O festival de trapalhadas do MEC

FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ricardo Vélez na Educação, Ernesto Araújo nas Relações Exteriores e Damares nos Direitos Humanos. De todas os ministros escolhidos por Jair Bolsonaro, os três citados são aqueles que mais assustam não apenas à esquerda, mas também como a direita no Brasil. São duas indicações do astrólogo Olavo de Carvalho e uma da bancada evangélica, pessoas despreparadas que vem colecionando pérolas desde o início do governo.

BADERNA

Damares pode ser a mais folclórica, mas é Vélez na Educação que mais gera noticiário ruim ao governo. Além de bizarrices como pedir para que as escolas mandassem vídeos dos alunos cantando o hino nacional, Vélez mostrou que não faz ideia do que fazer a frente de um ministério que virou palco de inúmeras guerras internas no governo, com várias demissões em menos de 90 dias. Dono de um dos maiores orçamentos da União, o MEC está à deriva nas mãos de um incompetente.

RENOVAÇÃO

A esquerda tem motivos para ter esperanças. A renovação nos quadros à esquerda do Congresso mostra-se interessante. Ontem, na comissão de Educação da Câmara, Vélez foi destruído por duas deputadas em primeiro mandato, em ascensão na política: Tabata Amaral (PDT-SP) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) têm muito potencial para crescerem. Juntas, agiram como “policial boa” e “policial má” no depoimento de Vélez na comissãol

TABATA

Formada em Ciências Políticas na Universidade de Harvard, Tabata Amaral (PDT-SP) já era notícia desde suas vitórias nas olimpíadas de matemática no Brasil, e depois por ter ganho bolsa de estudos nos Estados Unidos. Ativista da educação, foi a “policial boa” no depoimento de Ricardo Vélez: tratou ele como se fosse um ministro de verdade e fez perguntas técnicas sobre gestão pública na Educação. Com classe, mostrou que o escolhido do astrólogo não tinha feito nada em quase três meses de gestão.

FERNANDA

Vereadora por dois mandatos em Porto Alegre, Fernanda Melchionna (PSOL-RS) é a estrela em ascensão no PSOL gaúcho, que sempre teve a ex-deputada Luciana Genro como rosto principal. Com um histórico de bandeiras em defesa do serviço público, foi a “policial má” com Vélez: listou as pérolas do atual ministro da Educação e foi bem direta, ao melhor estilo PSOL: a melhor coisa que Vélez pode fazer pela Educação é deixar o cargo.

BARRIGADA

Se foi proposital eu não sei, mas que o governo conseguiu manter sua militância unida mesmo diante das bobagens de Vélez usando a imprensa. Eliane Cantanhêde, jornalista do Estadão e Globo News, anunciou que Bolsonaro havia decidido demitir o ministro da Educação. O presidente negou a informação pelo Twitter e fez com que os bolsonaristas focassem em atacar a Globo por mais essa barrigada.

ESTRATÉGIA?

É possível e provável que Bolsonaro tenha realmente dito a um membro do governo que cansou de Vélez. Porém, a imprensa já deveria saber que o presidente usa deste artifício, proposital ou não: quando a imprensa se antecipa, ele volta atrás para acusá-la de fake news. Supreende uma jornalista com a experiência de Eliane ter caído nessa sabendo o histórico do governo.

PALPITE

Ricardo Vélez deve cair, mas Bolsonaro deve adiar um pouco só para dizer que a imprensa estava errada.

 

 

A esquerda precisa ser mais protagonista na Previdência

Nós temos um sistema previdenciário injusto, com muitos privilégios e a realidade do brasileiro é muito diferente de 1988. É necessária uma reforma da previdência não apenas para melhorar as contas públicas, mas também para corrigir distorções do formato atual.

A frase anterior é quase uma unanimidade: tanto setores à direita quanto à esquerda concordam que é necessário mexer no sistema previdenciário brasileiro. Candidatos mais à esquerda, como Ciro Gomes (PDT) apresentaram uma proposta em 2018 para o assunto. Direita e esquerda se digladiam nas propostas para fazer a reforma, não sobre a necessidade dela. Ciro, por exemplo, propôs a criação de um Plano Nacional de Renda Mínima para idosos de um salário mínimo fora do sistema previdenciário, como política de governo, algo que já mudaria muito as contas.

