demitiu editores, diagramadores e um fotógrafo, ficando com 10 pessoas ema redação que já teve mais de 50 pessoas há 10 anos.

Muitos jornalistas perguntam: o Santa está sumindo até fechar as portas? A informação que tenho é que sim. A menos que algum grupo de empresários compre, a tendência é que o jornal deixe de existir num futuro próximo. Por que a NSC manteria um veículo caro, uma estrutura grande e pesada, sem ter retorno financeiro? Todos sabem que o que dá lucro no grupo é a televisão.

Está cada vez mais difícil manter grandes estruturas de jornalismo, ainda mais em um país em crise econômica. A Gazeta do Povo, maior jornal do Estado do Paraná, deixou de ser diário e virou um semanário impresso com um portal de notícias. Obviamente que para a nova proposta, a redação pode ser bem menor. A Globo uniu as redações da Globo Esporte, SportTV e Globoesporte.com. A nova estrutura gerou demissões, é claro.

No site do Observatório da Ética Jornalística (ObjETHOS), a jornalista e professora Magali Moser aborda o crescimento de sites jornalísticos na cidade como o Informe Blumenau e O Município. Iniciativas de jornalistas com experiência no mercado que apostam em seus projetos editoriais pequenos ao invés de integrarem grandes redações. Alexandre Gonçalves, do Informe, foi da RIC, uma das principais emissoras de televisão. Evandro de Assis, editor de O Município, já tocou a redação do Santa até pouco tempo.

O cenário que se desenvolve em Santa Catarina faz com que o foco não deva mais ser a manutenção de empregos nas grandes empresas de comunicação e sim a preparação de profissionais para saberem se virar. Todo jornalista deve ser um empreendedor no futuro? Não necessariamente, mas há vários profissionais e estudantes com perfil e potencial para gerirem novos projetos. Pessoas que podem virar empregadores e contratarem no futuro jornalistas cujo talento para o texto não deve ser desperdiçado em áreas administrativas da comunicação.

O modelo que a RBS começou a montar nos anos 90 em Santa Catarina, uma grande empresa dona de vários jornais, com grandes redações, será cada vez mais raro. É hora daqueles que pensam, estudam e se preocupam com o futuro da comunicação olhar além da questão editorial e pensar em novos modelos de empresas de comunicação. Um amontoado de sites independentes, não rentáveis, a maior parte deles sem credibilidade e profissionalismo com certeza não é o caminho.

 

O maior fake da história e a pós-verdade além da notícia

O suposto fotógrafo foi investigado pela BBC Brasil

Um fotógrafo brasileiro de 32 anos, que se recuperou do câncer e virou fotógrafo da ONU, retratando os horrores das guerras pelo mundo. Um humanista talentoso com as lentes, com mais de 120 mil seguidores no instagram. Conhecia pessoas em todo o mundo, mantinha contato com fotógrafos e profissionais de imprensa. Já tinha sido tema de reportagem em vários veículos como a BBC Brasil e a revista canadense Vice.

Uma senhora de meia-idade, militante política de um partido no Brasil, que comentava em todos os portais de notícias e blogs locais durante as eleições municipais brasileiras em 2012. Os blogs que cobriam as eleições recebiam comentários da senhora em todas as postagens. O perfil dela no Facebook trazia poucas informações pessoais, era composto basicamente de postagens políticas, próprias e compartilhamentos.

O primeiro é fake, a segunda existe de verdade.

Eduardo Martins é nome de uma grande farsa descoberta pela BBC Brasil semana passada, talvez o maior fake da história. Suas fotos são roubadas e alteradas, suas histórias, seu emprego, é tudo falso. As fotos de perfil são na verdade de um surfista britânico, seu nome também deve ser falso, pois a conta no instagram e a página pessoal, vamos deletadas após o cerco de fechar. O fake não deixou rastros e sim uma legião de jornalistas e seguidores enganados em todo o mundo.

A militante partidária, que a imprensa local acreditava ser um fake criado para trollar nas eleições, apareceu durante o comercial de TV do candidato que apoiava. Ela existe: nome, fotos, as poucas informações que divulgou sobre si eram reais.

