#6 – Um corte superficial no cenario eleitoral

FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

DATAFOLHA

A primeira pesquisa (de credibilidade) após o atentado contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL) mostrou que a facada atingiu muito mais o sistema digestivo do candidato que o processo eleitoral. A rápida reação dos adversários condenando o fato e as ações posteriores dos apoiadores do candidato do PSL fizeram com que o cenário pouco alterasse para o líder nas pesquisas: continua liderando, mas com rejeição alta e crescendo.

MARINE LE PEN

Bolsonaro dá sinais que pode ser a Marine Le Pen das eleições brasileiras. A candidata da Frente Nacional (a extrema direita francesa) liderou e assustou no primeiro turno na França em 2017, mas perdeu fácil para Emmaneuel Macron (En Marche!) no segundo devido a sua rejeição. Os atos da campanha do PSL apontam para isso: estão muito mais focados em consolidar seu eleitorado do que buscar novos.

EMMANUEL MACRON

Quando o atual presidente da França, Emmanuel Macron, venceu as eleições, muitos nomes no Brasil queriam ser o “Macron brasileiro”. Quem está mais próximo disso hoje é Ciro Gomes (PDT). Segundo lugar na pesquisa Datafolha, menor rejeição e vencendo todos os adversários no segundo turno, Gomes achou o caminho a ser explorado: postar-se como o candidato de Centro, o nem petista, nem tucano, o mais forte para bater Bolsonaro no segundo turno. A estratégia dele será buscar o voto útil na reta final do primeiro turno, talvez roubando votos de Alckmin e Marina.

O POSTE

Fernando Haddad será oficializado hoje, candidato a presidente pelo PT. Mas ainda antes da oficialização, o petista já comemora um crescimento de cinco pontos na pesquisa Datafolha, o que o coloca na cola de Alckmin e Ciro. Haddad possui muito espaço para crescer nas pesquisas, mas terá que ficar de olho com duas coisas: a rejeição sua, que crescerá por ser do PT e os ataques que virão pela mídia. O Jornal Nacional ontem já colocou o ex-ministro Antonio Palocci de volta em cena para atacar o ex-partido.

CAINDO PELAS TABELAS

Explorar o fato de ser a única mulher não ajudou muito Marina Silva. A candidata da Rede caiu cinco pontos na pesquisa, o pior momento para cair. Sem tempo de TV, sem militância aguerrida e sem estrutura partidária, vai ficar difícil reverter a tendência. A ideia de se posicionar como alguém ao Centro, no meio dos desgastados polos, não deu certo. Esse espaço foi ocupado por Ciro.

NÃO MORREU

A pesquisa não foi tão ruim para Geraldo Alckmin (PSDB) como muitos pensam. A alta rejeição e a derrota certa no segundo turno de Bolsonaro pode ser explorada pelo tucano, pois as pesquisas mostram que ele possui mais condições de vencer um candidato da esquerda que o ex-capitão. Se contarmos que Meirelles e Amoedo possuem 3% e que nem todos os 24% de Bolsonaro tão super fiéis, há espaço para o PSDB crescer. Mas para dar certo, precisará que PT e PDT se matem.

RICHA

Se a pesquisa não foi uma notícia ruim para Alckmin, a notícia da prisão de Beto Richa (PSDB) é. Apesar de ser um “peixe pequeno” dentro do ninho tucano, ele não tinha uma imagem tão desgastada como a de Aécio Neves. Isto é, vai respingar na campanha presidencial, sim.