Blog do Giovanni Ramos

Webjornalista. Produção de blogs e gerenciamento de conteúdo

Crônicas

Textos que por alguma razão não puderam ir para o Portal Controversas

Salve salve amigos assessores de imprensa! Vocês sabem quantos e-mails por dia chegam na caixa de e-mail da empresa onde trabalho? Mais de 200! E vocês sabem quantos desses eu leio? Nem a metade!

Uma observação a respeito dos e-mails que um jornalista de redação recebe por dia foi feita pelo jornalista Pedro Machado, editor do Noticenter. O comentário dele no twitter gerou uma reflexão deste blogueiro: devemos levar a sério os assessores que se limitam a enviar relases por e-mail?

Na caixa de e-mail recebo releases de asssesorias que prestam serviço para empresas cuja abrangência é o interior de São Paulo. Por que diabos, eu deveria receber um e-mail desse? O assessor acha mesmo que um jornal do interior de Santa Catarina vai divulgar o assunto? Ou trata-se de um preguiçoso que comprou um mailing nacional, sem olhar direito?

O pior de tudo são aqueles releases que pedem confirmação automática de resposta. Você não consegue deletar ele na hora. Aparece uma maldita mensagem do programa (Outolook, Live Mail, Thunderbird) perguntando se você quer enviar um e-mail confirmando recebimento. Não, eu não quero mandar. Eu não quero saber!

Fico pensando: o assessor avisa o assessorado: “este assunto foi enviado para mais de 10 mil jornalistas em todo o país. Seis mil já lerem o release”. Como se isso funcionasse para alguma coisa.

No meio de tantos e-mails, informações do interior de São Paulo, do vereador de Minas Gerais, e dos tradicionais spams (elarge your pennis, você está sendo traído, entre outros), estão as mensagens que realmente me interessam. Notícias locais, pedidos de informação, respostas de e-mails que eu mandei…

Portanto, ALÔ ASSESSORES DE IMPRENSA – NÃO SE LIMITEM A MANDAR E-MAILS. O trabalho de vocês é facilitar a comunicação do assessorado com a imprensa. Quando um repórter liga precisando de uma informação, você não deve responder “Não sei, não posso fazer nada”.

——

PS. Não estou falando de vocês, bons assessores de imprensa. E sim daqueles pitocos que acham que o seu trabalho é só escrever textos básicos e clicar “Send”. Como todos sabem, há muitos desses no mercado…

Caro internauta,

Você acha que o mundo tem que acabar mesmo em 2012? Que a humanidade não presta e que o sucesso de bandas como Restart são sinais que a civilização precisa ser desligada e ligada novamente? Para você, a #horadoplaneta seria um sucesso de as pessoas cometessem genocídios? Vá ouvir MATANZA, então!

A banda de hardcore carioca lançou seu quinto álbum, quarto com músicas próprias este ano, intitulado Odiosa Natureza Humana. A temática é apocalíptica: as pessoas não prestam e tem que acabar tudo. A música que dá o nome ao álbum começa assim:

E todo mundo fosse embora, e só eu ficasse aqui, Eu teria nessa hora, mm bom motivo pra sorrir
Se tudo desaparecesse, e nao ficasse mais ninguém, somente num dia desses, Eu passaria muito bem

E continua..

Sonho que eu tenho por noites seguidas, do mundo acabando num belo dia
Sem choro nem despedida, mesmo porque ninguém se conhecia

A geração Restart e a febre do Sertanejo Universitário resultaram em músicas como a do Matanza. A banda de Jimmy London toca as trombetas e anuncia o que virá…

Eles estão chegando...

Ei, você, que curte hip hop. Você, que gosta de ir em baladas de black music. Você se fudeu, mano! Sua casa noturna será fechada e vai dar lugar para um tal de Boteco Marechal, que pretende investir nele…o cavaleiro do apocalipse mais perigoso de todos, o Sertanejo Universitário.

Há alguns anos, o Observatório fechou para dar lugar a uma casa de música eletrônica. Mas que no fim, tornou-se uma balada de sertanejo. A turma do rock reclamou, esperneou, fez até uma campanha na internet “Quero o meu Obs de volta”. Não deu certo. Agora é a vez da turminha do hip hop passar pelo mesmo sofrimento.

Os quatro cavaleiros do apocalispe são Axé (peste), Pagode (fome), Funk (guerra) e Sertanejo Universitário (morte). O último deles é o mais cruel. Ele enterrou a casa de rock e agora vai enterrar a casa de hip hop. Te cuida, Carambas, reduto eletrônico na região. Tu podes ser o próximo alvo.