A comparação entre o fake descoberto pela BBC Brasil e a militante política precisa ser feita: na internet, o fake era mais real que a pessoa que existe de verdade. Mas afinal o que é verdade nos tempos de pós-verdade?

Pós-Verdade foi o termo do ano em 2016 segundo o Dicionário de Oxford, editado pela famosa universidade britânica. As razões da escolha estavam principalmente na vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e do Brexit no Reino Unido: a relativização da verdade, quando a crença pessoal vale mais do que os fatos.

Jornalista e pesquisador do Observatório da Ética Jornalística (UFSC), Carlos Castilho relaciona a pós-verdade com a velocidade que recebemos as informações pela internet.

A pós verdade, um termo já incorporado ao vocabulário da mídia mundial, é parte de um processo inédito provocado essencialmente pela avalancha de informações gerada pelas novas tecnologias de informação e comunicação (TICs). Com tanta informação ao nosso redor é inevitável que surjam dezenas e até centenas de versões sobre um mesmo fato. A consequência também inevitável foi a relativização dos conceitos e sentenças.
Mas o que parecia ser um fenômeno positivo, ao eliminar os absurdos da dicotomia clássica num mundo cada vez mais complexo e diverso, acabou gerando uma face obscura na mesma moeda. Os especialistas em informação enviesada ou distorcida (spin doctors no jargão norte-americano), aproveitaram-se das incertezas e inseguranças provocadas pela quebra dos paradigmas dicotômicos para criar a pós verdade, ou seja, uma pseudo-verdade apoiada em indícios e convicções já que os fatos tornaram-se demasiado complexos.

Se uma “verdade” pode ser construída a partir de indícios, de versões, sem comprovação dos fatos, se uma notícia não precisa ser comprovada por quem já possui as mesmas convicções, por que seria preciso que uma notícia, um fato fosse relatado por alguém que exista de verdade?

A estratégia não é nova, está apenas sendo aperfeiçoada. Para difundir notícias falsas, pós-verdades, os seus responsáveis já utilizavam páginas apócrifas na internet como meio de difusão do conteúdo. Sites supostamente jornalísticos são abertos sem expediente, sem um jornalista responsável, sem assinatura dos textos. A hospedagem dessas páginas normalmente ocorre fora do país onde atua, para dificultar uma investigação.

Notícias falsas, páginas apócrifas e as convicções dos leitores que se tornam mais importante que os fatos. O kit da pós-verdade ganha mais um ingrediente. O fake real, um personagem bem construído nas redes sociais, mais verossímil que perfis reais, que passa a ter uma vida na internet como se fosse um character de Second Life.

Profissionais da comunicação fazem campanhas para os leitores prestarem atenção na origem da fonte quando recebem uma notícia via internet. E se o autor da informação for um fake como Eduardo Martins?

A sociedade está doente. E a imprensa tem parte da culpa

Uma professora de Língua Portuguesa agredida em sala de aula por um aluno de 15 anos na cidade de Indaial, Santa Catarina. As imagens da professora com o olho roxo e o rosto sujo de sangue deveriam chocar a sociedade. Por algum intante, imaginei que todos sairiam em defesa da educadora, pedindo providências ao Estado quanto a segurança dos profissionais, com discursos sobre a necessidade da autoridade do professor em sala de aula. Alguns pediriam uma punição maior para o estudante agressor, outros diriam que esse é retrato da insegurança no país, mas haveria um consenso que ela é somente vítima nessa história.

