Por uma esquerda pós-lulista no Brasil

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ainda que pese as denúncias de crime eleitoral por uso de caixa 2 no escândalo do impulsionamento de mensagens por Whatsapp, a extrema-direita elegeu um presidente da República no Brasil pela primeira vez de forma democrática. As denúncias precisam ser investigadas e, se comprovadas deve haver punição aos responsáveis. Mas atribuir somente a vitória de Jair Bolsonaro a indústria de fake news é enganar a si mesmo. O Brasil vive uma onda conservadora que começou a ser gestada na década passada, se revelou publicamente a partir de 2013 e já mostrou do que era capaz nas eleições municipais de 2016. Ninguém que acompanha a política no Brasil pode ficar surpreso com a vitória de Bolsonaro.

A extrema-direita chega ao poder fazendo que aquilo que a centro-direita do PSDB não conseguia fazer: criar sua força política de baixo, com bases fortes e penetração nas camadas mais populares. O coxismo tucano não ultrapassava as altas classes, São Paulo, Sul e Centro-Oeste. O bolsonarismo atacou por duas frentes: tomou o lugar dos tucanos nesses eleitorados e ainda invadiu as comunidades e periferias do Sudeste e Norte, muito devido a força das igrejas neopentecostais. Não por acaso o PSDB é, talvez, o maior derrotado desta eleição.

Mas a esquerda não pode fingir que um ponto decisivo para o sucesso de Bolsonaro não existe: o antilulismo. Esse movimento surgiu nos anos 80 e ganhou expressão nas eleições de 1989, quando o ainda radical Lula foi ao segundo turno. A eleição de Lula em 2002 e o sucesso de sua gestão apagaram a força do antilulismo, mas ele nunca morreu. Seja por motivos ideológicos, por preconceito ou apenas por influência da imprensa, sempre houve uma parcela da população com asco ao ex-presidente.

O PT apostou que o desastre do governo Temer e a perseguição desigual a Lula na Operação Lava Jato ressuscitariam o lulismo, que havia perdido força a partir da crise no governo Dilma em 2015. Em partes, acertou pois colocou o ex-presidente no centro das conversas sobre o Brasil. Mas ao transformar Lula em um mito, no pai dos pobres, no único capaz de resolver os pr0blemas do país, o PT acabou turbinando o antilulismo.

Lula não se comportou como um líder a partir do impeachment. A prioridade passou ser apenas a eleição. Não havia discussões, propostas para liderar as esquerdas, liderar o país. O PT estava convicto que bastava ele disputar que ele ganhava. Quando veio a condenação e depois a prisão, a prioridade passou a ser apenas libertá-lo, o resto do país que esperasse.

Há, de fato, muitos adoradores de Lula no país. Mas isso não resolve uma eleição. Todos sabiam que o simples apoio de Lula daria forças para um candidato chegar no segundo turno. Mas o PT insistiu no ex-presidente até o último minuto. No primeiro turno, Haddad não foi o candidato, foi um mero POSTE de Lula. As qualidades do professor das USP e ex-prefeito de São Paulo só apareceram no segundo turno, quando era tarde demais.

Bolsonaro vai continuar explorando o antilulismo, principalmente quando a situação não estiver boa para ele. A cada crise do seu govenro, algo antilula será lançado para abafar. O PT também fez isso com o antiFHCismo existente na população na década passada. A estratégia do PSL será manter Lula como vilão e Bolsonaro como o único capaz de impedir a volta dele ao poder.

PÓS-LULISMO

Ignorar os avanços sociais no governo Lula é burrice. Ignorar a gratidão que o povo nordestino possui com o ex-presidente também. Haddad só foi ao segundo turno, porque o nordestino votou “no moço do Lula”. Sem ele, a eleição acabaria no primeiro turno e não com Ciro Gomes no segundo. Mas o mesmo lulismo que impulsionou Haddad o impediu de vencer a disputa. Por isso, é preciso ir além.

A esquerda brasileira precisa se reorganizar, formar novas lideranças. Tanto a esquerda “raiz” como o PSOL quanto os mais moderados (PSB, Rede, PDT) precisam de novas estratégias pois estamos diante de um governo de extrema-direita e não de direita. Quem assumirá o poder fará o possível para destruir todas as esquerdas.

A esquerda brasileira precisa de um PÓS-LULISMO. Precisa de lideranças que reconheçam e defendam o legado social de Lula, mas que possuam novas pautas, para o Brasil atual. O comando do PT precisa ser alterado, é preciso um diálogo maior entre os partidos de esquerda. Se o PT quer ser o líder desse movimento, ele precisa respeitar as demais siglas, algo que nunca aconteceu.

