#11 – O SBT, a ditadura e o futuro da TV Aberta

O proprietário do SBT, Silvio Santos, tornou-se um dos assuntos mais comentados no twitter nesta terça-feira (6). O motivo é uma assustadora campanha patriótica promovida pelo canal, que ressuscitou o slogan utilizada pela ditadura militar: Brasil, ame-o ou deixe-o (veja mais na matéria do Poder 360). A série de vinhetas aponta um claro posicionamento da emissora ao futuro governo de Jair Bolsonaro, um militar que sempre defendeu a ditadura e se elegeu com discurso nacionalista.

Muitos nas redes sociais já comentam que a campanha mostra que os tempos sombrios da ditadura estão de volta, antes mesmo de o governo Bolsonaro iniciar. A coluna não vai discutir agora a questão da repressão, como a proposta de enquadrar movimentos sociais como terroristas. Esse assunto fica para outra postagem. O foco aqui é midiático: por que o SBT fez isso?

O GOVERNISMO DO SBT

O SBT nasceu e sempre foi governista. Foi criado no governo Figueredo, o último da ditadura. Silvio Santos ganhou a preferência pela concessão da TV aberta de empresas como a Abril e o Jornal do Brasil justamente por ser mais favorável a quem está no poder. Ao longo de sua história, a emissora deu pouco valor ao jornalismo. Já se associou ao governo do PT: em 2012, o ex-presidente Lula foi ao Ratinho levar Fernando Haddad, que seria depois candidato a prefeito de São Paulo. Ano passado, Santos recebeu o presidente Temer pessoalmente em seu programa.

Bolsonaro foi eleito com a sua militância criticando a Globo e com uma parceria direta entre Bolsonaro e Edir Macedo (Igreja Universal/ TV Record). O SBT, com sua campanha, deixa claro que também quer atenção do novo presidente e que não poupará esforços para isso.

A QUEDA DA TELEVISÃO

Apesar  do apoio direto da TV Record, com a Globo e as outros meios de comunicação batendo pesado no PT, é fato que a eleição do PSL este ano passou longe da televisão. Bolsonaro tinha apenas 8 segundos no horário eleitoral, ignorou debates e venceu a disputa com um trabalho pesado nas redes sociais.

O PSL sabe que não se pode brincar com as televisões, mas sabe que elas não têm mais o poder de antigamente. Bastava Bolsonaro fazer um acordo rápido com a Globo e poderia ignorar todas as outras emissoras, cortar todos os recursos que não afetaria seu governo.

Bolsonaro possui uma rede forte de apoiadores que enviam sua mensagem para a população em geral. O twitter deverá ser o seu porta voz, assim como o presidente americano Donald Trump. O novo presidente sabe que pode ter a imprensa inteira contra si e ainda se dar bem pois tem canais de comunicação direto com a população. É um pouco desnecessário para ele ter emissoras de TV ao seu favor. Já emissoras de televisão como SBT, Bandeirantes e RedeTV nem podem pensar em ficar sem as verbas federais. Seus índices de audiência são muito baixos para viver somente da publicidade empresarial.

Bolsonaro não precisa do SBT. O SBT é que precisa MUITO do governo federal

Se vamos viver tempos sombrios, com perseguições a opositores, censura e ataques aos direitos humanos, só quando o governo novo começar para saber. Mas se depender de canais como o SBT, a nova gestão terá carta branca para fazer o que quiser, desde que ajude a manter as emissoras no ar.

Com a nova campanha, o SBT se agarra no populismo direitista para sobreviver. Fica a dúvida se interessa ao novo governo “manter isso aí”. Se fosse depender dos meios tradicionais, Bolsonaro jamais seria presidente. Mais vale para a nova gestão investir a verba publicitária nas redes sociais e deixar umas migalhas para os SBTs da vida “não encher o saco”.

A ação do SBT deve deixar a oposição ainda mais assustada, aqueles que desejam um governo autoritário e repressor ainda mais animados, a turma do novo governo agradecida pelo apoio gratuito. Mas não deve impedir a falência do modelo de televisão aberta do SBT. Aliás, o canal sobreviverá depois de Silvio Santos?