É melhor já ir voltando ao palanque

Nos primeiros dias do governo Bolsonaro, vários analistas na imprensa apontaram que o governo se mantinha com o discurso de campanha e que o novo presidente e seus ministros precisariam entrar logo na realidade. Pois bem, a realidade chegou e já estamos com saudades quando os atos do bolsonarismo eram só palanque de campanha.

REFERÊNCIAS PARA QUE?

O novo presidente mudou o edital para aquisição dos livros didáticos que serão entregues em 2020 na rede pública. Pasmem: não é mais necessário que eles venham com referências bibilográficas. E não para por aí, notícia do Estadão mostra que erros de revisão e impressão e publicidade poderão entrar nas obras. Segundo a Folha de São Paulo, o compromisso de não violência contra a mulher também foi suprimido do edital.

IMIGRAÇÃO

Bolsonaro avisou a ONU que o Brasil vai sair do Pacto Global de Migração da entidade. O presidente voltou ao seu estilo de palanque usando o twitter para falar que o país é soberano sobre quem aceita receber no país, que imigrante precisa cantar o hino nacional e outros blablablá. Disse ainda que o Brasil continuará acolhendo venezeuelanos que fogem do ditador Maduro. Essa é a única crise migratória do Brasil, mas os venezuelanos apenas estão de passagem. A maioria não quer ficar no Brasil, quer ir para outro país sulamericano, que também fale espanhol. Ninguém quer morar no Brasil, o país não é um destino de refugiados como a Itália, por exemplo. A imigração nunca foi um problema para nós, pelo contrário, foi assim que a nação se ergueu. A ação do presidente é infantilidade, é fazer um péssimo marketing e piorar a imagem junto aos outros países do mundo.

GESTÃO TRAZ PARENTE

O assunto foi o mais comentado na terça-feira (8), mas vale repetir. O filho do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) foi promovido a assessor do presidente do Banco do Brasil e terá seu salário triplicado, chegando a 36,3 mil reais. O nepotismo é um velho clássico da política brasileira e não seria diferente com um governo que só é novidade da boca para fora.

O PRESIDENTE QUE RECUAVA – PARTE 2

Entre as bizarrices dos primeiros dias do governo, algumas continuam não indo para frente. O presidente que recuava também desistiu da ideia ventilada de uma base militar americana no país. Por que? Porque os militares brasileiros não querem. Não é por acaso que muitos falam que o verdadeiro político do Exército é o vice General Mourão e não o capitão Bolsonaro.

DESBOLSONARO

As primeiras notícias do novo governo de Santa Catarina, também nas mãos (em tese) do bolsonarismo, vão em outra direção. Carlos Moisés (PSL) resistiu a pressão dos reacionários para colocar um secretário de Educação alinhado com o “Escola Sem Partido” e colocou um técnico ligado ao ensino profissional. Nos primeiros dias de governo, buscou pontes com a oposição, Assembleia Legislativa, não procurou inimigos (nem na imprensa) e ainda apresentou a proposta de implantar o imposto verde no Estado, isto é, produtos nocivos ao meio ambiente pagariam mais impostos.

O BOLSONARO AMERICANO

Bolsonaro não foi chamado de Trump dos trópicos pela imprensa internacional por acaso. Ontem, o presidente americano foi a televisão para atacar os Democratas, que controlam a Câmara dos Congressistas, exigindo que eles aprovem o orçamento que preveja 5 bilhões de dólares para construir o muro na fronteira com o México. Lembrando que a promessa de campanha de Trump era construir o muro fazendo os mexicanos pagarem. Com os Democratas controlando parte do Legislativo e com a esquerda no poder no México, vai ficar difícil.[:]


O presidente que recuava

RECUAR É PRECISO

Se durante a campanha presidencial, Jair Bolsonaro (PSL) já tinha ficado famoso por voltar atrás em suas propostas, os primeiros dias na presidência mantiveram o estilo. Os três “equívocos” sobre as reformas da previdência e tributária, “corrigidas” pelo ministro da Casa Civil mostram um desencontro entre ser um candidato twitteiro que ataca todo mundo e ser o presidente da República. Tempo para corrigir e aprender a se comportar como chefe de Estado, o novo presidente tem de sobra.

É A ECONOMIA

E os assuntos que o presidente falou e foi “desmentido” foram na área da Economia, onde o empossado sempre disse, quando deputado, não entender nada. Como disse o jornalista Carlos Tonet no Facebook, o ideal é o presidente viajar por aí e deixar a equipe que entende do assunto trabalhando.

Ô LOUCO, MEU!

A indireta do Faustão no último domingo para o presidente ainda é um dos assuntos mais falados no twitter e nas redes sociais em geral. Faustão falou no “imbecil que está lá e não devia estar pode até ser honesto, mas é um idiota que está lá e está ferrando todo mundo”. A claque de fanáticos do presidente já tem inúmeros vídeos para atacar o apresentador e emissora, mas o fato é que Fausto Silva não arriscaria isso sem um OK da direção da Globo.