Focar em “Lula Livre” é a armadilha perfeita do bolsonarismo para deixar a esquerda ocupada e longe do eleitorado brasileiro. Se as esquerdas não querem que o segundo turno de 2022 seja Jair Bolsonaro x João Amoedo é preciso entender que o lulismo não vai acabar com o antilulismo. É preciso ir além![:]

A centro-esquerda brasileira está perdida desde 2013. A centro-direita, pelo jeito, também

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MUITO ALÉM DE BOLSONARO

Resumir as eleições brasileira de 2018 na provável vitória de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) é simplificar demais toda a complexidade da política brasileira. É ser ingênuo ou agir de má fé. O terremoto conservador nas eleições vai muito além da disputa presidencial. É um movimento que começou a nascer nas redes sociais da segunda metade da década passada, que passou do virtual ao real em 2013. Desde esta data a centro-esquerda brasileira está perdida. E pelos resultados dessas eleições, a centro-direita também.

ESGOTAMENTO E RENOVAÇÃO

Os sinais de esgotamento e desejo por renovação começaram em 2013 nos insanos protestos que começaram com o preço de uma passagem, mas que despertaram a revolta geral da população. A eleição da “turma de sempre” em 2014 mascarou um pouco, mas os sinais ficaram claros com a eleição de políticos como Marcelo Crivella (PRB), João Dória (PSDB) e Alexandre Kalil (PHS) nas prefeituras do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizoente. Nomes que sempre estiveram na política, mas nunca como protagonistas. Nomes populares fora do segmento político.

A centro-esquerda não percebeu isso. A centro-direita, pelo jeito, também não. Foram poucos os nomes de renovação partindo dessas siglas em 2018. Quem inovou? PSOL, Novo e PSL. O último, puxado por um político popular, teve o melhor resultado: 52 deputados federais eleitos. Mas as movimentações de PSOL e Novo precisam ser vistas de perto.

PARADOS NO TEMPO

Partidos como o PSDB não conseguiram produzir novas lideranças. João Dória, prefeito de São Paulo, não representa o partido, de fato. Talvez Eduardo Leite, ex-prefeito de Pelotas (RS) e provável novo governador do Rio Grande do Sul seja um nome desses. Em Santa Catarina, o partido tinha o nome de Napoleão Bernardes, ex-prefeito de Blumenau, de 36 anos, com chances reais de se eleger senador em uma disputa cheia de velhos e cansados nomes. Mas a sigla preferiu colocá-lo como vice de Mauro Mariani (MDB) que nem ao segundo turno foi. Queimou uma ficha

O PT conseguiu se sair melhor que o PSDB graças ao desempenho extraordinário no Nordeste. Rui Costa e Jacques Wagner na Bahia, Welligton Dias no Piauí e Camilo Santana no Ceará apontam o partido para uma nova direção. Wagner, aliás, mostrou como se faz. Seu escolhido para sucessão em 2014, Rui Costa, ganhou tão fácil na reeleição esse ano que se tornou um nome fortíssimo do país em nível nacional. A sigla se renova no Nordeste e se enfraquece no Sul/Sudeste. Por que? Porque apostou nas velhas caras de sempre.

VIZINHOS NA PERIFERIA

A eminente derrota de Fernando Haddad (PT) no segundo turno deve ser observada pelos votos na periferia. A centro-esquerda perdeu a hegemonia que tinha. Antes, o PT enfrentava os tucanos, que simplesmente não sabiam como conversar com essas comunidades. Sem adversários, o petismo se garantiu com bons resultados em Minas Gerais e Rio de Janeiro. Mas não soube cuida direito desse eleitorado urbano, de classe social mais baixa. A extrema-direita entrou em guetos que os tucanos jamais conseguiram entrar. Como? Usando a questão da segurança/violência e com o impulso de igrejas evangélicas neopentecostais. A vitória do bispo da Igreja Universal Marcelo Crivella (PRB) contra Marcelo Freixo (PSOL) no Rio de Janeiro era um alerta.

E A ECONOMIA, ESTÚPIDO?

Brincando com a famosa frase de James Carville, estrategista de Bill Clinton nas eleições americanas de 1992, eu pergunto: cadê a economia no segundo turno das eleições, PT? No primeiro turno, todos os candidatos atacaram Bolsonaro por questões morais/democráticas. O eleitorado dele ignorou e ele só cresceu nas pesquisas. Desde o início do ano vários especialistas falam que a melhor forma de atacar o candidato do PSL é falando em economia, pois quando o assunto é questões morais, as frases prontas dele surtem efeito positivo. O jornalista Reinaldo Azevedo (RedeTV/Folha/Band News FM) mostrou o caminho em agosto, quando perguntou a Bolsonaro sobre déficit público em um debate. Mas o PT praticamente não aproveitou isso. Falar que não tem projetos é insuficiente, era preciso puxar todo o segundo turno para a questão econômica.

O movimento #EleNão foi importante, interessante, mas jamais poderia ter sido o foco das candidaturas adversárias de Bolsonaro. O foco tinha que ser economia, enquanto a sociedade civil (no caso, as mulheres) desconstruiam o candidato pela questão democrática. Mas como diz o título desta coluna, a centro-esquerda e a centro-direita estão perdidas desde 2013.

