#9 – A centro-esquerda brasileira está perdida desde 2013. A centro-direita, pelo jeito, também

MUITO ALÉM DE BOLSONARO

Resumir as eleições brasileira de 2018 na provável vitória de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) é simplificar demais toda a complexidade da política brasileira. É ser ingênuo ou agir de má fé. O terremoto conservador nas eleições vai muito além da disputa presidencial. É um movimento que começou a nascer nas redes sociais da segunda metade da década passada, que passou do virtual ao real em 2013. Desde esta data a centro-esquerda brasileira está perdida. E pelos resultados dessas eleições, a centro-direita também.

ESGOTAMENTO E RENOVAÇÃO

Os sinais de esgotamento e desejo por renovação começaram em 2013 nos insanos protestos que começaram com o preço de uma passagem, mas que despertaram a revolta geral da população. A eleição da “turma de sempre” em 2014 mascarou um pouco, mas os sinais ficaram claros com a eleição de políticos como Marcelo Crivella (PRB), João Dória (PSDB) e Alexandre Kalil (PHS) nas prefeituras do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizoente. Nomes que sempre estiveram na política, mas nunca como protagonistas. Nomes populares fora do segmento político.

A centro-esquerda não percebeu isso. A centro-direita, pelo jeito, também não. Foram poucos os nomes de renovação partindo dessas siglas em 2018. Quem inovou? PSOL, Novo e PSL. O último, puxado por um político popular, teve o melhor resultado: 52 deputados federais eleitos. Mas as movimentações de PSOL e Novo precisam ser vistas de perto.

PARADOS NO TEMPO

Partidos como o PSDB não conseguiram produzir novas lideranças. João Dória, prefeito de São Paulo, não representa o partido, de fato. Talvez Eduardo Leite, ex-prefeito de Pelotas (RS) e provável novo governador do Rio Grande do Sul seja um nome desses. Em Santa Catarina, o partido tinha o nome de Napoleão Bernardes, ex-prefeito de Blumenau, de 36 anos, com chances reais de se eleger senador em uma disputa cheia de velhos e cansados nomes. Mas a sigla preferiu colocá-lo como vice de Mauro Mariani (MDB) que nem ao segundo turno foi. Queimou uma ficha

O PT conseguiu se sair melhor que o PSDB graças ao desempenho extraordinário no Nordeste. Rui Costa e Jacques Wagner na Bahia, Welligton Dias no Piauí e Camilo Santana no Ceará apontam o partido para uma nova direção. Wagner, aliás, mostrou como se faz. Seu escolhido para sucessão em 2014, Rui Costa, ganhou tão fácil na reeleição esse ano que se tornou um nome fortíssimo do país em nível nacional. A sigla se renova no Nordeste e se enfraquece no Sul/Sudeste. Por que? Porque apostou nas velhas caras de sempre.

VIZINHOS NA PERIFERIA

A eminente derrota de Fernando Haddad (PT) no segundo turno deve ser observada pelos votos na periferia. A centro-esquerda perdeu a hegemonia que tinha. Antes, o PT enfrentava os tucanos, que simplesmente não sabiam como conversar com essas comunidades. Sem adversários, o petismo se garantiu com bons resultados em Minas Gerais e Rio de Janeiro. Mas não soube cuida direito desse eleitorado urbano, de classe social mais baixa. A extrema-direita entrou em guetos que os tucanos jamais conseguiram entrar. Como? Usando a questão da segurança/violência e com o impulso de igrejas evangélicas neopentecostais. A vitória do bispo da Igreja Universal Marcelo Crivella (PRB) contra Marcelo Freixo (PSOL) no Rio de Janeiro era um alerta.

E A ECONOMIA, ESTÚPIDO?