O FILHO QUE…

A família do presidente continua gastando energia e credibilidade com assuntos pequenos, arriscando não ter mais nada quando uma crise, de fato, se instalar no governo. Eduardo, o filho que é deputado federal e não integrante do Ministério da Educação, usou as redes sociais para “orientar” os professores a não falar sobre feminismo nas escolas.  A ex-namorada dele, Patrícia Lélis, pelo twitter disparou:

BRASIL OU VASCO?

Político populista, com carreira iniciada no PP e discurso ultraconservador, vence as eleições após uma gestão desastrosa dos adversários na Economia. Pode ser o Brasil atual ou o Vasco em 2014, quando Eurico Miranda voltou ao cargo. Eurico também tinha os filhos envolvidos, sempre palpitando e atacando adversários. O filho mais polêmico do mandatário vascaíno começou sem cargo, mas era uma espécie de diretor informal do clube…

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A campanha acabou, os palanques continuam montados

Se você, leitor, é um daqueles que não aguentava mais as discussões apresentadas durantes as eleições de 2018, uma má notícia: a tendência é continuar em 2019. O presidente e alguns ministros dão sinais que vão manter um debate bobo com uma visão limitada da política e da sociedade, um debate raso de internet que pouco contribui ao Brasil. A campanha acabou, mas os palanques continuam montados.

SOCIALISMO E MARXISMO

Dizer que vai libertar o Brasil do socialismo pode funcionar muito bem numa campanha. Mas com o mandato em andamento, a frase é vazia e não significa absolutamente nada. Jair Bolsonaro foi eleito com 55% dos votos válidos, mas é um erro achar que esses 55% são de eleitores fanáticos de direita. Muita gente votou nele porque estava cansados dos outros nomes. Muita gente que votou nele não está nem aí para socialismo, marxismo, globalismo. O discurso de Bolsonaro na posse agita a militância, mas não dá para governar só para eles.

A situação é a mesma para a Educação. Dizer que vai combater o marxismo cultural não significa nada. O militante bolsonarista aplaude, o povo em geral fica na espera para ver o que vai acontecer na prática. O PT sempre foi muito bom de retórica e hoje está em baixa pelos resultados negativos do governo Dilma. Mantém a força no NE graças aos resultados positivos oriundos do governo Lula. Resumindo: o povo vai avaliar Bolsonaro pelos resultados, não por esses discursos.

O RISCO INTERNACIONAL

O ministro das Relações Internacionais é outro que ainda não saiu do palanque. Sua posse é cheia de frases de efeito, mas perigosas para o país. Bolsonaro assumiu dizendo que as relações exteriores não seria mais pautada por questões ideológicas. Na prática, pode ocorrer exatamente o contrário. O novo Chanceler não gosta da China, do Mercosul, quer uma política alinhada aos Estados Unidos. O Itamaraty quer levar a embaixada de Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, provocando a comunidade islâmica. As ideias do chanceler levam a uma ideologização do Itamaraty e vão contra as ideias de Paulo Guedes, da Economia, que defende uma visão ultraliberal que comercializa com todos os países, independente das ideologias dos partidos que governam os outros países. É um caso contra o palanque vai afetar o governo na prática.

DAMARES

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos voltou a ser assunto na internet (e nas mesas de bar) com a frase que “menino veste azul, menina veste rosa”. A ministra já tinha sido piada quando falou que viu Jesus em um pé de goiaba. É, provavelmente, a titular do primeiro escalão com menor tato para a política e será um alvo constante de críticas. Sinceramente, acho muito difícil ela implantar as coisas que discursa em seu palanque. Mas o seu fanatismo “terrivelmente cristão” pode leva-la a transformar o discurso em algo concreto. O risco é alto: se não conseguir, para o ministério e cai. Se conseguir, fará mal a muita gente.

ECONOMIA

Paulo Guedes nunca tinha ocupado cargo público e durante a transição assustou senadores com sua inexperiência. Porém, mostrou para a sociedade nos primeiros dias que é o mais coerente e organizado. Toda a sua equipe tem experiência pública e é alinhada com as ideias dele. O ministro da Economia ainda tem apoio de parte do Congresso, do lobby empresarial/financeiro e logo terá da mídia para implantar seus projetos. É o mais interessado em trocar o palanque pela prática. Seu maior inimigo não será a esquerda, atualmente fraca e desarticulada. Seu inimigo será o próprio governo.