O desastre na articulação do governo Bolsonaro para aprovar a reforma abriu uma nova oportunidade aos partidos de esquerda: tomar protagonismo em meio ao caos e conduzir uma reforma que inclua os direitos sociais defendidos pela esquerda.

As últimas notícias de Brasília, como a aprovação da PEC do orçamento impositivo na Câmara, a não ida de Paulo Guedes a Comissão de Constituição de Justiça e declarações fortes, como a de Kim Kataguiri (DEM-SP) que a reforma de Bolsonaro morreu fizeram que o Centrão tomasse a iniciativa de excluir alguns pontos mais polêmicos da proposta, como as mudanças no Beneficio de Prestação Continuada (BPC), aposentadoria rural e retirada de pontos da Constituição. É um sinal claro que o Congresso está disposto a aprovar alguma coisa, mas não aquilo que Bolsonaro propôs.

Ao invés de simplesmente negar tudo, a esquerda poderia articular com o Centrão uma reforma que preserve os direitos sociais: não aumentar tanto o tempo mínimo de contribuição e vincular a idade mínima a questões geográficas e da profissão do cidadão.

O mercado é contra essas bandeiras da esquerda? É! Porém, com o tempo, vão preferir uma reforma mais leve do que nenhuma reforma. O governo Bolsonaro criou uma confusão com a tramitação do projeto pela sua incapacidade de articulação: o partido que resolver essa bomba ganhará crédito.

1964: a nova cortina de fumaça de Bolsonaro

FOTO: Arquivo Público do Distrito Federal

55 ANOS DO GOLPE

A ordem do presidente para que se façam comemorações alusivas ao dia 31 de março, 55 anos do golpe que depôs o presidente João Goulart, nada mais é do que uma cortina de fumaça para esconder a sua incompetência e manter o país no clima eleitoral do ano passado. O atual ocupante da presidência sempre foi um defensor da Ditadura Militar e sempre vangloriou 1964 mesmo que este golpe tenha sido dado pelos civis do Congresso Nacional. Mas Bolsonaro busca agora, brigar com os setores progressistas e tirar o foco das inúmeras crises do seu governo.

GOLPE CIVIL, NÃO MILITAR

Quando o assunto é 31 de março de 1964, é bom sempre lembrar que este golpe foi civil, unindo UDN, parte do PSD, imprensa, setores da sociedade civil, igreja e também os militares. Quem executou foi o Congresso, que declarou a cadeira de presidente vaga acusando Goulart de deixar o país sem permissão (ele estava no Rio Grande do Sul e não no Uruguai). Foi o Congresso que depôs Jango e colocou o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco na presidência. Foi feito tudo às claras, com o Supremo e com tudo, como diria Romero Jucá.

PROBLEMAS REAIS

Discutir esse tema hoje, em meio a polarização extrema, é inútil. Vai apenas acirrar ânimos. E é exatamente isso que Bolsonaro quer. Quer o povo discutindo nas ruas se 1964 foi bom ou ruim, para não falar da sua incapacidade de dialogar com os deputados e senadores, sobre as brigas entre os setores que dão sustentabilidade ao governo, sobre o fim da paciência dos militares com o astrólogo Olavo de Carvalho.  Entrar na discussão de 1964 é dar tranquilidade ao presidente.

PACIÊNCIA ACABANDO

Verdade que o Real teve uma valorizada na segunda-feira (25), assim como a Bovespa. Porém, não o suficiente para recuperar a queda da semana passada, quando o mercado financeiro deixou claro que está perdendo a paciência com o governo. O candidato dessa turma nunca foi Bolsonaro (eles preferiam Alckmin ou Amoedo) e começa a ficar evidente que nem mesmo Paulo Guedes consegue dar um rumo a essa gestão.