Brincando com a famosa frase de James Carville, estrategista de Bill Clinton nas eleições americanas de 1992, eu pergunto: cadê a economia no segundo turno das eleições, PT? No primeiro turno, todos os candidatos atacaram Bolsonaro por questões morais/democráticas. O eleitorado dele ignorou e ele só cresceu nas pesquisas. Desde o início do ano vários especialistas falam que a melhor forma de atacar o candidato do PSL é falando em economia, pois quando o assunto é questões morais, as frases prontas dele surtem efeito positivo. O jornalista Reinaldo Azevedo (RedeTV/Folha/Band News FM) mostrou o caminho em agosto, quando perguntou a Bolsonaro sobre déficit público em um debate. Mas o PT praticamente não aproveitou isso. Falar que não tem projetos é insuficiente, era preciso puxar todo o segundo turno para a questão econômica.

O movimento #EleNão foi importante, interessante, mas jamais poderia ter sido o foco das candidaturas adversárias de Bolsonaro. O foco tinha que ser economia, enquanto a sociedade civil (no caso, as mulheres) desconstruiam o candidato pela questão democrática. Mas como diz o título desta coluna, a centro-esquerda e a centro-direita estão perdidas desde 2013.

Protesto das mulheres contra Bolsonaro. Ação importante, mas os partidos não poderiam ter ficado só nisso

O FUTURO

Uma análise pós-eleitoral já está sendo preparada, já considerando a vitória de Bolsonaro. O que pode ser o governo do PSL, como PT, PDT e PSB se comportarão de um lado e como PSDB se comportará do outro estarão na pauta.

#8 Haddad x Bolsonaro em outro patamar

IBOPE

A pesquisa Ibope do dia 24 de setembro vai ser muito festejada pelo PT. Não apenas pelos resultados imediatos, que confirmam a ascensão de Fernando Haddad e a parada de Jair Bolsonaro e Ciro Gomes. Os dados do segundo turno são as armas do petismo agora e a rejeição é o ponto mais importante para Bolsonaro refletir. O Ibope colocou a briga dos dois em outro patamar e uma terceira via está cada vez mais difícil…

SEGUNDO TURNO

Pela primeira vez, Haddad apareceu na frente em uma simulação de segundo turno contra Bolsonaro fora da margem de erro. Na sexta-feira, o DataPoder 360 já apontava o crescimento do petista, que venceria o candidato do PSL por 43 a 40. Mas ainda era um empate técnico dentro da margem de erro. Agora não, 43% a 37%, seis pontos, é o que o PT precisava para derrubar a tese do voto útil para Ciro. A vantagem de PDT para Bolsonaro continua maior, 13 pontos. Mas o crescimento de Haddad mostra que ele pode sim vencer a eleição no segundo turno, que a rejeição ao PT já não é a mesma de 2016. “Votar Haddad é eleger Bolsonaro” não se sustenta mais.

REJEIÇÃO

A curva do petista é ótima em todos os sentidos. Subiu em todas as regiões do país, assusta menos o mercado que Lula e sua rejeição oscilou de 29% para 30%, muito abaixo dos 46% de Bolsonaro, que viu sua rejeição crescer quatro pontos percentuais. Aliás, esse é o ponto mais importante para o PSL hoje. A oportunidade de criar um BolsoLight após o atentado foi jogada fora. O discurso radical misógino e homofóbico dos seus militantes (canções contra mulheres em Recife, gritos de “Bolsonaro vai matar viado” em Belo Horizente) tudo isso ajudou a queimar ainda mais a imagem do candidato.

MUDANÇA

Ou Bolsonaro muda radicalmente a campanha, acena para o eleitorado feminino que faz campanha contra si, busca uma conciliação e, PRINCIPALMENTE, tenta por um freio nos seus militantes, ou Bolsonaro corre até um risco (embora muuuuito pequeno) de ver seus votos voltarem para o PSDB de Geraldo Alckmin ainda no primeiro turno. A reação dos militantes do PSL na internet depois da pesquisa mostram que eles não entenderam nada do que está acontecendo: mais ataques a possíveis eleitores no segundo turno.