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A venda da Abril e notas fim de ano

A família Civita vendeu nesta semana, 100% do Grupo Abril, editora responsável por revistas como Veja e Exame. O empresário Fabio Carvalho, segundo o site Infomoney um especialista em recuperação de empresas, pagou um valor simbólico de R$ 100 mil pela empresa, além de assumir toda a divida do grupo, em torno de R$ 1,6 bilhão. Carvalho ainda não definiu quem será o Publisher, mas o contrato prevê que o novo proprietário não possa vender a revista Veja separadamente a um terceiro.

MUDANÇAS

O Grupo Abril, que já foi um dos gigantes da comunicação do Brasil, pediu recuperação judicial em agosto. A editora era especialista em produção de revistas, mas não soube de adaptar os tempos atuais. Seu antigo dono, Roberto Civita, demorou para aceitar que o negócio de revistas seria atropelado pela internet. A escolha do Publisher será decisiva para saber como será a Veja sem os Civita. Uma nova onda demissões para “enxugar” a empresa também pode acontecer.

EX-REFERÊNCIA

A Veja já foi um dos símbolos máximos do jornalismo brasileiro. Indispensável, como era seu slogan. Mas a partir dos anos 2000 ela trocou sua credibilidade por ataques sistemáticos aos governos do PT, a ponto que contratar qualquer um para ser blogueiro, desde que odiasse Lula. Perdeu credibilidade, publicidade e mesmo com a vitória da direita em 2018 não pode comemorar, pois os seguidores de Jair Bolsonaro também não gostam da revista.

IMIGRAÇÃO

Portugal recebeu nos últimos dias, as primeiras famílias de um total de mil refugiados que o país se dispôs a receber em um programa ligado a União Europeia e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Eles chegam da Síria e Sudão do Sul e serão um teste para um dos poucos países da União Europeia onde a extrema-direita nacionalista não ganhou relevância até agora. Portugal é acostumado a receber migrantes, mas eles vem em sua maioria de países lusófonos. Com certeza haverá um grupo tentando usar os refugiados para ampliar um discurso nacionalista. A forma que em que os imigrantes forem adaptados ao país será decisiva.

IMIGRAÇÃO (2)

Enquanto Portugal recebe refugiados, o presidente eleito do Brasil Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que irá revogar a participação do Brasil no Pacto Global da Migração, assinado pelo chanceler atual, Aloysio Nunes, há poucos dias. Como exemplo, Bolsonaro falou que viver em alguns locais na França hoje está insuportável por causa de muitos imigrantes. Um embaixador frances já ironizou o presidente, comparando o número de homicídios na França com o Brasil. Ora, a fala do presidente é um mero mimimi para jogar para sua torcida. O Brasil pouco recebe refugiados porque ninguém quer ir pro país. Nem mesmos os venezuelanos, visto que a maioria dos refugiados de lá vão para os outros países da América do Sul. A fala do presidente eleito é só uma bobagem ideológica.

FELIZ NATAL

Este volta volta a ser atualizado no dia 2 de janeiro.[:]


E se Lula não fosse um beneficiado pela decisão do Marco Aurélio?

FOTO: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A política brasileira é mais emocionante que qualquer série dramática americana. No apagar das luzes de 2018, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello decidiu atender um pedido do PCdoB e baixou uma liminar que solta todos os condenados em segunda instância que cumprem pena nas penitenciárias brasileiras. A decisão pode beneficiar o ex-presidente Lula, que já pediu um alvará de soltura para a juiza federal Carolina Lebbos.

Lula cumpre pena em Curitiba após condenação em segunda instância feito pelo TRF-4 de Porto Alegre. Outros políticos famosos presos como o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (ambos do MDB) não serão beneficiados, porque eles estão encarcerados por prisões preventivas. Tecnicamente, eles estão presos enquanto Lula cumpre pena.

A decisão de Marco Aurélio tem base no artigo 5, inc. LVII da Constituição Federal que define que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Se alguém condenado em segunda instância não pode ser considerado culpado porque há recursos em trânsito, logo ele não pode cumprir pena, o que é muito diferente de ser preso preventivamente ou temporariamente, decisões judiciais que ocorrem quando a liberdade do acusado coloca em risco a ordem pública.

O pedido de soltura dos advogados de Lula já está com a juíza, mas ela não tem a obrigação de despachar ainda hoje. Pode esperar para ver se o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, que ficará no plantão, irá derrubar a liminar de Marco Aurélio ou não.  Pelo histórico brasileiro, a tendência é que esta versão se confirme nos próximos dias.

E se não tivesse o Lula?

A leitura do artigo 5 da Constituição é polêmica, apesar de ser bem clara. Há muitos que defendem uma emenda que estabeleça mais diretamente se os condenados podem cumprir pena ou não. Há juristas e constitucionalistas respeitados dos dois lados nessa discussão, o assunto que passa longe de um consenso no Supremo. Mas ficam algumas perguntas:

  • Se Lula não fosse um dos possíveis beneficiados, teria Marco Aurélio dado a liminar?
  • Se Lula não fosse um dos possíveis beneficiados, haveria pressão para Dias Toffoli derrubar a liminar?
  • Se Lula não fosse um dos possíveis beneficiados, a frase “O STF É UMA VERGONHA” estaria nos trend topics do twitter?
  • Se Lula não fosse um dos possíveis beneficiados, você teria uma outra opinião sobre a questão dos condenados em segunda instância?