O que vimos, no entanto, foi assustador. A postagem da professora no Facebook teve uma enorme repercussão, mas além das mensagens de apoio e de revolta contra o caso, houve quem atacasse a educadora. E não foram poucos aqueles que se manifestavam dizendo que ela “mereceu”. Por que? Porque ela seria supostamente “de esquerda” e teria feito mensagens de apoio aos protestos contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

É difícil dizer que chegamos ao fundo do poço com a polarização partidária que vivemos, pois a cada diz que passa, algo pior acontece em alguma parte do país, mas basta uma passada nas seções de comentários de portais de notícias e nas redes sociais para afirmarmos a polarização política vive um período doentio e perigoso. Estamos perdendo o controle, a civilidade no debate politico. O que em algum momento do passado foi uma disputa acirrada, mas saudável sobre visões políticas é hoje uma guerra fundamentalista, religiosa, com seguidores fanáticos mais preocupados em destruir (nem que seja socialmente) o adversário que convencer que suas ideias são boas.

O cidadão que, ao saber de uma agressão de um aluno (com histórico de problemas) a uma professora quer saber primeiro se ela é “de direita ou esquerda”, esse cidadão está doente. A pessoa que acha que alguém mereça apanhar somente porque pensa ideologicamente diferente dela possui problemas. Quem defende tortura precisa de um psicólogo urgentemente. E ao que parece, o número de pessoas assim só aumenta.

Esquerda e direita não são religiões. Não são se quer, ideologias e sim classificações para correntes ideológicas sob o aspectos principalmente econômicos. Há esquerdas e esquerdas, direitas e direitas. Nem toda esquerda é marxista, nem toda direita é liberal. Mas isso pouco importa para quem transformou esses conceitos em religiões, em dogmas. Para esses, o que vale é se apegar a algumas características e atacar quem pensa diferente.

A guerra política deixou a sociedade doente. E a imprensa tem culpa nisso. Como? Explico abaixo.

Repare nos argumentos utilizados pelos fundamentalistas dessa guerra. Seja de direita, de esquerda, o que for. Anote os argumentos mais utilizados e faça uma pesquisa ampla no Google. Muitas dessas expressões e ideias foram difundidas na mídia por colunistas, comentaristas e outros formadores de opinião contratados por jornais, emissoras de TV e portais de notícias. Esses formadores lançaram os dogmas e os fieis seguidores passaram a repeti-las nas redes sociais.

A imprensa brasileira fomentou a guerra política. Muitos veículos tomam posições favoráveis ou contrários a determinados governos. Até aí, tudo bem. O problema é que muitos da imprensa embarcaram no fla-flu partidário e se tornaram integrantes da guerra. Como? Contratando brutucus que não tinham a intenção de fazer a crítica política, apenas provocar, ofender, fazer campanha contra o partido adversário. Jornais, revistas e rádios colocaram formadores de opinião desinteressados no debate, queriam apenas a doutrinação: seja ela de direita ou esquerda.

Vimos o monstro do ódio, da intolerância, do fundamentalismo ideológico crescer na internet nos últimos 10 anos. E a imprensa ajudou a alimentar esse monstro para ganhar mais audiência. Agora que a criatura saiu do controle, estamos todos assustados.

Um grupo de nazistas faz passeata em uma cidade pequena dos Estados Unidos e a discussão no Brasil é se o nazismo é de direita ou esquerda. Ou seja, ninguém discutiu o que aconteceu, o foco é atacar o “inimigo”.

A imprensa brasileira está reagindo. Vários desses brutucus perderam espaço nos últimos anos e essa guerra insana está na pauta. Mas os fanáticos ignoram. Talvez seja tarde demais. Eu ia sugerir uma discussão sobre educação e comunicação. Sobre ensinar mídia nas escolas, sobre fake news e pós-verdade. Mas se fizermos isso seremos acusados de “doutrinação”. E agora?

 

 

Newsletter: a volta do e-mail como alternativa às redes sociais

Produção de conteúdo volta a uma ferramenta mais personalizada, distante do casos das redes sociais

Caixas para assinaturas estão de volta a capa dos sites

Mais de 20 mil assinantes mensais, com contas em sua maioria empresariais, que pagam U$ 8 mil por mês por cinco assinaturas. Os números são do serviço de notícias norte-americano PoliticoPro, lançado em 2010 que utiliza a newsletter para levar um conteúdo exclusivo ou em primeira mão para seus assinantes. A proposta, que já possui uma iniciativa semelhante no Brasil, abre uma tendência dos dois últimos anos para a produção de conteúdo: a volta do e-mail como alternativa às redes sociais.