MAIS GESTOS

Se Haddad cresceu e suas chances de vitória passaram a ser reais nas últimas pesquisas, dá-se não apenas pelo lulismo, mas também pelo perfil moderado de Haddad. Duvida? Ele melhorou sua votação no Sul, onde Lula possui uma rejeição gigantesca. Haddad também fez acenos ao mercado, afastando os economistas mais radicais e deixando o boato que o economista ortodoxo Marcos Lisboa pode ser seu ministro da Fazenda. Assim como Bolsonaro ainda tem tempo e espaço para acenar ao outro lado, Haddad também pode fazer isso: o perfil pessoal dele lembra mais o FHC que de Lula. Haddad é o mais tucano dos petistas. Explorar o nome de Lula alavanca votos no Nordeste e na população mais pobre, investir no nome de Haddad pode ajudá-lo no segundo turno contra Bolsonaro.

“Haddad é o mais tucano dos petistas”

ÚLTIMAS CARTADAS

Buscar o eleitor antipetista, mas não maluco radical, que não quer Haddad no poder e que perdeu a paciência com Bolsonaro deve ser a última cartada tanto de Geraldo Alckmin (PSDB) como de Ciro Gomes (PDT). Esse eleitorado é de centro e centro-direita e rejeita os dois líderes das pesquisas. Quem conseguir capitalizar melhor esses votos pode chegar na semana final sonhando em ser a terceira via. Em favor de Ciro, ter uma militância organizada na internet. Em favor de Geraldo, o apoio da mídia tradicional.

SANTA CATARINA

Nem Mauro Mariani (MDB), nem Gelson Merísio (PSD), nem Décio Lima (PT). Quem lidera as eleições para governador em Santa Catarina são os votos brancos/nulos e eleitores indecisos: 35%. A menos de duas semanas das eleições, temos uma disputa aberta, improvável e muito difícil de arriscar quem estará no segundo turno (e se vai haver segundo turno, mesmo). Mariani e Merísio possuem estrutura, mas são nome muito pouco estadualizados. Décio é estadualizado, mas não possui estrutura. A disputa ao governo catarinense ficou em segundo plano para os eleitores.

 

#7 Extremos? Não! Uma disputa de rejeições, talvez

FOTO: José Cruz/Agência Brasil

POLARIZANDO

A pesquisa Ibope divulgada terça-feira (18) pela Rede Globo só confirma o que outras pesquisas já apontavam: Fernando Haddad (PT) disparou e começou uma polarização direta com Jair Bolsonaro (PSL). A tendência no momento é que ambos vão ao segundo turno, que deve ser muito disputado. Mas este é o cenário do momento, as coisas ainda podem mudar.

SUBINDO

A subida de 11 pontos percentuais em uma semana mostra que a transferência de votos de Lula para Haddad começou a acontecer. E se lembramos que o ex-presidente tinha 38% no último Ibope e 39% no último Datafolha, podemos afirmar que a tendência é que o ex-prefeito de São Paulo continue subindo.

TAMBÉM VAI SUBIR

O crescimento do candidato do PT pode ajudar Bolsonaro a se consolidar. Ele vai apostar no antipetismo para conseguir alguns votos hoje com Alckmin, Dias e Amoedo. Bolsonaristas falam em vitória no primeiro, mas vale lembrar que nem voto voto tucano é voto para ele. Do outro lado, o PT também tentará roubar votos de Ciro e Marina com o discurso antibolsonaro. O que deve acontecer? Ambos subirão, mas n devem bater os 50% no primeiro turno.

EXTREMOS

O segundo turno entre Haddad e Bolsonaro não será um segundo turno de extremos. Isso porque o candidato do PT é, talvez, um dos mais moderados do seu partido (que já é bem moderado). Será um segundo turno se rejeições, grupos anti que se espalham na internet. Por isso, será um segundo turno insuportável, com brigas, discussões intermináveis, etc.