Ninguém está acima da lei, muitos dizem quando políticos famosos vão a julgamento. Não estar acima da lei significa que ela não deve ser alterada para beneficiá-lo, mas também não deve ser alterada para prejudiá-lo. Decisões judiciais não deveriam ser influenciadas pelo poder político e econômico, mas também não deveriam ser influenciadas por clamor popular.  Decisões judiciais devem seguir a Constituição e ponto. Se a sociedade não concorda com um artigo da Constituição, ela que eleja deputados para fazer emendas.

Independente de Lula continuar encarcerado ou ser solto nos próximo dias, o fato é que essa questão das condenações em segunda instância já deveria ter sido pacificada, resolvida. A decisão de 2016 que permitiu que esses condenados cumprisse pena não foi feita de forma definitiva, era para alguns casos. E essa brecha, aliada ao fato do maior político brasileiro vivo (mais amado e mais odiado ao mesmo tempo) estar no olho do furacão tornou as coisas ainda mais confusas.

Lula preso é uma vergonha? Soltar o Lula é uma vergonha? Esse assunto estar em aberto é que é uma vergonha![:]


Educação sexual, processos e algoritmos

EDUCAÇÃO SEXUAL

A argumentação em defesa de uma educação sexual nas escolas veio de muitos jamais esperariam. A futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, defendeu essa temática nas escolas em uma entrevista a Folha/UOL. Vítima de estupro de um pastor evangélico quando criança, Damares concordou com a pergunta da imprensa que uma educação sexual pode ajudar no combate a abuso sexual infantil. Para se alinhar ao presidente eleito, defendeu que os pais podem proibir que seus filhos tenham aula sobre o assunto (um absurdo, visto que boa parte desses abusos ocorre dentro da casa, por um parente da vítima). Curioso para saber o que o povo da Escola Sem Partido achou da entrevista.

FAKE NEWS

O deputado eleito Alexandre Frota (PSL-SP) foi condenado a pagar R$ 295 mil ao deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) por ter propagado uma fake news que atribuía ao parlamentar do Rio, uma frase de apologia a pedofilia. Frota também foi condenado a prestar serviços comunitários, decisão que cabe recurso. Frota se defende dizendo que apenas compartilhou a imagem, no entanto, a calúnia ganhou muito mais alcance com o compartilhamento. É preciso punir quem divulga, sim!

QUEIMANDO POR POUCO

A notícia que a futura primeira dama pediu para retirar imagens sacras do Palácio do Alvorada, onde irá morar em janeiro, gerou uma polêmica com direitos a críticas pesadas como a de Reinaldo Azevedo. O presidente eleito afirmou pelo Twitter que querem prejudicá-lo, mas não negou diretamente o fato ocorrido. Situações como essa queimam o filme do futuro governo a troco de nada. Falta tato político para a turma que entrará no Planalto em 2019. O PT sentiu na pele como erros pequenos e bobos prepararam o terreno para uma fúria geral da população quando uma crise maior ocorre.

E POR MUITO

O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) precisa sim, explicar a movimentação suspeita dos seus assessores. Trata-se de uma figura pública, de recursos públicos, tem que prestar esclarecimentos, algo que não ocorreu até agora. O senador eleito disse que o assessor é quem precisa falar. Aliás, cadê o assessor? Nenhum jornal conseguiu encontrá-lo ainda?

ALGORITMO

O Twitter ainda caindo na tentação de apostar em algoritmo em detrimento da timeline original na página inicial da rede social. Foi anunciado agora, que na versão móvel, quando um usuário demorar para entrar, a página que virá primeiro será com “os tuítes de maior destaque” ao invés das mais recentes. Um dos charmes do Twitter hoje é justamente poder acompanhar por data de atualização, algo dispensado por Facebook e Instagram.

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De Battisti a Temer, passando pela Globo

FOTO: Antonio Cruz/ Agência Brasil

BATTISTI

A decisão do governo brasileiro em extraditar o italiano Cesare Battisti foi comemorada em todos os lados políticos da Itália. O entendimento que o ex-guerrilheiro não é um preso político pois cometeu crimes comuns no país une a direita e a esquerda. A Carta Capital fala mais sobre isso.  Só no Brasil o italiano ganhou status de refugiado político, um erro do governo Lula.