O Politico surgiu em 2007 e a versão Pro (assinantes) em 2010. Segundo o brasileiro Poder 360, são cerca 3550 contas que atingem os 20 mil assinantes. Nem todos utilizam a conta de U$ 8 mil (alguns pagam mais), o que garante mais de U$ 28 milhões por mês a empresa, que possui 200 funcionários na operação, a maioria jornalistas.

O que leva as empresas a pagarem pelo produto? Um conteúdo exclusivo, especializado, enviado com antecedência para os assinantes em newsletters cujas informações trazidas são essenciais para a atividade das empresas (basicamente política e economia). A segmentação é uma tendência do conteúdo digital desde a criação da internet comercial, a novidade agora é o novo papel das newsletters, principalmente como contraponto às redes sociais.

As newsletters surgiram ainda nos anos 90, no início da internet comercial no Brasil e no mundo. Nos anos 2000 a popularização do “mail marketing” na web fez explodir os spams. A compra de listas de e-mails na internet fez com que as caixas de mensagens fossem lotadas de porcarias e com isso os servidores passaram filtrar o conteúdo com as caixas de spams e ou mesmo a criação de uma aba só para conteúdo comercial, como no Gmail.

O MailMarketing permaneceu no mercado, principalmente no e-commerce. Mas o conteúdo jornalístico acabou migrando para as redes sociais, inicialmente o twitter e depois para todas as outras redes. Porém, o excesso de informações nessas redes abriu a possibilidade para o retorno do e-mail, um local aonde o usuário consegue selecionar melhor o conteúdo que deseja ler com mais atenção.

“O que as newsletters fazem, e as redes sociais não, é devolver para o leitor o poder de escolher o que receber e ler. Do lado das empresas de mídia, ainda ajudam a entender melhor o comportamento e os interesses do usuário.
Assinantes de newsletter são, em regra, leitores mais leais e engajados, que querem se relacionar com as marcas e consumir seus conteúdos”, afirmou a gerente de mídias sociais e colunista da Zero Hora, Sabrina Passos, em uma coluna publicada no início do ano.

O próprio Facebook ajudou a potencializar as newsletters no ano passado, quando alterou seu algoritmo dando maior prioridade ao chamado conteúdo “friend-family”, isto é, postagens e fotos pessoais, reduzindo a visibilidade de postagens de páginas de empresas. Ao invés de pagar por anúncios na rede, muitos projetos de conteúdo optaram por mudar de estratégia na divulgação.

O Poder 360, projeto editorial do jornalista Fernando Rodrigues, também aposta no e-mail. O portal de notícias conta com publicidade e está aberto ao público (sem paywall), mas o foco é a ferramenta Drive, semelhante ao PoliticoPro, uma assinatura paga de uma newsletter focada em informações estratégicas da política nacional.

Sair do e-mail para que?

Tanto no Brasil quanto em Portugal, os principais jornais online já utilizam (ou sempre utilizaram) as newsletters, que aparecem cada vez com mais destaque na capa do site e com várias opções de assinaturas, personalizando a distribuição do conteúdo.

O destaque agora é para a criação de veículos exclusivos em newsletter ou com destaque principal, diminuindo a necessidade de audiência pelas redes sociais. O Manual do Usuário que é também um podcast, é um dos bons exemplos no Brasil, assim como o Canal Meio, que envia seu conteúdo apenas por e-mail (a página na internet é uma mera apresentação).

Jornalista e professor, Evandro de Assis lançou recentemente em Blumenau o “Fio“, um serviço semanal de notícias também focado na Newsletter, apesar de estar presente nas redes sociais e com o conteúdo disponível em um blog no Medium. A proposta do Fio é fazer um resumo do que está acontecendo na região de Blumenau numa leitura de cinco minutos, oferecendo também links para outros sites.

“A estratégia é mesmo não depender do Facebook. Por isso o conteúdo vai todo no email. O leitor não precisa acessar nosso site para ter acesso ao conteúdo”, comenta Evandro que afirma preferir mil inscritos a 100 mil acessos, já que garante uma maior fidelização.