CENTRÃO

O Centrão deve eleger, como sempre, um espaço gigante no Congresso Nacional para 2019. Mas o desempenho de Geraldo Alckmin (PSDB) é uma derrota para esses partidos. O latifúndio no tempo de TV não serviu para nada até agora. Confirmando, a tese de que os candidatos precisam do Centrão para ganhar as eleições cai por terra. Os principais partidos começarão a pensar em si apenas, deixando a conversa com o Centrão para depois das eleições. E se lembrarmos que a partir de 2020 não haverão mais coligações proporcionais, o jogo político passará por grandes mudanças.

 VICE E ASSESSOR

De acordo com o UOL, Bolsonaro teve alta do Hospital, deve ficar no Rio de Janeiro e estuda participar do debate na Globo. O candidato do PSL precisa volta ao noticiário que não seja apenas a sua recuperação física para evitar que os aliados atrapalhem ainda mais a campanha. As entrevistas do General Mourão (PRTB) tem sido polêmicas (para não falar algo pior). Comentário preconceituoso sobre famílias de mães solteiras, comentários contra negros e índios. Além disso, o assessor econômico propôs a volta da CPMF e uma única faixa de imposto de renda.

HADDAD PAZ E AMOR

Este coluna disse em sua segunda edição que já havia uma aproximação do Mercado Financeiro com Haddad, antes memso de ele ser confirmado candidato do PT. Agora, o petista dá declarações concordando com uma reforma da previdência (não a do Temer, claro), com controle de gastos e sinalizando que o Ministério da Fazenda não será tocado por alguém muito heterodoxo. É praticamente uma “carta ao povo brasileiro” atualizada.

 

#6 – Um corte superficial no cenario eleitoral

FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

DATAFOLHA

A primeira pesquisa (de credibilidade) após o atentado contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL) mostrou que a facada atingiu muito mais o sistema digestivo do candidato que o processo eleitoral. A rápida reação dos adversários condenando o fato e as ações posteriores dos apoiadores do candidato do PSL fizeram com que o cenário pouco alterasse para o líder nas pesquisas: continua liderando, mas com rejeição alta e crescendo.

MARINE LE PEN

Bolsonaro dá sinais que pode ser a Marine Le Pen das eleições brasileiras. A candidata da Frente Nacional (a extrema direita francesa) liderou e assustou no primeiro turno na França em 2017, mas perdeu fácil para Emmaneuel Macron (En Marche!) no segundo devido a sua rejeição. Os atos da campanha do PSL apontam para isso: estão muito mais focados em consolidar seu eleitorado do que buscar novos.

EMMANUEL MACRON

Quando o atual presidente da França, Emmanuel Macron, venceu as eleições, muitos nomes no Brasil queriam ser o “Macron brasileiro”. Quem está mais próximo disso hoje é Ciro Gomes (PDT). Segundo lugar na pesquisa Datafolha, menor rejeição e vencendo todos os adversários no segundo turno, Gomes achou o caminho a ser explorado: postar-se como o candidato de Centro, o nem petista, nem tucano, o mais forte para bater Bolsonaro no segundo turno. A estratégia dele será buscar o voto útil na reta final do primeiro turno, talvez roubando votos de Alckmin e Marina.

O POSTE

Fernando Haddad será oficializado hoje, candidato a presidente pelo PT. Mas ainda antes da oficialização, o petista já comemora um crescimento de cinco pontos na pesquisa Datafolha, o que o coloca na cola de Alckmin e Ciro. Haddad possui muito espaço para crescer nas pesquisas, mas terá que ficar de olho com duas coisas: a rejeição sua, que crescerá por ser do PT e os ataques que virão pela mídia. O Jornal Nacional ontem já colocou o ex-ministro Antonio Palocci de volta em cena para atacar o ex-partido.