Protesto das mulheres contra Bolsonaro. Ação importante, mas os partidos não poderiam ter ficado só nisso

O FUTURO

Uma análise pós-eleitoral já está sendo preparada, já considerando a vitória de Bolsonaro. O que pode ser o governo do PSL, como PT, PDT e PSB se comportarão de um lado e como PSDB se comportará do outro estarão na pauta.[:]

Haddad x Bolsonaro em outro patamar

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IBOPE

A pesquisa Ibope do dia 24 de setembro vai ser muito festejada pelo PT. Não apenas pelos resultados imediatos, que confirmam a ascensão de Fernando Haddad e a parada de Jair Bolsonaro e Ciro Gomes. Os dados do segundo turno são as armas do petismo agora e a rejeição é o ponto mais importante para Bolsonaro refletir. O Ibope colocou a briga dos dois em outro patamar e uma terceira via está cada vez mais difícil…

SEGUNDO TURNO

Pela primeira vez, Haddad apareceu na frente em uma simulação de segundo turno contra Bolsonaro fora da margem de erro. Na sexta-feira, o DataPoder 360 já apontava o crescimento do petista, que venceria o candidato do PSL por 43 a 40. Mas ainda era um empate técnico dentro da margem de erro. Agora não, 43% a 37%, seis pontos, é o que o PT precisava para derrubar a tese do voto útil para Ciro. A vantagem de PDT para Bolsonaro continua maior, 13 pontos. Mas o crescimento de Haddad mostra que ele pode sim vencer a eleição no segundo turno, que a rejeição ao PT já não é a mesma de 2016. “Votar Haddad é eleger Bolsonaro” não se sustenta mais.

REJEIÇÃO

A curva do petista é ótima em todos os sentidos. Subiu em todas as regiões do país, assusta menos o mercado que Lula e sua rejeição oscilou de 29% para 30%, muito abaixo dos 46% de Bolsonaro, que viu sua rejeição crescer quatro pontos percentuais. Aliás, esse é o ponto mais importante para o PSL hoje. A oportunidade de criar um BolsoLight após o atentado foi jogada fora. O discurso radical misógino e homofóbico dos seus militantes (canções contra mulheres em Recife, gritos de “Bolsonaro vai matar viado” em Belo Horizente) tudo isso ajudou a queimar ainda mais a imagem do candidato.

MUDANÇA

Ou Bolsonaro muda radicalmente a campanha, acena para o eleitorado feminino que faz campanha contra si, busca uma conciliação e, PRINCIPALMENTE, tenta por um freio nos seus militantes, ou Bolsonaro corre até um risco (embora muuuuito pequeno) de ver seus votos voltarem para o PSDB de Geraldo Alckmin ainda no primeiro turno. A reação dos militantes do PSL na internet depois da pesquisa mostram que eles não entenderam nada do que está acontecendo: mais ataques a possíveis eleitores no segundo turno.

MAIS GESTOS

Se Haddad cresceu e suas chances de vitória passaram a ser reais nas últimas pesquisas, dá-se não apenas pelo lulismo, mas também pelo perfil moderado de Haddad. Duvida? Ele melhorou sua votação no Sul, onde Lula possui uma rejeição gigantesca. Haddad também fez acenos ao mercado, afastando os economistas mais radicais e deixando o boato que o economista ortodoxo Marcos Lisboa pode ser seu ministro da Fazenda. Assim como Bolsonaro ainda tem tempo e espaço para acenar ao outro lado, Haddad também pode fazer isso: o perfil pessoal dele lembra mais o FHC que de Lula. Haddad é o mais tucano dos petistas. Explorar o nome de Lula alavanca votos no Nordeste e na população mais pobre, investir no nome de Haddad pode ajudá-lo no segundo turno contra Bolsonaro.

“Haddad é o mais tucano dos petistas”

ÚLTIMAS CARTADAS

Buscar o eleitor antipetista, mas não maluco radical, que não quer Haddad no poder e que perdeu a paciência com Bolsonaro deve ser a última cartada tanto de Geraldo Alckmin (PSDB) como de Ciro Gomes (PDT). Esse eleitorado é de centro e centro-direita e rejeita os dois líderes das pesquisas. Quem conseguir capitalizar melhor esses votos pode chegar na semana final sonhando em ser a terceira via. Em favor de Ciro, ter uma militância organizada na internet. Em favor de Geraldo, o apoio da mídia tradicional.

SANTA CATARINA

Nem Mauro Mariani (MDB), nem Gelson Merísio (PSD), nem Décio Lima (PT). Quem lidera as eleições para governador em Santa Catarina são os votos brancos/nulos e eleitores indecisos: 35%. A menos de duas semanas das eleições, temos uma disputa aberta, improvável e muito difícil de arriscar quem estará no segundo turno (e se vai haver segundo turno, mesmo). Mariani e Merísio possuem estrutura, mas são nome muito pouco estadualizados. Décio é estadualizado, mas não possui estrutura. A disputa ao governo catarinense ficou em segundo plano para os eleitores.