Os brasileiros confiam nas notícias e os números que vem da Espanha

O Brasil é o segundo país onde os usuários de internet mais confiam nos meios de comunicação, com 60% de confiança. O líder é a Finlândia com 62%. Os números são do Reuters Institute Digital News Report 2017, um estudo feito pela Universidade de Oxford com 72 mil pessoas em 36 países e foi usado como base para o Digital News Report 2017 Espanha, produzido por pesquisadores do Center for Internet Studies and Digital Life da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, publicado nesta quinta-feira (22).

Os números detalhados da Espanha apontam para um crescimento do consumo de notícias pela internet e também um aumento da confiança nas notícias, com 51%, 9% a menos que o Brasil. Mas outros dados apresentados servem de alerta não apenas para a imprensa espanhola, mas para todo o mundo. O desinteresse dos jovens pelas notícias, a resistência ao conteúdo pago na internet, a força dos móveis e a queda livre dos impressos já eram esperados e estão provados no relatório.

O Digital News Report 2017 Espanha você confere AQUI. Veja abaixo, alguns números interessantes do relatório:

50%

dos entrevistados afirmaram que evitaram ler notícias por diversas razões

53%

do público digital não paga NADA para se informar (em meio nenhum) e apenas

9%

pagou por conteúdo digital em 2016.  e já

57%

acha muito improvável que vá pagar alguma informação digital em 2017.

Entre os que pagam

39%

contrataram uma assinatura digital, contra 38% de uma assinatura que inclui outros serviços

e apenas

14%

fez algum tipo de doação sem assinatura para um serviço de informação digital. Leitores de blogs e redes sociais são os que possuem menor disposição para pagar pela informação, comparado aos que são informados mais por meios impressos, rádio, TV e outros digitais.

E o motivo principal para as pessoas não pagarem por conteúdo é óbvio: para

55%

o motivo é a facilidade para conseguir as notícias gratuitamente.

Além de não pagarem, os usuários estão impedindo que a publicidade apareça nos portais de notícias com

28%

afirmando que usa os “ad blocks”. Quando o público se restringe dos 18 a0s 24, o número de usuários com bloqueadores sobe para 47%.

A televisão é ainda o meio favorito para se informar com

42%

da preferência. A internet vem em segundo com 39%.

Entre os jovens, a internet já lidera a preferência com

61%

contra 27% da televisão tradicional. Só as redes sociais e blogs possuem 33%

Observações:

Além do dado que o Brasil é um dos países com maior confiança online nos meios de comunicação (aquele seu amigo revoltado vive numa bolha) destaca-se o posicionamento dos jovens espanhóis na pesquisa. A maioria lê pelas redes sociais/blogs, não paga por conteúdo, não acredita muito nos meios tradicionais e ainda bloqueia a publicidade que poderia bancar o veículo. Como sustentar um jornal digital voltado a esse público?

 

A Globo, a greve e os critérios de noticiabilidade

FOTO: Antonio Cruz/Agência Brasil

Você pode ser contra uma manifestação como a Greve Geral, mas como jornalista, você precisa abordá-lo

Na última sexta-feira (28), a primeira greve geral do Brasil em 21 anos teve a adesão de mais de 30 milhões de brasileiros segundo as centrais sindicais, responsáveis pela mobilização. O protesto foi contra as medidas de austeridade do governo Michel Temer que incluem a reforma trabalhista, já aprovada na Câmara dos Deputados e que segue para o Senado, e previdenciária, ainda nas comissões legislativas. Os serviços públicos essenciais como saúde, educação e principalmente o transporte coletivo (ônibus e metrôs) foram os que registraram maior adesão, afetando significativamente a população brasileira.

O assunto recebeu ampla cobertura midiática no dia da greve, que iniciou com manifestações ainda na madrugada. A cobertura não foi feita apenas por veículos brasileiros, mas também pela mídia internacional, com destaque para BBC e El País, que possuem redações no Brasil. No entanto, a cobertura antes do dia 28 da principal emissora de televisão do país chamou a atenção.