2012 se aproxima e a profecia Maia (não do César Maia) vai tomando forma. Acredita-se que no próximo ano, o Corinthians será campeão da libertadores, o DEM vai apoiar o governo do PT e o Ahoy Blumenau vai se transformar em balada sertaneja.

Fujam de suas casas. Tirem as crianças da sala (principalmente da frente da TV passando Globo). O mundo está acabando e do jeito que a coisa vai, nem vai chegar a dezembro de 2012…

O que é tchê music? Vamos a wikipedia:

Tchê music ou chê music é uma variação da música gaúcha tradicional, que incorpora desde elementos de música baiana, do choro, do pagode, do samba, do baião, aos ritmos musicais mais comuns do Rio Grande do Sul, como o chamamé, vaneira e xote e principalmente do Maxixe.
Este estilo musical é considerado moderno para os cultores da tradição gaúcha. Na Tchê Music foram incorporados equipamentos de som que modernizariam a música campeira, como percussão, bateria, guitarra elétrica e DJs.

As tradições gaúchas distorcidas no alvo. Foto: Wikipedia


Resumindo: a tchê music é uma espécie de sertanejo universitário gaúcho. Um som de raiz piorado para agradar os jovens sem gosto musical. Este blogueiro, arauto da controvérsia e profeta do apocalipse anuncia: a tchê music pode ser a praga que vai substituir o sertanejo universitário, aproximando a civilização do fim do mundo.

Sexta-feira, 4 de fevereiro: este post é escrito no momento em que jovens blumenauenses se dirigem a Expresso para a festa comandada pelo grupo Tchê Garotos. Pela primeira vez, a tchê music chega a cidade pela porta da frente (sem ser pelos tradicionais CTGs).

Há uns anos atrás, o antigo Observatório anunciava um “Baile Country Universitário”. Era a primeira vez que o estilo musical tocava na cidade sem ser no Recanto Sertanejo, Caminho da Roça ou boate semelhante. Aquela pequena e indefesa festa no Obs anunciava a epidemia musical que devastou 90% das opções noturnas de Santa Catarina.

Toda modinha, toda praga acaba. O estilo musical insuportável sai de cena e volta aos seus refúgios tradicionais. Eis o medo: a tchê music pode ser o substituto do sertanejo universitário, e a indefesa festa desta sexta na Expresso pode ser um sinal…

Espero estar completamente enganado…

A família vai sair junta neste final de semana. Papai, mamãe e filhos pequenos. A atração de lazer vai começar cedo. A mãe acorda às 6h30min, levanta da cama e prepara o café. Enquanto a cafeteira faz o serviço, ela vai ao quarto do filho e depois da filha para chamá-lo. Hoje a família vai passear.

Enquanto as crianças se arrumam, o pai se levanta da cama. Vai até o seu banheiro, faz as suas necessidades, lava as mãos e troca de roupa. A família toda se reúne na mesa da cozinha. O café está pronto e o pão está servido. É pão pullmann comprado no dia anterior. Hoje vai ter misto-quente.

Antes de tomar o café, o pai vai até a caixa de correios na entrada da casa e busca o jornal. De volta a mesa da cozinha, folheia o diário. Confere a capa, as manchetes de esporte e vai na sua editoria favorita: o caderno de ofertas do supermercado.

- Hummm, hoje a alcatra está barata – diz o marido a esposa.
- Mas não vamos comprar muito hoje. Já fizemos a compra do mês – responde a mulher.

Após o café, as crianças vão para garagem. A mãe retira os pratos da mesa e coloca na pia. O pai pega a carteira, a chave do carro e começa a fechar a casa. A família deixa a residência dentro de um Pálio, ano 99. Destino: o novo supermercado da cidade.

A rua do novo supermercado, inaugurado dois dias antes, está com engarrafamento. O pai, paciente, liga o rádio para distrair as crianças. A família fica 20 minutos presa no trânsito, mas consegue chegar ao local.

Dentro do estacionamento, uma nova novela. O pai não encontra vagas para deixar o carro. Percorre todo o espaço até achar um vaga em um canto, após a saída de outro veículo. Problema resolvido. A hora é de conhecer o novo point da cidade.

O mercado está cheio. Muito cheio. Os corredores estão apertados e dirigir o carrinho de compras requer carteira de habilitação. Mesmo assim, acidentes ocorrem. Os pais conferem os preços da cesta básica e admiram o novo espaço, as crianças entram na fila dos aperitivos gratuitos e suplicam pela compra de doces e bolachas na promoção.

Depois de 40 minutos andando pelo supermercado, o carrinho de compras da família está praticamente vazio. As compras não enchem duas sacolas. Mesmo assim, os pais decidem enfrentar os caixas.

A hora do pagamento é surpreendentemente tranquila. Mesmo com todo o movimento nos corredores de prateleiras, os caixas estão vazios. A maiorias dos visitantes deixam o supermercado sem efetuar uma compra. Melhor para a família, que não pega filas.