VOLTA, TEMER

Depois de ser libertado da prisão preventiva, o ex-presidente Michel Temer pode continua no foco do noticiário. O Centrão, a sua boa e velha base no Congresso, cogita ressuscitar a reforma da previdência do governo anterior, um caminho para agradar os mercados e ao mesmo tempo mostrar a Bolsonaro que ele precisa aprender a fazer política. Se as esquerdas forem espertas, costuram uma reforma light, necessária mas que não agrida os trabalhadores junto com o Centrão, e juntos impõe uma derrota vergonhosa para o Planalto.

A prisão de Temer, o destino dos presidentes e Maia de novo

Ex-presidentes presos. FOTO: Agência Brasil

#LULIALIVRE

Presidente mais impopular da história da democracia brasileira, Michel Temer não terá uma campanha #TemerLivre após sua prisão. Ou então, #LuliaLivre, em referência ao último sobrenome do ex-presidente. O ato foi comemorado tanto pela direita bolsonarista, quanto pela esquerda petista. A população em geral, que não gostava do ex-presidente, também comemorou e brincou em cima, com inúmeros memes, os melhores faziam alusão ao apelido de vampiro que Temer tinha. Lembrou Cunha, muito articulado e forte no Congresso, mas que quando caiu, caiu sozinho.

MARCELA E O MACHISMO

Entre piadas e memes, a ex-primeira dama Marcela Temer foi uma das pessoas mais lembradas. Aliás, a imagem de Marcela, jovem e bonita, sempre esteve em evidência. Comentários machistas surgiram quando Temer assumiu o Planalto (dizendo que o Brasil voltava a ter uma primeira dama como o brasileiro gosta) e voltam agora com a prisão dele. Em tempo: primeira dama (ou primeiro cavalheiro) não significa nada. O Brasil não é mais (ou não deveria ser mais) uma monarquia. Não elegemos casais.

PRISÃO PREVENTIVA

Como ninguém pediu o #TemerLivre ou #LuliaLivre, arrisco a dizer: será que a prisão dele foi justa, mesmo? Não estou a questionar o trabalho do Ministério Público, da Polícia Federal, as investigações que já ocorriam há muito tempo e que poderiam ter sido deflagradas antes se ele não fosse o presidente. Refiro-me ao fato de ele estar no xilindró ANTES DE SER CONDENADO. Prisão preventiva só pode ser feita sob algumas razões. Será que o caso de Temer realmente justifica. Repito: uma coisa é querer ver um político condenado, cumprindo pena, outra coisa é ser preso preventivamente antes da condenação, como ocorreu.

ANTECEDENTES

Desde a primeira eleição presidencial na redemocratização em 1989, nós temos dois ex-presidentes presos e dois que foram depostos por impeachment. Sem contar que Fernando Henrique Cardoso também teve vários escândalos, a maioria não investigados (porque os tempos eram outros). Isso é terrível, isso destrói a credibilidade da democracia junto a população. Não me surpreendo quando vejo pessoas defendendo regimes autoritários, o fechamento do STF, entre outras barbaridades. A imagem da democracia no Brasil está no lixo.

NOVO MDB

Alguém realmente acha que a política brasileira vai começar a andar por causa dessas prisões? Uma coisa é certa, o MDB, que já foi o dono do Brasil, perdeu muito, mas muito espaço em Brasília. A dúvida é: quem vai reorganizar o Centrão agora? Eu tenho um palpite….

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ATUALIZAÇÃO DAS 11h40 (horário de Lisboa)

PREVIDÊNCIA EM RISCO

Foi comentado ontem sobre os riscos da Reforma da Previdência emperrar no Congresso devido a falta de articulação do Executivo. Agora, sai a notícia no Estadão que Rodrigo Maia (DEM-RJ) avisou Paulo Guedes que pode parar de trabalhar neste assunto. Por que? Porque Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) atacou Maia nas redes sociais na discussão sobre o projeto anti crime. Para este projeto ir adiante, o presidente vai ter que controlar a sua turma, principalmente seus filhos.