Jornalista responsável por um blog sobre televisão no portal UOL, Maurício Stycer destacou a ausência da pauta da greve nos noticiários da TV Globo na quinta-feira (27), véspera do protesto. O Jornal Nacional, carro chefe da emissora no jornalismo e no SPTV, edição local para o Estado de São Paulo não fizeram menções ao evento, anunciado em março, com confirmações de adesão ao longo da semana.

“O ‘SPTV’ segunda edição, que sempre presta serviço aos espectadores em caso de decretação de greves em serviços essenciais, não tratou do protesto que ocorrerá nesta sexta-feira em São Paulo. O principal telejornal da emissora, o ‘Jornal Nacional’, igualmente ignorou o assunto, apesar de o movimento ter alcance nacional”, afirmou Stycer em seu blog.

Durante a sexta-feira (28), a emissora cobriu os protestos e ressaltou que tinha sua equipe de cobertura desde o início da manhã acompanhando o assunto. Porém, não se manifestou sobre a não menção ao assunto no dia anterior. Stycer encontrou apenas uma resposta do apresentador do programa Bom Dia RJ, Flavio Fachel, que foi questionado no Twitter sobre o silêncio: “O que é notícia? O que acontece. E a greve? Se acontecer, a notícia é amanhã. #Jornalismo”, respondeu o apresentador.

Noticiabilidade

Tratando o fato como uma decisão editorial da TV Globo (não é possível imaginar que tenha ocorrido um mero esquecimento), voltamos a discussão sobre os critérios de noticiabilidade. O que é uma notícia, afinal? Quais assuntos se tornam notícia e, por isso, devem ser reportados pelos jornalistas?

Para definir os critérios de noticiabilidade, utilizamos o conceitos de Mauro Wolf, que define noticiabilidade como “O conjunto de critérios, operações e instrumentos com os quais os órgãos de informação enfrentam a tarefa de escolher, quotidianamente, de entre um número imprevisível e indefinido de factos, uma quantidade finita e tendencialmente estável de notícias“. Segundo o autor, os acontecimentos que reunirem o maior número de critérios de noticiabilidade serão transformados em notícias para publicação.

Entre os critérios estão o impacto do acontecimento sobre a nação e o interesse nacional, a quantidade de pessoas envolvidas no fato, a relevância e significatividade do ocorrido, além da atualidade e da disponibilidade do veículo de comunicação poder fazer a cobertura sobre o assunto.

No caso, o fato é que os sindicatos haviam anunciado a paralisação dos serviços de transporte e educação básica, entre outras categorias que aderiram à paralisação. Somente a greve nos metrôs e ônibus já atende quase todos os critérios citados anteriormente: atinge a maior parte da população de uma cidade, é de interesse nacional (protesto contra reformas de austeridade), é extremamente atual (ocorreria no dia seguinte), fácil de se noticiar e a emissora possui estrutura para cobrir a paralisação (tanto que fez isso).

Ética e posição editorial

Um levantamento da ONG Repórter Brasil feito na última semana apontou que os principais veículos de comunicação do país fizeram uma cobertura desequilibrada da reforma de previdência. Foram analisados textos e matérias em vídeo entre 21 de novembro e 20 de dezembro de 2016, período que compreende duas semanas antes e duas semanas depois da protocolação do projeto de lei pelo Executivo no Congresso. A TV Globo foi a de maior adesão a proposta, 91% do tempo das matérias dedicadas ao assunto foram para argumentos favoráveis. No impresso, a maior cobertura favorável foi da mesma empresa: O diário O Globo dedicou 90% dos textos para defender o projeto.

No entanto, a posição favorável as reformas de austeridade do governo não foi vista na véspera do protesto contra essas reformas, já que a emissora se quer abordou o assunto. O Código de Ética dos Jornalistas, em seu artigo 2, afirma:

Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:
I – a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica – se pública, estatal ou privada – e da linha política de seus proprietários e/ou diretores.
II – a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;
III – a liberdade de imprensa, direito e pressuposto do exercício do jornalismo, implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão;
IV – a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo as não governamentais, é uma obrigação social.
V – a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade, devendo ser denunciadas à comissão de ética competente, garantido o sigilo do denunciante.