CIAS AÉREAS

Por causa da má situação financeira da empresa Aviança, o governo Temer decidiu liberar a participação de capital estrangeiro nas companhias aéreas que fazem voos domésticos no Brasil para 100%. Não fazia sentido este mercado ter uma reserva nacional, visto que o serviço é ruim e caro. O Brasil precisa de empresas low cost de verdade, que entrem no mercado nacional com preços agressivos, que provoque a concorrências das empresas daqui. Se continuar no clube fechado como é hoje, de nada adianta colocar bagagens como opcional e tirar outras exigências, o preço nunca irá baixar.

TEMER

Próximo de sua despedida, o presidente Temer decidiu fazer elogios a sua antecessora, no qual ajudou a derrubar. Disse que Dilma Rouseff parecia ser uma mulher correta e honesta. Um blablablá de quem quer sair do Palácio do Jaburu bem com todos, até porque deve virar alvo do Ministério Público assim que deixar o Planalto.

FUTEBOL PARA QUEM?

Artigo importante publicado pelo jornalista Rodrigo Mattos no UOL mostra que a Rede Globo pressiona CBF e federações a reduzir os campeonatos estaduais de futebol no país, fazendo com que o Brasileiro durasse 10 meses. Motivo: Pay-per-view. A emissora carioca quer arrecadar mais com a modalidade, mas o público só paga para ver jogos de futebol no torneio nacional. De fato, o atual momento do futebol faz com que os estaduais só atrapalhem a vida do times que jogam as séries A e B, porém as intenções da Globo mostram uma preocupação: o  futebol está cada vez mais elitizado. Estádios modernos com ingressos caros, clubes focados em “sócio-torcedor” e agora a principal transmitidora mais preocupado em levar a bola para quem pode pagar. Chutado dos estádios, o povão pode ficar sem jogo na TV agora…

BOA ESTRATÉGIA?

Até onde vale a pena a elitização do futebol para os clubes? Vasco, Flamengo, Palmeiras, Corinthians, essas marcas são poderosas e poderiam render muito mais aos clubes, porém a força delas vem justamente por serem clubes de massa, com torcedores ricos e pobres espalhados por todo o país. Se o povão não pode mais ver o jogo, não pode mais ir no Estádio, vai sobrar apenas os torcedores mais ricos que podem pagar tanto para ver os times brasileiros como os europeus…[:en]

BATTISTI

A decisão do governo brasileiro em extraditar o italiano Cesare Battisti foi comemorada em todos os lados políticos da Itália. O entendimento que o ex-guerrilheiro não é um preso político pois cometeu crimes comuns no país une a direita e a esquerda. A Carta Capital fala mais sobre isso.  Só no Brasil o italiano ganhou status de refugiado político, um erro do governo Lula.

CIAS AÉREAS

Por causa da má situação financeira da empresa Aviança, o governo Temer decidiu liberar a participação de capital estrangeiro nas companhias aéreas que fazem voos domésticos no Brasil para 100%. Não fazia sentido este mercado ter uma reserva nacional, visto que o serviço é ruim e caro. O Brasil precisa de empresas low cost de verdade, que entrem no mercado nacional com preços agressivos, que provoque a concorrências das empresas daqui. Se continuar no clube fechado como é hoje, de nada adianta colocar bagagens como opcional e tirar outras exigências, o preço nunca irá baixar.

TEMER

Próximo de sua despedida, o presidente Temer decidiu fazer elogios a sua antecessora, no qual ajudou a derrubar. Disse que Dilma Rouseff parecia ser uma mulher correta e honesta. Um blablablá de quem quer sair do Palácio do Jaburu bem com todos, até porque deve virar alvo do Ministério Público assim que deixar o Planalto.

FUTEBOL PARA QUEM?

Artigo importante publicado pelo jornalista Rodrigo Mattos no UOL mostra que a Rede Globo pressiona CBF e federações a reduzir os campeonatos estaduais de futebol no país, fazendo com que o Brasileiro durasse 10 meses. Motivo: Pay-per-view. A emissora carioca quer arrecadar mais com a modalidade, mas o público só paga para ver jogos de futebol no torneio nacional. De fato, o atual momento do futebol faz com que os estaduais só atrapalhem a vida do times que jogam as séries A e B, porém as intenções da Globo mostram uma preocupação: o  futebol está cada vez mais elitizado. Estádios modernos com ingressos caros, clubes focados em “sócio-torcedor” e agora a principal transmitidora mais preocupado em levar a bola para quem pode pagar. Chutado dos estádios, o povão pode ficar sem jogo na TV agora…

BOA ESTRATÉGIA?