Temer preso, Maia puto, Moro candidato

Foto: Cesar Itiberê/PR

PRIMEIRAMENTE

Michel Temer foi preso pela Lava Jato carioca. A ordem de prisão foi expedida pelo juiz Marcelo Bretas, o mesmo que já mandou prender Sérgio Cabral e outros do MDB. Segundo informações de o Globo, Moreira Franco também está no alvo das investigações, assim como a turma do Cunha no Congresso.

SURPRESA?

As investigações contra Temer e alguns dos seus ministros já tinha começado durante o governo dele. Mas foram travadas pelo Congresso e pelo foro que o presidente dispõe. Agora, fora do cargo, tornou-se alvo fácil. A prisão vem em boa hora para a Lava Jato, que vai usar a prisão de Temer para aumentar sua pressão sobre o Congresso e o STF. Contra o STF pode funcionar a favor, contra o Congresso pode funcionar contra: deputados vão querer cumprimento de pena em segunda instância vendo um monte de políticos presos?

DINASTIA MAIA

A porrada que Rodrigo Maia (DEM-RJ) deu no ministro Sérgio Moro sobre a tramitação do projeto de lei anti crime do governo no Congresso pode ser resumida em: quem manda nessa p… é o DEM e não vocês. O partido controla as duas casas legislativas, algumas pastas importantes (e quem sabe no futuro a vice-presidência) e é acostumada a fazer o jogo político de Brasília, que Bolsonaro e Moro ainda não aprenderam. Se quiser a reforma da previdência logo, Bolsonaro vai ter que mandar Moro baixar a bola. Será que consegue?

MORO 2022?

Alguém acha que Sérgio Moro não sabia que brigar com o Rodrigo Maia poderia atrapalhar a tramitação da reforma da previdência? Por que então o ex-juiz fez isso? Estaria o ex-juiz mais preocupado em se viabilizar politicamente, colocando o seu projeto como prioridade máxima?

O governo Bolsonaro vive numa bolha?

Cercado de polêmicas criadas por si próprio, sem a intervenção da oposição, o governo Bolsonaro larga com a mais baixa aprovação desde Collor. Os números do Ibope mostram que a imagem do governo e a pessoal de Bolsonaro caíram de janeiro para agora, em um cenário muito diferente dos primeiros mandatos de Fernando Henrique, Lula e Dilma. A queda das avaliações somadas de ótimo e bom foi de 15 pontos percentuais, um valor significativo.

CAIU SOZINHO

Laranjal do PSL, proximidade da família do presidente com milícias no Rio de Janeiro, declarações trapalhadas de ministros, briga interna pela influência no ministério da educação e situações bizonhas como o tuíte contra o carnaval, seguido do “o que é golden shower”. Enquanto o PT se ocupa com Lula Livre e Maduro, enquanto as outras centro-esquerdas (PDT e PSB) ainda se reorganizam, enquanto o PSDB continua sem rumo e os demais partidos avaliando se entram ou não no barco, Bolsonaro tinha a chance de fazer o que quisesse no início do governo. Está perdendo a chance.

A BOLHA

A reação dos seus eleitores mais fiéis aos números do Ibope foi a esperada: optaram por descreditar o instituto de pesquisa, de dizer que está tudo bem, mantendo o discurso de campanha, falando já 2022. A militância do PT também agia dessa forma (deu no que deu), mas a grande dúvida é saber se o governo terá a mesma reação dos seus militantes. Se cair no conto que é tudo conspiração da imprensa, que o povo está feliz e tudo mais, o governo corre o risco de se complicar ainda mais em breve. Os militares e o DEM, ao que parece, já perceberam o quanto as trapalhadas iniciais atrapalham o governo.

A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Se a popularidade do presidente continuar a cair, a reforma da previdência nem chegará a ser votada no Congresso. Por mais que a ala racional do governo tente se concentrar neste projeto, a maior parte dos deputados são do centrão e são influenciados diretamente pela imagem do Executivo junto a população. Ainda há chances de a reforma sair porque as esquerdas continuam desorganizadas, se preocupando com detalhes individuais do presidente e ainda não fez uma contra campanha forte nas ruas sobre a previdência. O povo, em geral, é contra essa reforma. Mas as esquerdas ainda não convenceram o povo a ir as ruas.