CAINDO PELAS TABELAS

Explorar o fato de ser a única mulher não ajudou muito Marina Silva. A candidata da Rede caiu cinco pontos na pesquisa, o pior momento para cair. Sem tempo de TV, sem militância aguerrida e sem estrutura partidária, vai ficar difícil reverter a tendência. A ideia de se posicionar como alguém ao Centro, no meio dos desgastados polos, não deu certo. Esse espaço foi ocupado por Ciro.

NÃO MORREU

A pesquisa não foi tão ruim para Geraldo Alckmin (PSDB) como muitos pensam. A alta rejeição e a derrota certa no segundo turno de Bolsonaro pode ser explorada pelo tucano, pois as pesquisas mostram que ele possui mais condições de vencer um candidato da esquerda que o ex-capitão. Se contarmos que Meirelles e Amoedo possuem 3% e que nem todos os 24% de Bolsonaro tão super fiéis, há espaço para o PSDB crescer. Mas para dar certo, precisará que PT e PDT se matem.

RICHA

Se a pesquisa não foi uma notícia ruim para Alckmin, a notícia da prisão de Beto Richa (PSDB) é. Apesar de ser um “peixe pequeno” dentro do ninho tucano, ele não tinha uma imagem tão desgastada como a de Aécio Neves. Isto é, vai respingar na campanha presidencial, sim.

 

#5 – Bolsonaro ficou mais vivo após a facada

IMPREVISÍVEL

Estamos diante de uma eleição imprevisível histórica. Um dia, a pesquisa Ibope aponta uma rejeição crescente para Bolsonaro, que perderia o segundo turno para qualquer adversário. Uma situação difícil de reverter, pois sua rejeição crescia justamente com o aumento da exposição do candidato. Eis que um imbecil maluco decidiu dar uma facada no candidato em um comício. Pronto: o candidato do PSL sobreviveu ao ataque e ganhou mais fôlego para a campanha, explico abaixo:

FATOR 1 – COMOÇÃO

A comoção por um candidato que sofre um atentado é inevitável. Lembramos da morte de Eduardo Campos (PSB) em 2014, que impulsionou Marina Silva. O candidato que tinha como problema justamente o fato de defender o ódio, a ditadura, a tortura, agora pode se posar de vítima. Ele fará isso, como qualquer candidato faria.

Morte de Campos gerou comoção, impulsionou Marina, mas não garantiu a eleição dela. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

FATOR 2 – BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSQUITO

Cada vez que Bolsonaro abria a boca para falar seus discursos tradicionais, ele alimentava mais a sua militância enquanto via sua rejeição aumentar. Claro: ou tu apoias incondicionalmente o que ele defende, ou tu repulsas toda a ideologia que ele traz. Agora, pós atentado, Bolsonaro estará na mídia, como vítima, e sem condições de aumentar a rejeição com suas ideias.

SEGUNDO TURNO

Dizer que Bolsonaro vai ganhar as eleições por causa do atentado é precipitado. Marina captou os votos da comoção da morte de Eduardo Campos em 2014, mas perdeu eles no mesmo mês, ficando em terceiro lugar. A primeira reação ao atentado deve ser a consolidação do seu atual eleitorado, o que praticamente o garante no segundo turno. Depois do dia 7 de outubro são outros quinhentos.

NOVAS ESTRATÉGIAS

Geraldo Alckmin (PSDB) tinha decidido atacar Bolsonaro por entender que os dois brigam por uma vaga no segundo turno (a outra é da centro-esquerda). Porém, vale a pena atacar um candidato que sofreu um atentado? Se os tucanos desistirem de entrar no segundo turno no lugar do PSL vão precisar atacar o PDT e a Rede. O jogo mudou…

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR

Quando o PT vai finalmente oficializar Haddad? Lançar agora é uma má ideia, pois as atenções estão voltadas para o PSL e o PT precisa de mídia para dizer que Haddad é o candidato de Lula. Mas se não for agora, quando?