Até onde vale a pena a elitização do futebol para os clubes? Vasco, Flamengo, Palmeiras, Corinthians, essas marcas são poderosas e poderiam render muito mais aos clubes, porém a força delas vem justamente por serem clubes de massa, com torcedores ricos e pobres espalhados por todo o país. Se o povão não pode mais ver o jogo, não pode mais ir no Estádio, vai sobrar apenas os torcedores mais ricos que podem pagar tanto para ver os times brasileiros como os europeus…

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O SBT, a ditadura e o futuro da TV Aberta

O proprietário do SBT, Silvio Santos, tornou-se um dos assuntos mais comentados no twitter nesta terça-feira (6). O motivo é uma assustadora campanha patriótica promovida pelo canal, que ressuscitou o slogan utilizada pela ditadura militar: Brasil, ame-o ou deixe-o (veja mais na matéria do Poder 360). A série de vinhetas aponta um claro posicionamento da emissora ao futuro governo de Jair Bolsonaro, um militar que sempre defendeu a ditadura e se elegeu com discurso nacionalista.

Muitos nas redes sociais já comentam que a campanha mostra que os tempos sombrios da ditadura estão de volta, antes mesmo de o governo Bolsonaro iniciar. A coluna não vai discutir agora a questão da repressão, como a proposta de enquadrar movimentos sociais como terroristas. Esse assunto fica para outra postagem. O foco aqui é midiático: por que o SBT fez isso?

O GOVERNISMO DO SBT

O SBT nasceu e sempre foi governista. Foi criado no governo Figueredo, o último da ditadura. Silvio Santos ganhou a preferência pela concessão da TV aberta de empresas como a Abril e o Jornal do Brasil justamente por ser mais favorável a quem está no poder. Ao longo de sua história, a emissora deu pouco valor ao jornalismo. Já se associou ao governo do PT: em 2012, o ex-presidente Lula foi ao Ratinho levar Fernando Haddad, que seria depois candidato a prefeito de São Paulo. Ano passado, Santos recebeu o presidente Temer pessoalmente em seu programa.

Bolsonaro foi eleito com a sua militância criticando a Globo e com uma parceria direta entre Bolsonaro e Edir Macedo (Igreja Universal/ TV Record). O SBT, com sua campanha, deixa claro que também quer atenção do novo presidente e que não poupará esforços para isso.

A QUEDA DA TELEVISÃO

Apesar  do apoio direto da TV Record, com a Globo e as outros meios de comunicação batendo pesado no PT, é fato que a eleição do PSL este ano passou longe da televisão. Bolsonaro tinha apenas 8 segundos no horário eleitoral, ignorou debates e venceu a disputa com um trabalho pesado nas redes sociais.

O PSL sabe que não se pode brincar com as televisões, mas sabe que elas não têm mais o poder de antigamente. Bastava Bolsonaro fazer um acordo rápido com a Globo e poderia ignorar todas as outras emissoras, cortar todos os recursos que não afetaria seu governo.

Bolsonaro possui uma rede forte de apoiadores que enviam sua mensagem para a população em geral. O twitter deverá ser o seu porta voz, assim como o presidente americano Donald Trump. O novo presidente sabe que pode ter a imprensa inteira contra si e ainda se dar bem pois tem canais de comunicação direto com a população. É um pouco desnecessário para ele ter emissoras de TV ao seu favor. Já emissoras de televisão como SBT, Bandeirantes e RedeTV nem podem pensar em ficar sem as verbas federais. Seus índices de audiência são muito baixos para viver somente da publicidade empresarial.

Bolsonaro não precisa do SBT. O SBT é que precisa MUITO do governo federal

Se vamos viver tempos sombrios, com perseguições a opositores, censura e ataques aos direitos humanos, só quando o governo novo começar para saber. Mas se depender de canais como o SBT, a nova gestão terá carta branca para fazer o que quiser, desde que ajude a manter as emissoras no ar.

Com a nova campanha, o SBT se agarra no populismo direitista para sobreviver. Fica a dúvida se interessa ao novo governo “manter isso aí”. Se fosse depender dos meios tradicionais, Bolsonaro jamais seria presidente. Mais vale para a nova gestão investir a verba publicitária nas redes sociais e deixar umas migalhas para os SBTs da vida “não encher o saco”.

A ação do SBT deve deixar a oposição ainda mais assustada, aqueles que desejam um governo autoritário e repressor ainda mais animados, a turma do novo governo agradecida pelo apoio gratuito. Mas não deve impedir a falência do modelo de televisão aberta do SBT. Aliás, o canal sobreviverá depois de Silvio Santos?[:]


Por uma esquerda pós-lulista no Brasil

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ainda que pese as denúncias de crime eleitoral por uso de caixa 2 no escândalo do impulsionamento de mensagens por Whatsapp, a extrema-direita elegeu um presidente da República no Brasil pela primeira vez de forma democrática. As denúncias precisam ser investigadas e, se comprovadas deve haver punição aos responsáveis. Mas atribuir somente a vitória de Jair Bolsonaro a indústria de fake news é enganar a si mesmo. O Brasil vive uma onda conservadora que começou a ser gestada na década passada, se revelou publicamente a partir de 2013 e já mostrou do que era capaz nas eleições municipais de 2016. Ninguém que acompanha a política no Brasil pode ficar surpreso com a vitória de Bolsonaro.