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Extremos? Não! Uma disputa de rejeições, talvez

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FOTO: José Cruz/Agência Brasil

POLARIZANDO

A pesquisa Ibope divulgada terça-feira (18) pela Rede Globo só confirma o que outras pesquisas já apontavam: Fernando Haddad (PT) disparou e começou uma polarização direta com Jair Bolsonaro (PSL). A tendência no momento é que ambos vão ao segundo turno, que deve ser muito disputado. Mas este é o cenário do momento, as coisas ainda podem mudar.

SUBINDO

A subida de 11 pontos percentuais em uma semana mostra que a transferência de votos de Lula para Haddad começou a acontecer. E se lembramos que o ex-presidente tinha 38% no último Ibope e 39% no último Datafolha, podemos afirmar que a tendência é que o ex-prefeito de São Paulo continue subindo.

TAMBÉM VAI SUBIR

O crescimento do candidato do PT pode ajudar Bolsonaro a se consolidar. Ele vai apostar no antipetismo para conseguir alguns votos hoje com Alckmin, Dias e Amoedo. Bolsonaristas falam em vitória no primeiro, mas vale lembrar que nem voto voto tucano é voto para ele. Do outro lado, o PT também tentará roubar votos de Ciro e Marina com o discurso antibolsonaro. O que deve acontecer? Ambos subirão, mas n devem bater os 50% no primeiro turno.

EXTREMOS

O segundo turno entre Haddad e Bolsonaro não será um segundo turno de extremos. Isso porque o candidato do PT é, talvez, um dos mais moderados do seu partido (que já é bem moderado). Será um segundo turno se rejeições, grupos anti que se espalham na internet. Por isso, será um segundo turno insuportável, com brigas, discussões intermináveis, etc.

CENTRÃO

O Centrão deve eleger, como sempre, um espaço gigante no Congresso Nacional para 2019. Mas o desempenho de Geraldo Alckmin (PSDB) é uma derrota para esses partidos. O latifúndio no tempo de TV não serviu para nada até agora. Confirmando, a tese de que os candidatos precisam do Centrão para ganhar as eleições cai por terra. Os principais partidos começarão a pensar em si apenas, deixando a conversa com o Centrão para depois das eleições. E se lembrarmos que a partir de 2020 não haverão mais coligações proporcionais, o jogo político passará por grandes mudanças.

 VICE E ASSESSOR

De acordo com o UOL, Bolsonaro teve alta do Hospital, deve ficar no Rio de Janeiro e estuda participar do debate na Globo. O candidato do PSL precisa volta ao noticiário que não seja apenas a sua recuperação física para evitar que os aliados atrapalhem ainda mais a campanha. As entrevistas do General Mourão (PRTB) tem sido polêmicas (para não falar algo pior). Comentário preconceituoso sobre famílias de mães solteiras, comentários contra negros e índios. Além disso, o assessor econômico propôs a volta da CPMF e uma única faixa de imposto de renda.

HADDAD PAZ E AMOR

Este coluna disse em sua segunda edição que já havia uma aproximação do Mercado Financeiro com Haddad, antes memso de ele ser confirmado candidato do PT. Agora, o petista dá declarações concordando com uma reforma da previdência (não a do Temer, claro), com controle de gastos e sinalizando que o Ministério da Fazenda não será tocado por alguém muito heterodoxo. É praticamente uma “carta ao povo brasileiro” atualizada.

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Bolsonaro ficou mais vivo após a facada

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IMPREVISÍVEL

Estamos diante de uma eleição imprevisível histórica. Um dia, a pesquisa Ibope aponta uma rejeição crescente para Bolsonaro, que perderia o segundo turno para qualquer adversário. Uma situação difícil de reverter, pois sua rejeição crescia justamente com o aumento da exposição do candidato. Eis que um imbecil maluco decidiu dar uma facada no candidato em um comício. Pronto: o candidato do PSL sobreviveu ao ataque e ganhou mais fôlego para a campanha, explico abaixo:

FATOR 1 – COMOÇÃO

A comoção por um candidato que sofre um atentado é inevitável. Lembramos da morte de Eduardo Campos (PSB) em 2014, que impulsionou Marina Silva. O candidato que tinha como problema justamente o fato de defender o ódio, a ditadura, a tortura, agora pode se posar de vítima. Ele fará isso, como qualquer candidato faria.

Morte de Campos gerou comoção, impulsionou Marina, mas não garantiu a eleição dela. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

FATOR 2 – BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSQUITO

Cada vez que Bolsonaro abria a boca para falar seus discursos tradicionais, ele alimentava mais a sua militância enquanto via sua rejeição aumentar. Claro: ou tu apoias incondicionalmente o que ele defende, ou tu repulsas toda a ideologia que ele traz. Agora, pós atentado, Bolsonaro estará na mídia, como vítima, e sem condições de aumentar a rejeição com suas ideias.