MELANCÓLICO

As críticas de Temer a Alckmin e depois a Haddad no Twitter mostram um fim melancólico do ex-presidente em exercício. O mais impopular presidente da história revela-se um rancoroso, chato, que não aceita críticas e vive distante da realidade. Os vídeos de Temer não afetarão as eleições, apenas gerarão ótimos memes.

#4 – Pesquisa Ibope, Temer e Lula

José Cruz/Agência Brasil

PESQUISA IBOPE

A primeira pesquisa eleitoral que não trouxe o nome do ex-presidente Lula não foi muito diferente das pesquisas anteriores no cenário sem Lula. Todo mundo praticamente subiu um pouco, mas quem mais comemora o resultado do Ibope é o candidato Ciro Gomes (PDT). Foi quem mais subiu, empatou em segundo lugar com Marina Silva (Rede), possui a menor rejeição e com a maior vantagem sobre Bolsonaro (PSL) no segundo turno.

O REJEITADO

A coisa tá feia para o candidato do PSL. Lidera no primeiro turno, mas perde para todos os candidatos simulados em segundo turno. A exceção é num segundo turno com Fernando Haddad (PT), onde há empate. Porém, é bom lembrar que Haddad ainda não foi oficializado candidato. O candidato “social-liberal” pode ter o mesmo destino de Marine Le Pen, da Frente Nacional, partido da extrema direita francesa: ganhar fácil no primeiro e tomar um vareio no segundo.

CORRA, LULA, CORRA

O PT vai esticando a corda até o fim para lançar seu candidato de “verddad”. Uma estratégia cada dia mais arriscada, pois quando Haddad for o candidato oficial, ele iniciará em quinto lugar nas pesquisas e terá menos de 30 dias não apenas para dizer que é o substituto de Lula, mas que o leitor lulista (que não é necessariamente petista) deve votar nele e não em Ciro Gomes ou Marina Silva, candidatos que estão absorvendo mais o lulismo hoje.

CORRA, LULA, CORRA (2)

E o ministro do STF, Luiz Fachin, o mesmo que tinha votado a favor de Lula no TSE, negou o pedido dele para rever a cassação da candidatura do STF, algo já esperado, mas que a imprensa petista continua esperneando como se tivesse realmente esperanças se alguma mudança nos tribunais. O teatro de dizer que Lula é candidato acabou, quando mais tempo o PT levar para não ficar mais fingindo, pior para Haddad.

NÃO FINGE QUE NÃO ME CONHECE

Pesado o ataque do presidente do Michel Temer (MDB) ao candidato Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano está criticando pontos do governo atual e o presidente resolveu reagir, mas com um ataque diferente. Basicamente, Temer disse: “não finge que não estamos juntos, porque estamos juntos sim”. Temer não xingou Alckmin, fez pior: mostrou que a candidatura do PSDB é também uma candidatura governista. Alckmin apanhou e não poderá responder para não perder tempo

 

#3 – A tragédia depois da tragédia do Museu Nacional

FOTO: Tânia Rêgo/Agência Brasil

FOGO

Desnecessário falar sobre o incêndio ao Museu Nacional no Rio de Janeiro. O assunto está nos jornais do mundo inteiro. A coluna de hoje falará mais sobre a tragédia que veio depois da tragédia: a desinformação e o festival de discursos políticos bestas para se aproveitar do caso.

A EMENDA 95 E A DILMA

Muita hipocrisia as lideranças do PT culparem exclusivamente o governo Temer pelo incêndio. O primeiro grande corte do repasse de verbas ao museu foi no governo Dilma, em 2015. É fato que a Emenda 95 vai trazer muitos problemas nos próximos anos, mas se é para colocar na conta de alguém, vamos colocar nos dois: Dilma/Temer. Nem esperaram o fogo ser apagado para tirar proveito político, vão… Ah sim, tem matéria circulando de 2004 com a direção da UFRJ reclamando de falta de apoio ao museu, isto é, governo Lula.