A extrema-direita chega ao poder fazendo que aquilo que a centro-direita do PSDB não conseguia fazer: criar sua força política de baixo, com bases fortes e penetração nas camadas mais populares. O coxismo tucano não ultrapassava as altas classes, São Paulo, Sul e Centro-Oeste. O bolsonarismo atacou por duas frentes: tomou o lugar dos tucanos nesses eleitorados e ainda invadiu as comunidades e periferias do Sudeste e Norte, muito devido a força das igrejas neopentecostais. Não por acaso o PSDB é, talvez, o maior derrotado desta eleição.

Mas a esquerda não pode fingir que um ponto decisivo para o sucesso de Bolsonaro não existe: o antilulismo. Esse movimento surgiu nos anos 80 e ganhou expressão nas eleições de 1989, quando o ainda radical Lula foi ao segundo turno. A eleição de Lula em 2002 e o sucesso de sua gestão apagaram a força do antilulismo, mas ele nunca morreu. Seja por motivos ideológicos, por preconceito ou apenas por influência da imprensa, sempre houve uma parcela da população com asco ao ex-presidente.

O PT apostou que o desastre do governo Temer e a perseguição desigual a Lula na Operação Lava Jato ressuscitariam o lulismo, que havia perdido força a partir da crise no governo Dilma em 2015. Em partes, acertou pois colocou o ex-presidente no centro das conversas sobre o Brasil. Mas ao transformar Lula em um mito, no pai dos pobres, no único capaz de resolver os pr0blemas do país, o PT acabou turbinando o antilulismo.

Lula não se comportou como um líder a partir do impeachment. A prioridade passou ser apenas a eleição. Não havia discussões, propostas para liderar as esquerdas, liderar o país. O PT estava convicto que bastava ele disputar que ele ganhava. Quando veio a condenação e depois a prisão, a prioridade passou a ser apenas libertá-lo, o resto do país que esperasse.

Há, de fato, muitos adoradores de Lula no país. Mas isso não resolve uma eleição. Todos sabiam que o simples apoio de Lula daria forças para um candidato chegar no segundo turno. Mas o PT insistiu no ex-presidente até o último minuto. No primeiro turno, Haddad não foi o candidato, foi um mero POSTE de Lula. As qualidades do professor das USP e ex-prefeito de São Paulo só apareceram no segundo turno, quando era tarde demais.

Bolsonaro vai continuar explorando o antilulismo, principalmente quando a situação não estiver boa para ele. A cada crise do seu govenro, algo antilula será lançado para abafar. O PT também fez isso com o antiFHCismo existente na população na década passada. A estratégia do PSL será manter Lula como vilão e Bolsonaro como o único capaz de impedir a volta dele ao poder.

PÓS-LULISMO

Ignorar os avanços sociais no governo Lula é burrice. Ignorar a gratidão que o povo nordestino possui com o ex-presidente também. Haddad só foi ao segundo turno, porque o nordestino votou “no moço do Lula”. Sem ele, a eleição acabaria no primeiro turno e não com Ciro Gomes no segundo. Mas o mesmo lulismo que impulsionou Haddad o impediu de vencer a disputa. Por isso, é preciso ir além.

A esquerda brasileira precisa se reorganizar, formar novas lideranças. Tanto a esquerda “raiz” como o PSOL quanto os mais moderados (PSB, Rede, PDT) precisam de novas estratégias pois estamos diante de um governo de extrema-direita e não de direita. Quem assumirá o poder fará o possível para destruir todas as esquerdas.

A esquerda brasileira precisa de um PÓS-LULISMO. Precisa de lideranças que reconheçam e defendam o legado social de Lula, mas que possuam novas pautas, para o Brasil atual. O comando do PT precisa ser alterado, é preciso um diálogo maior entre os partidos de esquerda. Se o PT quer ser o líder desse movimento, ele precisa respeitar as demais siglas, algo que nunca aconteceu.

Focar em “Lula Livre” é a armadilha perfeita do bolsonarismo para deixar a esquerda ocupada e longe do eleitorado brasileiro. Se as esquerdas não querem que o segundo turno de 2022 seja Jair Bolsonaro x João Amoedo é preciso entender que o lulismo não vai acabar com o antilulismo. É preciso ir além![:]


A centro-esquerda brasileira está perdida desde 2013. A centro-direita, pelo jeito, também

[:br]

MUITO ALÉM DE BOLSONARO

Resumir as eleições brasileira de 2018 na provável vitória de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) é simplificar demais toda a complexidade da política brasileira. É ser ingênuo ou agir de má fé. O terremoto conservador nas eleições vai muito além da disputa presidencial. É um movimento que começou a nascer nas redes sociais da segunda metade da década passada, que passou do virtual ao real em 2013. Desde esta data a centro-esquerda brasileira está perdida. E pelos resultados dessas eleições, a centro-direita também.