SEGUNDO TURNO

Dizer que Bolsonaro vai ganhar as eleições por causa do atentado é precipitado. Marina captou os votos da comoção da morte de Eduardo Campos em 2014, mas perdeu eles no mesmo mês, ficando em terceiro lugar. A primeira reação ao atentado deve ser a consolidação do seu atual eleitorado, o que praticamente o garante no segundo turno. Depois do dia 7 de outubro são outros quinhentos.

NOVAS ESTRATÉGIAS

Geraldo Alckmin (PSDB) tinha decidido atacar Bolsonaro por entender que os dois brigam por uma vaga no segundo turno (a outra é da centro-esquerda). Porém, vale a pena atacar um candidato que sofreu um atentado? Se os tucanos desistirem de entrar no segundo turno no lugar do PSL vão precisar atacar o PDT e a Rede. O jogo mudou…

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR

Quando o PT vai finalmente oficializar Haddad? Lançar agora é uma má ideia, pois as atenções estão voltadas para o PSL e o PT precisa de mídia para dizer que Haddad é o candidato de Lula. Mas se não for agora, quando?

MELANCÓLICO

As críticas de Temer a Alckmin e depois a Haddad no Twitter mostram um fim melancólico do ex-presidente em exercício. O mais impopular presidente da história revela-se um rancoroso, chato, que não aceita críticas e vive distante da realidade. Os vídeos de Temer não afetarão as eleições, apenas gerarão ótimos memes.[:]

Pesquisa Ibope, Temer e Lula

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José Cruz/Agência Brasil

PESQUISA IBOPE

A primeira pesquisa eleitoral que não trouxe o nome do ex-presidente Lula não foi muito diferente das pesquisas anteriores no cenário sem Lula. Todo mundo praticamente subiu um pouco, mas quem mais comemora o resultado do Ibope é o candidato Ciro Gomes (PDT). Foi quem mais subiu, empatou em segundo lugar com Marina Silva (Rede), possui a menor rejeição e com a maior vantagem sobre Bolsonaro (PSL) no segundo turno.

O REJEITADO

A coisa tá feia para o candidato do PSL. Lidera no primeiro turno, mas perde para todos os candidatos simulados em segundo turno. A exceção é num segundo turno com Fernando Haddad (PT), onde há empate. Porém, é bom lembrar que Haddad ainda não foi oficializado candidato. O candidato “social-liberal” pode ter o mesmo destino de Marine Le Pen, da Frente Nacional, partido da extrema direita francesa: ganhar fácil no primeiro e tomar um vareio no segundo.

CORRA, LULA, CORRA

O PT vai esticando a corda até o fim para lançar seu candidato de “verddad”. Uma estratégia cada dia mais arriscada, pois quando Haddad for o candidato oficial, ele iniciará em quinto lugar nas pesquisas e terá menos de 30 dias não apenas para dizer que é o substituto de Lula, mas que o leitor lulista (que não é necessariamente petista) deve votar nele e não em Ciro Gomes ou Marina Silva, candidatos que estão absorvendo mais o lulismo hoje.

CORRA, LULA, CORRA (2)

E o ministro do STF, Luiz Fachin, o mesmo que tinha votado a favor de Lula no TSE, negou o pedido dele para rever a cassação da candidatura do STF, algo já esperado, mas que a imprensa petista continua esperneando como se tivesse realmente esperanças se alguma mudança nos tribunais. O teatro de dizer que Lula é candidato acabou, quando mais tempo o PT levar para não ficar mais fingindo, pior para Haddad.

NÃO FINGE QUE NÃO ME CONHECE

Pesado o ataque do presidente do Michel Temer (MDB) ao candidato Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano está criticando pontos do governo atual e o presidente resolveu reagir, mas com um ataque diferente. Basicamente, Temer disse: “não finge que não estamos juntos, porque estamos juntos sim”. Temer não xingou Alckmin, fez pior: mostrou que a candidatura do PSDB é também uma candidatura governista. Alckmin apanhou e não poderá responder para não perder tempo

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A tragédia depois da tragédia do Museu Nacional

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FOTO: Tânia Rêgo/Agência Brasil

FOGO

Desnecessário falar sobre o incêndio ao Museu Nacional no Rio de Janeiro. O assunto está nos jornais do mundo inteiro. A coluna de hoje falará mais sobre a tragédia que veio depois da tragédia: a desinformação e o festival de discursos políticos bestas para se aproveitar do caso.

A EMENDA 95 E A DILMA

Muita hipocrisia as lideranças do PT culparem exclusivamente o governo Temer pelo incêndio. O primeiro grande corte do repasse de verbas ao museu foi no governo Dilma, em 2015. É fato que a Emenda 95 vai trazer muitos problemas nos próximos anos, mas se é para colocar na conta de alguém, vamos colocar nos dois: Dilma/Temer. Nem esperaram o fogo ser apagado para tirar proveito político, vão… Ah sim, tem matéria circulando de 2004 com a direção da UFRJ reclamando de falta de apoio ao museu, isto é, governo Lula.