Carregando apenas duas sacolas em meio a multidão, a família deixa o novo supermercado feliz. Mesmo com tantos problemas para entrar no local, valeu a pena vir. Sorridente, a mãe pergunta ao filho:

- Gostou do passeio?
- Quando vamos de novo? – responde a criança.

Completei seis meses de trabalho no jornal O Correio do Povo, em Jaraguá do Sul. Lembro inclusive, da primeira vez que estive na cidade, no começo de 2008, para um concurso. Escrevi uma crônica em diálogos, que reproduzo novamente abaixo.

Domingo, meio dia e meia. Após tomar banho e almoçar com a família fui esperar a minha carona para Jaraguá do Sul. O concurso público da Prefeitura, onde eram ofertadas duas vagas para jornalistas, começava às 15h. Saímos em dois carros (um Fusca e um Ká) às 13h de Blumenau. Chegando em Jaraguá…

LU: Tá Gio, onde está a ponte?
GIO: Era para estar por aqui, mas não está não, vamos para este lado.
GIO: Não este lado, para o outro.
ANDRÉ: Por onde é?
ANDERSON: O Tio, como nós chegamos na Unerj?
TIO DO POSTO: Entra a esquerda, depois a direita, e depois de três ruas de novo à esquerda…
LU: Tá, o que diz o mapa?
GIO: Não diz mais nada, mudamos o percurso, o único mapa agora é do tiozinho do posto.
ANDERSON: Ei, vocês sabem como chegar na Unerj?
MOTOQUEIROS: Nós estamos indo para lá, também fazer o concurso
GIO: Gracias
GIO: Tá, é só fazer a rótula e já estaremos na 280, daí é fácil
GIO: Putaqueopariu, que fila do inferno!
LU: Que horas são?
GIO: 14h40min
LU: Que horas são:
GIO: 14h45min
LU: Não vamos chegar a tempo
GIO: Ninguém vai assim, o engarrafamento é todo por causa do concurso, a galera está indo a pé. Vamos deixar o carro no acostamento e vamos.

Três geógrafos e um jornalista se juntaram a um grupo de malucos sedentos pelo concurso. Faltava muito para chegar, mas corri como um louco até o campus na Unerj. Não lembro de correr tanto e não sentia cansaço, tinha forças para chegar. Entrei na sala exatamente às 14h59min, e a comissão organizadora aceitou inscritos até 15h20min. Depois da prova…
GIO: Vamos por Pomerode ou Massaranduba?
LU: Vamos por Massaranduba
GIO: Blumenau e Pomerode à esquerda
LU: Vamos por Pomerode, então
GIO: Blumenau à esquerda, Pomerode deve ser reto
GIO: Vamos por Massaranduba, agora?
LU: Ei, como faço para ir para Pomerode?
JARAGUARENSE: Pega a esquerda?
GIO: Nós não íamos por Massaranduba?
LU: Não, por Pomerode
LU: Ei, voltamos para esta rua, o cara explicou errado.
GIO: Ele explicou certo, para Blumenau é uma coisa, para Pomerode é outra, entendeu?GIO: Entrasse de novo à esquerda? Por Massaranduba de novo?
LU: Não, por Pomerode
GIO: Então estamos no lugar errado.
LU: Olha ali, para Pomerode
GIO: Vamos voltar, de novo?
LU: Voltamos para cá DE NOVO!!!
GIO: Claro! Quando a placa diz Blumenau ela quer dizer VIA MASSARANBUDA, SC-474, que é por um lado da cidade. Ir para Pomerode é OUTRO TRAJETO, bem diferente. Estamos dando balões porque mudamos nossa rota a cada placa, ENTENDEU?
LU: Vamos por Pomerode
GIO: ENTÃO NÃO ENTRA A ESQUERDA AQUI PORRA! VAI RETO!!
LU: Agora sim
GIO: Claro que agora sim
LU: Estás bravo comigo ainda?
GIO: Bravo??
em Pomerode
LU: Eu via a Denisse andando de bicicleta!
GIO: Tem certeza?
LU: Sim era ela
GIO: Se é, vamos parar então
GIO: Espere aí, a Denisse não sabe andar de bicicleta, PODE IR QUE NÃO É ELA COM CERTEZA!

em Blumenau
GIO: Está acabando a gasolina
LU: Vamos parar num posto
GIO: Aqui no Testo Salto? Vai estar tudo fechado
LU: Então, onde?
GIO: Tem um posto na Itoupavazinha, se não precisar empurrar o carro na subida da Cristiano Karsten, está tudo beleza!!!
GIO: Ó o posto ali, empurrar jamais!

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