ESGOTAMENTO E RENOVAÇÃO

Os sinais de esgotamento e desejo por renovação começaram em 2013 nos insanos protestos que começaram com o preço de uma passagem, mas que despertaram a revolta geral da população. A eleição da “turma de sempre” em 2014 mascarou um pouco, mas os sinais ficaram claros com a eleição de políticos como Marcelo Crivella (PRB), João Dória (PSDB) e Alexandre Kalil (PHS) nas prefeituras do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizoente. Nomes que sempre estiveram na política, mas nunca como protagonistas. Nomes populares fora do segmento político.

A centro-esquerda não percebeu isso. A centro-direita, pelo jeito, também não. Foram poucos os nomes de renovação partindo dessas siglas em 2018. Quem inovou? PSOL, Novo e PSL. O último, puxado por um político popular, teve o melhor resultado: 52 deputados federais eleitos. Mas as movimentações de PSOL e Novo precisam ser vistas de perto.

PARADOS NO TEMPO

Partidos como o PSDB não conseguiram produzir novas lideranças. João Dória, prefeito de São Paulo, não representa o partido, de fato. Talvez Eduardo Leite, ex-prefeito de Pelotas (RS) e provável novo governador do Rio Grande do Sul seja um nome desses. Em Santa Catarina, o partido tinha o nome de Napoleão Bernardes, ex-prefeito de Blumenau, de 36 anos, com chances reais de se eleger senador em uma disputa cheia de velhos e cansados nomes. Mas a sigla preferiu colocá-lo como vice de Mauro Mariani (MDB) que nem ao segundo turno foi. Queimou uma ficha

O PT conseguiu se sair melhor que o PSDB graças ao desempenho extraordinário no Nordeste. Rui Costa e Jacques Wagner na Bahia, Welligton Dias no Piauí e Camilo Santana no Ceará apontam o partido para uma nova direção. Wagner, aliás, mostrou como se faz. Seu escolhido para sucessão em 2014, Rui Costa, ganhou tão fácil na reeleição esse ano que se tornou um nome fortíssimo do país em nível nacional. A sigla se renova no Nordeste e se enfraquece no Sul/Sudeste. Por que? Porque apostou nas velhas caras de sempre.

VIZINHOS NA PERIFERIA

A eminente derrota de Fernando Haddad (PT) no segundo turno deve ser observada pelos votos na periferia. A centro-esquerda perdeu a hegemonia que tinha. Antes, o PT enfrentava os tucanos, que simplesmente não sabiam como conversar com essas comunidades. Sem adversários, o petismo se garantiu com bons resultados em Minas Gerais e Rio de Janeiro. Mas não soube cuida direito desse eleitorado urbano, de classe social mais baixa. A extrema-direita entrou em guetos que os tucanos jamais conseguiram entrar. Como? Usando a questão da segurança/violência e com o impulso de igrejas evangélicas neopentecostais. A vitória do bispo da Igreja Universal Marcelo Crivella (PRB) contra Marcelo Freixo (PSOL) no Rio de Janeiro era um alerta.

E A ECONOMIA, ESTÚPIDO?

Brincando com a famosa frase de James Carville, estrategista de Bill Clinton nas eleições americanas de 1992, eu pergunto: cadê a economia no segundo turno das eleições, PT? No primeiro turno, todos os candidatos atacaram Bolsonaro por questões morais/democráticas. O eleitorado dele ignorou e ele só cresceu nas pesquisas. Desde o início do ano vários especialistas falam que a melhor forma de atacar o candidato do PSL é falando em economia, pois quando o assunto é questões morais, as frases prontas dele surtem efeito positivo. O jornalista Reinaldo Azevedo (RedeTV/Folha/Band News FM) mostrou o caminho em agosto, quando perguntou a Bolsonaro sobre déficit público em um debate. Mas o PT praticamente não aproveitou isso. Falar que não tem projetos é insuficiente, era preciso puxar todo o segundo turno para a questão econômica.

O movimento #EleNão foi importante, interessante, mas jamais poderia ter sido o foco das candidaturas adversárias de Bolsonaro. O foco tinha que ser economia, enquanto a sociedade civil (no caso, as mulheres) desconstruiam o candidato pela questão democrática. Mas como diz o título desta coluna, a centro-esquerda e a centro-direita estão perdidas desde 2013.

Protesto das mulheres contra Bolsonaro. Ação importante, mas os partidos não poderiam ter ficado só nisso

O FUTURO

Uma análise pós-eleitoral já está sendo preparada, já considerando a vitória de Bolsonaro. O que pode ser o governo do PSL, como PT, PDT e PSB se comportarão de um lado e como PSDB se comportará do outro estarão na pauta.[:]