ATAQUES AO PSOL

O fato do reitor e do vice-reitor da UFRJ serem do PSOL foi motivo para a direita burra partir para cima do partido, culpando-o pelo incêndio. Oi? A reitoria reclama de falta de recursos para o local desde sempre, estava com uma responsabilidade imensa nas mãos sem dinheiro para isso e a culpa é do partido do reitor? Ah, vá!!!

OS MUSEÓLOGOS

Eis que o Brasil passou a ter 200 milhões de museólogos, ou no mínimo, apaixonados por museus. Gente que nunca colocou os pés em um museu na vida está nas redes sociais berrando contra o governo, contra político X ou Y, pelo incêndio. Ficou interessado em cultura, em história? Comece prestigiando os museus de sua cidade, então.

ROUANET

Deveria ter uma lei que proibisse o brasileiro de falar sobre a Lei Rouanet sem conhece-la primeiro. E que fique claro, sou um crítico antigo a este formato de apoio a cultura. Leis de mecenato como a Rouanet fazem com que o departamento de marketing das empresas decida para onde vai o dinheiro público. Por isso, artistas famosos conseguem captar os recursos aprovados e museus como o do Rio de Janeiro não. Duvida? Leia isto!

ROUANET (2)

Mas não é pelas razões apresentadas na nota anterior que o brasileiro berra nas redes sociais contra a Rouanet. É contra por causa de alguns trabalhos que recebem recursos pela lei. Primeiro: boa parte dos projetos aprovados na Rouanet criticados na web não conseguem captar grana também (leia aqui). Segundo: o problema na real não é o uso de dinheiro público: o hipócrita metido a moralista é simplesmente contra que algumas peças, alguns livros sejam publicados porque não gosta do conteúdo. Censura mesmo, sabe…

HIPÓCRITAS

É irritante ler pessoas que até ontem estavam reclamando de dinheiro para museus e espaços de arte, educação, história, hoje bancarem os defensores da cultura (de parte dela, no caso). Esse assunto vai se manter em alta até o segundo turno das eleições e depois será esquecido, assim como foi esquecido a tragédia de Mariana (MG), assim como já esqueceram a morte de Marielle Franco. É só onda….[:]

Facebook faz sua primeira ação de impacto contra Fake News. Vai dar certo?

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O primeiro grande ato do Facebook contras as fake news no Brasil foi registrado nesta quarta-feira (25). De acordo com a Reuters, 196 páginas e 87 contas ligadas ao grupo de extrema-direita MBL foram retiradas do ar. Motivo: as páginas e contas faziam parte de uma rede de difusão de fake news no país.

A notícia é comemorada nos meios de imprensa, como o primeiro grato ato contra as fake news no país. A página do MBL continua no ar, porém, sem o suporte que ajudava a impulsionar as notícias que propagava. Mas afinal, é o início de uma verdadeira guerra contra as fake news ou uma mera propaganda da Mark Zuckerberg para mostrar a sociedade que está preocupado com o fato?

Neste ano tivemos o escândalo da Cambrigde Analytica, empresa que utilizava o Facebook para difusão de fake news a favor de um candidato. Seus métodos são apontados como co-responsáveis pelas vitórias de Donald Trump nos Estados Unidos e do Brexit na Inglaterra. Zuckerberg foi ao banco dos réus na sociedade mundial, acusado de cúmplice da manipulação de informações e prometeu reagir. No Brasil, já havia anunciado uma parceria com duas agência de Fact-Checking para mapear as páginas suspeitas.

A reação

A reação do MBL era esperada. O grupo acusou o Facebook de censura e prometeu lutar para reverter a ação ocorrida. Em uma live gravada pouco depois da notícia da Reuters ter se espalhado, os representantes do movimento fizeram campanha contra a rede social, pediram aos seguidores para acompanhar pelo YouTube e Whatsapp, numa espécie de boicote ao Facebook. Detalhe: o Whatsapp também pertence a Zuckerberg e a live foi gravada dentro do Facebook. Não há nenhuma menção de possibilidade de deixar a rede social que eles acusam estar “vendida para o outro lado”.

Não é a primeira vez que o MBL ataca o Facebook. Quando a notícia da parceria da rede social com as agências de Fact-Checking foi anunciada, o grupo também atacou, colocando em dúvida a credibilidade dessas agências. O discurso é semelhante ao feito pro páginas de esquerda como o Brasil 247, que também questionou a credibilidade após uma notícia sua ser classificada como fake.

O chamado Argumentum ad hominem, quando a crítica é feita ao autor do argumento e não ao conteúdo apresentado, é recorrente na internet.

Os próximos capítulos

Nas próximas semanas, quando a eleição começar, a atitude do Facebook será muito questionada. A cada informação falsa publicada por uma página, o MBL dirá “porque essa página não foi censurada e nós fomos?”. Grupos ligados aos candidatos a presidente se acusarão mutuamente de propaganda notícias falsas, exigindo uma providência do Facebook. A rede social diz estar preparada para isso.