 Considerações

O posicionamento da TV Globo, favorável as reformas trabalhista e previdenciária e contrária ao movimento de greve geral contra as reformas é evidente e um direito da emissora, apesar de questionamentos éticos sobre o posicionamento político de uma emissora com concessão pública também poderem ser feitos. Porém, este posicionamento editorial não justifica a omissão da informação, um explícito delito ético com consequências negativas para a sociedade.

A tentativa de defender as reformas omitindo os protestos contrários não impediu que a greve geral ocorresse e prejudicou cidadãos que eventualmente se informaram sobre as notícias apenas pela emissora. A não funcionamento de serviços essenciais como transporte e educação precisa ser noticiado, independente da concordância ou não com os motivos da paralisação.

A TV Globo não apenas desdenhou do movimento, mas também da população, pois os demais veículos de comunicação, em rádio, TV, impresso e internet divulgaram a greve.

Crise no Ads? A qualidade de volta no centro da pauta

A crise dos veículos de comunicação impressos continua no mundo. No começo do mês foi a vez da Gazeta do Povo, maior jornal parananese, apostar na internet tornando a edição impressa semanal (antes diária). Os mundiais New York Times e El País já se preparam para deixar suas edições no papel. Neste cenário, o maior desafio dos veículos digitais sempre foi a sustentabilidade, já que a publicidade possui outras plataformas para anunciar como as redes sociais, diminuindo o poder dos jornais. No entanto, um artigo recente do inglês The Times, também reproduzido no Wall Street Journal abriu um novo ponto de discussão na publicidade online: a qualidade do conteúdo versus a audiência.

O artigo mostrava vídeos extremistas publicados no YouTube com anúncios de grandes empresas. A lógica é simples: através da ferramenta de monetização da plataforma, o anunciante escolhe local, público e assuntos relacionados, mas não escolhe quais vídeos no YouTube aparecerão sua marca. Vídeos com conteúdo extremista, violentos ganham audiência justamente pela sua natureza. Com isso, indiretamente a grande empresa acaba anunciando o canal.

A repercussão do artigo foi enorme e várias empresas anunciaram o cancelamento de campanhas no YouTube, que decidiu reagir anunciando mudanças no programa de monetização. Além de obrigar o canal a ter pelo menos 10 mil visualizações, eles passarão por uma análise antes de começar a receber.

O caso despertou a ira de muitos youtubers brasileiros, que acusam o Wall Street Journal se lançar uma campanha contra o YouTube. Eles reclamam que a monetização sofreu uma drástica redução deste então, prejudicando os negócios.

Audiência x qualidade

A grande questão da internet em relação aos outros meios está justamente na sua forma de publicidade. O Google AdSense e o Facebook Ads têm a audiência como única métrica para avaliar um site ou um canal no YouTube. Fazem isso porque é um critério numérico, que pode ser feito por um computador. Não há como o algoritmo do Facebook, por exemplo, avaliar critérios éticos de um produto jornalístico.

Com a promessa de um anúncio mais preciso, especificando o público por idade, sexo e gostos (a partir de palavras-chaves), as ferramentas das redes sociais monopolizaram a publicidade digital. Mas agora o The Times e o Wall Street Journal apontaram claramente a falha: o risco de associar a marca das empresas com conteúdo de má qualidade.

Essa discussão no mercado publicitário é fundamental para os rumos da comunicação. É fundamental para a sociedade, para as democracias, que o jornalismo ético, responsável e de qualidade continue existindo. Para isso, ele precisa ser financiado, por leitores ou anunciantes.

Não há um caminho definido, uma fórmula pronta de como será os veículos de comunicação online das próximas décadas. Por isso, o debate agora é fundamental e uma pergunta continua em aberto: como medir a qualidade do conteúdo?