ATAQUES AO PSOL

O fato do reitor e do vice-reitor da UFRJ serem do PSOL foi motivo para a direita burra partir para cima do partido, culpando-o pelo incêndio. Oi? A reitoria reclama de falta de recursos para o local desde sempre, estava com uma responsabilidade imensa nas mãos sem dinheiro para isso e a culpa é do partido do reitor? Ah, vá!!!

OS MUSEÓLOGOS

Eis que o Brasil passou a ter 200 milhões de museólogos, ou no mínimo, apaixonados por museus. Gente que nunca colocou os pés em um museu na vida está nas redes sociais berrando contra o governo, contra político X ou Y, pelo incêndio. Ficou interessado em cultura, em história? Comece prestigiando os museus de sua cidade, então.

ROUANET

Deveria ter uma lei que proibisse o brasileiro de falar sobre a Lei Rouanet sem conhece-la primeiro. E que fique claro, sou um crítico antigo a este formato de apoio a cultura. Leis de mecenato como a Rouanet fazem com que o departamento de marketing das empresas decida para onde vai o dinheiro público. Por isso, artistas famosos conseguem captar os recursos aprovados e museus como o do Rio de Janeiro não. Duvida? Leia isto!

ROUANET (2)

Mas não é pelas razões apresentadas na nota anterior que o brasileiro berra nas redes sociais contra a Rouanet. É contra por causa de alguns trabalhos que recebem recursos pela lei. Primeiro: boa parte dos projetos aprovados na Rouanet criticados na web não conseguem captar grana também (leia aqui). Segundo: o problema na real não é o uso de dinheiro público: o hipócrita metido a moralista é simplesmente contra que algumas peças, alguns livros sejam publicados porque não gosta do conteúdo. Censura mesmo, sabe…

HIPÓCRITAS

É irritante ler pessoas que até ontem estavam reclamando de dinheiro para museus e espaços de arte, educação, história, hoje bancarem os defensores da cultura (de parte dela, no caso). Esse assunto vai se manter em alta até o segundo turno das eleições e depois será esquecido, assim como foi esquecido a tragédia de Mariana (MG), assim como já esqueceram a morte de Marielle Franco. É só onda….

#2 – É tudo teatro, Haddad sempre foi o candidato

FOTO: José Cruz/Agência Brasil

TEATRO

O julgamento do TSE ontem à noite foi um grande circo ou um episódio de Chaves, pois todo mundo já sabia o final. Todo mundo mesmo, inclusive o PT, pois como diria o Arnaldo, a regra (da ficha limpa) é clara. O PT vai até o fim com Lula não porque acredita ou porque acha mais justo, mas porque faz parte da estratégia eleitoral para lançar o verdadeiro candidato desde o início: Fernando Haddad.

TEATRO (2)

Quem comemora (ou se revolta) pelo resultado somente ontem é fanático ou está se fazendo. Não tenho paciência nem para os mimimis dos petistas, nem para a felicidade dos antiLula. Tem muita coisa esquisita nos processos contra o ex-presidente, mas no caso da lei eleitoral, a aplicação foi normal.

FACHIN

Deu tela azul na ala mais fanática do PT e dos antiPT. O ministro Luiz Fachin, relator da Lava Jato no STF, deixou de ser herói dos “coxinhas” para ser inimigo em poucos minutos. O contrário se deu na ala petista. O antes sem crédito teve o seu voto, pró-Lula, exaltado no grupo de apoiadores do ex-presidente. De fato, o voto surpreendeu e será usado pelos advogados de Lula nos recursos ao STF.

AJUDINHA DO TSE

A decisão de proibir o Lula como candidato já no horário eleitoral, mas mantém o direito do partido usar o tempo de TV, desde que não divulgue Lula como candidato era tudo que o PT precisava. Agora, o partido pode fazer a sua choradeira por uns dias, levar o Haddad para Curitiba e transformar a troca de candidatos em um grande comício, com um mês para tentar a tal transferência de votos.