O fato de o ano de 2016 ser marcado pelas fake news e pela pós-verdade, 2018 poderá ser no Brasil o ano de combate as notícias falsas. O ano em que começou-se a agir contra essa e outras pragas das redes sociais. Se vai dar certo só o tempo dirá.

O papel da imprensa

Em tese, a imprensa comemora o fechamento de difusores de fake news. Além de espalhar notícias falsas, essas páginas costumam atacar diretamente os meios tradicionais de imprensa, acusando-os de fazer aquilo que eles fazem.

É fato que a imprensa perdeu credibilidade com o avanço da internet. É fato também que a imprensa tem boa parte da culpa nessa história. O cerco das páginas de fake news pode ser uma oportunidade para que muitos meios de comunicação se reestabeleçam como portos seguros de informação.  O desafio do jornalismo é marcar posição, se diferenciar e com audiência. Clickbait, a corrida desenfreada por “quem dá a notícia antes”, fenômenos comuns na internet, não ajudam nesse caso.

 [:en]The first act of Facebook against fake news in Brazil was registered on Wednesday (25). The Reuters says: 196 pages and 87 accounts linked to the alt-right MBL group were taken off the air. Reason: Pages and accounts were part of a fake news broadcast network in the country.

The news is celebrated in the media as the first grateful act against the fake news in the country. The MBL page remains in the air, however, without the support that helped propel the news it was spreading. But after all, is it the beginning of a real war against fake news or a mere propaganda by Mark Zuckerberg to show the society that is concerned about the fact?

This year we had the scandal of Cambrigde Analytica, a company that used Facebook to broadcast fake news in favor of a candidate. His methods are singled out as co-responsible for Donald Trump’s victories in the United States and Brexit’s in England. Zuckerberg went to the dock in world society, accused of accomplice in the manipulation of information and promised to react. In Brazil, it had already announced a partnership with two Fact-Checking agency to map suspicious pages.

The reaction

The MBL reaction was expected. The group accused Facebook of censorship and vowed to fight to reverse the action. In a live tapped shortly after the Reuters news spread, representatives of the movement campaigned against the social network, urged followers to follow YouTube and Whatsapp, in a kind of boycott of Facebook. Detail: Whatsapp also belongs to Zuckerberg and the live was recorded inside Facebook. There is no mention of possibility of leaving the social network that they accuse is being “sold to the other side”.

This is not the first time MBL has attacked Facebook. When news of the social networking partnership with Fact-Checking agencies was announced, the group also attacked, casting doubt on the credibility of those agencies. The speech is similar to that made for left-wing pages like Brazil 247, which also questioned credibility after news of it being classified as fake.

The so-called Argumentum ad hominem, when the criticism is made to the author of the argument and not to the content presented, is recurrent on the internet.

The next chapters

In the coming weeks, when the election begins, Facebook’s attitude will be much questioned. For every false information published by a page, the MBL will say “why was that page not censored and we went?”. Groups linked to the presidential candidates will mutually accuse each other of fake news propaganda, demanding a provision from Facebook. The social network says it’s ready for that.

The fact that the year 2016 is marked by fake news and post-truth, 2018 may be in Brazil the year of fighting the false news. The year that began to act against this and other plagues of social networks. If it will work, only time will tell.

The role of the press

In theory, the press celebrates the closure of fake news broadcasters. In addition to spreading false news, these pages often attack the traditional media directly, accusing them of doing what they do.

It is a fact that the press has lost credibility with the advancement of the internet. It is also true that the press has much of the blame in this story. The siege of the fake news pages may be an opportunity for many media to re-establish themselves as secure information ports. The challenge of journalism is to set a position, to differentiate and with audience. Clickbait, the rampant race for “who gives the news before”, phenomena common in the internet, do not help in this case.[:]

As mentiras sobre Marielle e a pós-verdade

[:br]Continua a repercutir as notícias falsas a respeito da história da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL). A mídia não apenas desmente as informações que circulam na internet, como problematiza a questão das “fake news”. Espalhar notícias falsas não é novidade na internet, nem na comunicação como um todo e no caso de uma execução de uma liderança política, o problema não é apenas o emissor das mensagens falsas mas também o receptor. É um problema muito mais de “pós-verdade” do que “fake news”.

Utilizado pela primeira vez na década de 90, pós-verdade foi escolhida a palavra do ano em 2016 pelo Dicionário Oxford. Segundo a universidade inglesa, pós-verdade é um substantivo utilizado em situações em que os fatos objetivos não menos importantes na opinião pública que questões emocionais e opiniões pessoais.

Os casos mais famosos envolvendo notícias falsas no mundo atualmente envolvem política: a eleição de Donald Trump e a votação da saída da Inglaterra da União Europeia (Brexit). Sabe-se da participação de empresas na divulgação de notícias falsas e o Facebook está no bancos dos réus acusado de omissão no uso da rede social para difusão dos boatos. Mas a relativização da verdade a partir de opiniões já estabelecidas é peça central da discussão. Em disputas políticas polarizadas como na eleição americana ou no Brasil atual, as pessoas estão cada vez mais militantes e dão credibilidade apenas as notícias que já confirmem sua visão de mundo.