MERCADO E HADDAD

Quatro horas da manhã na balada, o cidadão que entrou nela achando que ia se dar bem e não conseguiu nada, decide dar atenção àquela menina que desprezou no início, procurando qualidades que antes não via. É mais ou menos assim que o mercado financeiro está com Fernando Haddad. Diante da possibilidade do petista ganhar a eleição, o mercado decidiu piscar, chamar ele para um café. Duvida? Olha essa matéria da Reuters publicada no UOL.

GEPLÁGIO ALCKMIN

A ideia dos tucanos de atacar o Bolsonaro, seu adversário por uma vaga no segundo turno, parecia boa. Dizer em um comercial que não se resolve tudo na bala também é uma boa sacada. Mas precisava copiar escancaradamente um comercial premiado da Inglaterra? O triste é pensar que esses marketeiros ganham milhões pelas campanhas.

SENSACIONAL

Mas o vídeo de maior destaque dessa semana veio das eleições no Paraná, com a candidata ao governo do PCO, Priscila Ebara. Ela foi entrevistada ao vivo na Band e na hora de ir embora…bom, melhor assistir o vídeo.

FUI

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#1 – Reestreia do site em forma de coluna

RETORNO

Durante oito anos, editei um blog (que mais tarde passou a ser um site mais amplo) sobre política em Blumenau com o nome de Controversas, termo que reutilizo na criação desta coluna. O nome, obviamente, é uma brincadeira com controvérsias e conversas, objetivo deste novo espaço: discutir assuntos relacionados ao Brasil e a comunicação com provocações e questionamentos. A ideia aqui não é responder, é fazer novas perguntas. Seja muito bem-vindo e comente abaixo, compartilhe, dê um like na coluna.

JORNAL NACIONAL

Um dos assunto mais comentados nesta semana no Brasil é a rodada de entrevistas do Jornal Nacional com quatro candidatos a presidência da República. No geral, a repercussão é negativa. O jornal foi alvo de críticas por ficar cortando os candidatos e explorar apenas as contradições, sem abrir espaço para apresentar propostas.  Vamos aos fatos: O JN, de fato, explorou as polêmicas e não quis saber de propostas. Focou naquilo que dá mais audiência. E eu pergunto: o público realmente queria ouvir os candidatos propondo? E os candidatos realmente usariam o espaço para isso ou ficariam repetindo bordões prontos?

IDEOLOGIA E PROPOSTAS

Essa história de espaços para candidatos apresentarem propostas é tão lorota quanto o público votar conforme ideologia. O eleitorado em geral não dá muita bola para isso, não. Quem REALMENTE quer estudar as propostas dos candidatos sabe que o espaço na TV é insuficiente para decidir alguma coisa. É preciso ir atrás. Por isso, essas sabatinas são mais frases de efeito e propostas rasas, de marketing.

TWITTER

Outro assunto polêmico foi a denúncia de compra de “influenciadores digitais” no Twitter. O assunto cresceu depois que o estado do Piauí entrou nos trendtopics, com influenciadores de todos os cantos do país falando bem do atual governador de lá. Nesse assunto, me alinho com o pessoal do podcast “Foro de Teresina” da Revista Piauí: pagar gente para falar bem de candidato no Twitter ajuda alguma coisa?

DICAS DA COLUNA

O podcast Foro de Teresina já comentado anteriormente. Toda quinta-feira, três jornalistas discutem os temas mais relevantes da política brasileira. Programa bem feito, bem organizado, com ótimas discussões. Vale a pena ficar de olho também no Infomoney. O portal é sobre economia e negócios, mas como economia e política é tudo uma coisa só, eles estão divulgando e repercutindo tudo que é tipo de pesquisa que sai nessas eleições.

ENTRE ASPAS

“O TSE fica caçando fake news. O TSE não sabe o que é notícia, vai caçar notícias falsas?” – José Roberto de Toledo (Revista Piauí).