O psicólogo inglês Peter Wason criou o termo viés da confirmação em 1960 para explicar o fenômeno quando uma pessoa, já dotada de uma crença, busca exemplos e fatos apenas para confirmar a sua visão. A busca pelas notícias já será parcial e direcionada para evitar o contraditório.

O viés da confirmação somada as bolhas que as redes sociais na internet criaram resultou neste cenário de pós-verdade que vemos hoje. A vereadora Marielle Franco estava em um dos polos da briga política do país: filiada ao PSOL, defensora dos direitos humanos, crítica das atuações da polícia militar e da intervenção feita pelo governo federal no Rio de Janeiro. Quem está no outro polo, na direita, a favor do militarismo e crítico das entidades defensoras dos direitos humanos, já partia de um pré-conceito contra a vereadora. Qualquer informação que fosse compartilhada contra ela ganha credibilidade para este cidadão. Numa rede social onde está habituado a conviver “entre os seus”, a tendência é que qualquer notícia contra Marielle se espalhe rapidamente.

Este fenômeno não é observado apenas no espectro da direita política brasileira. A esquerda também possui suas bolhas, onde qualquer informação contra lideranças “do outro lado” ganham credibilidade independente da fonte. Tanto direita quanto esquerda possuem páginas na internet para espalhar essas informações, em sua maioria páginas sem autoria, mas já há veículos e jornalistas dispostos a apresentar o nome para informar esses grupos, sem interesse no contraditório e na checagem dos fatos.

É grave o fato de duas das principais notícias falsas contra Marielle terem partidos de um deputado federal e uma desembargadora. São pessoas com cargos públicos que agiram de forma irresponsável. No entanto, as notícias falsas teriam a mesma repercussão se fossem espalhadas por sites apócrifos. Há um público que deseja essas informações para confirmar suas crenças e se há demanda, haverá alguém para atender.

Como combater?

É óbvio que o deputado e a desembargadora precisam se explicar sobre espalhar notícias falsas. É óbvio que precisamos de uma legislação mais rigorosa com quem produz notícias falsas, é preciso combater e fechar os sites apócrifos pois a liberdade de expressão prevista na Constituição Federal veda o anonimato. Mas isso não impedirá as notícias falsas de se espalharem nas redes sociais, não impedirá sua tia de compartilhar um absurdo no grupo de família. Neste caso, o problema está na recepção.

Pensamento crítico, ensinar as pessoas a questionar as informações que chegam até elas e, principalmente, apresentar os métodos de pesquisa, como ter um raciocínio crítico. Isso tudo deveria fazer parte da educação dos cidadãos. Acabar com a polaridade insana da política brasileira também é um caminho, porém mais difícil. Por onde começar?[:]

Estadão e Brasil 247: partidarismo a desserviço do jornalismo

[:br]A imprensa brasileira deu dois exemplos nesta quinta-feira (23) de como o partidarismo político atrapalha o jornalismo. O Estadão, um dos maiores jornais brasileiros e o Brasil 247, veículo da “imprensa alternativa” com uma das maiores audiências na web trouxeram dois casos do que não deve ser feito no jornalismo.

Começamos pelo Estadão, que circulou nesta quinta com essa manchete:

A manchete do Estadão induz o leitor ao erro. A pesquisa não trata de potencial de voto e sim da aprovação pessoal dos atos feitos por pessoas públicas cotadas para a disputa presidencial em 2018.

A matéria dá a entender que Huck possa ser um dos preferidos nas intenções de voto, só que a pesquisa se quer tratou disso. Um desliza vindo de um jornal abertamente anti-Lula e que defende um candidato que tenha chances de bater o ex-presidente, líder em todas as pesquisas de intenção de voto.

O Brasil 247, portal de noticias “alternativo” e abertamente favorável a candidatura de Lula em 2018, começou o dia criticando o Estadão por sua manchete, chamando-a de “fake news”. Mas no fim do dia, colocou essa manchete:

A manchete do Brasil 247 foi em cima de um tuíte do jornalista Gilberto Dimmenstein, que se encontra no mesmo campo político do site. Na verdade, foi apenas um retuíte com provocações ao Estadão. Não há contraponto, não há se quer uma entrevista com Dimmenstein para perguntar como ele conseguiu essa informação.

O Brasil 247 chamou a capa do Estadão de “fake news”, mas deu credibilidade a ela ao buscar uma manchete que “tirasse Luciano Huck da disputa”.  A matéria do site não pode nem ser chamada de jornalismo mal feito ou mal intencionado, porque não dá para chamar de jornalismo.

No mundo inteiro, jornais e portais de notícias deixam claram suas posições editoriais, de direita, de esquerda, de centro. Mas é no Brasil que a imprensa aceita fazer o serviço sujo para os partidos, ao invés de cobrar coerência desses.[:]