PSOL

Com apenas 10 deputados, o PSOL vem ganhando destaque nos primeiros meses do novo governo. Com uma liderança em projeção nacional (Marcelo Freixo) e com uma bancada feminina renovada, o partido aparece mais que PT, PSB, PDT e PCdoB no momento. Se continuar bem organizado, vai conseguir projetar suas lideranças e ter um salto significativo para 2020.

LULA LIVRE

O Supremo Tribunal Federal vai julgar a partir de 10 de abril, o recurso que pede a revisão da questão do cumprimento de pena após a condenação em segunda instância, caso no qual Lula está enquadrado. Será uma oportunidade para o bolsonarismo reorganizar a sua tropa. Vamos ver como os partidos lidarão com esse assunto, que terá tema de várias postagens por aqui.

 

 

 

Guedes, o Brexit e as guerras no Congresso

FOTO: Alan Santos/PR

GUEDES E A CHINA

Um dilema para as esquerdas brasileiras: contrária a Reforma da Previdência e outros projetos ultraliberais do ministro da Economia, Paulo Guedes, as esquerdas se veem obrigada a defender o ministro quando o assunto é Comércio Exterior. Isso porque outra parte do governo assusta ainda mais. O “ministro de Chicago” acompanha o presidente nos Estados Unidos e em um discurso na Câmara do Comércio americana defendeu abertamente todos os negócios brasileiros com a China e ainda provocou os EUA, que se colocam como inimigos dos chineses, mas mantém milionários negócios.

GUEDES E A CHINA (2)

A fala de Guedes faz-se necessária em um governo influenciado por Olavo de Carvalho, ideólogo de extrema-direita que vive a atacar a China. Foi Olavo quem indicou o ministro das Relações Exteriores, o que torna as coisas ainda mais perigosa. O discurso de Guedes nos EUA foi bom, mas é preciso convencer os chineses que ele é mais forte que a turma olavista. Caso contrário, as exportações brasileiras serão ainda mais afetadas.

OLAVO E O GOVERNO

Fica cada vez mais evidente o desconforto da ala racional do governo com a influência do astrólogo da Virgínia. Ontem, foi a vez do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reclamar de Olavo no programa Roda Viva. O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), que foi alvo de ataques do astrólogo, já mandou “beijinhos” ao guru. O problema para esta turma é que Olavo pode até não exercer influência direta no presidente, mas evidentemente faz isso nos filhos e Bolsonaro já mostrou que, na dúvida, fica com os filhos.

NO CONGRESSO

Enquanto o governo se mata entre olavistas e racionais, o Congresso vai sendo abandonado. Os deputados estão dando recados diários sobre as insatisfações com o Executivo. Isso lembra Dilma no início do primeiro mandato, quando gozava de alta popularidade. O resto da história todo mundo já sabe…

BREXIT

O Reino Unido continua pagando caro pela irresponsabilidade do Brexit. Empresas já estão trocando a Inglaterra por outros países da Europa e a forma como o Brexit ocorrerá continua causando caos em Londres. O governo tenta, a força, aprovar um acordo que deixa quase tudo como está, mas sem o direito dos ingleses opinarem na União Europeia. O prazo para a saída é dia 31 de março e os ingleses já pediram o adiamento da saída para os europeus.  Era melhor não ter feito o referendo…

ACOMPANHE

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A Bettina, a Folha, entre outros assuntos

OLÁ, BETTINA

Você já deve conhecer o meme da Bettina, a jovem de 22 anos do interior de Santa Catarina garota propaganda da Empiricus Research, que ficou milionária em pouco tempo. O vídeo da empresa de consultoria financeira aparecia na publicidade do YouTube e virou piada pelo exagero que é.  A vida de Bettina, natural de Timbó (SC), de família rica de empresários, foi vasculhada na web e ela passou a ser atacada pelos seus privilégios que a permitiram entrar no negócio de ações.

É uma sacanagem atacar a menina. Não é de hoje que a Empiricus Research faz campanhas intensas nas redes sociais com promessas mirabolantes. Ela foi só um rosto a ser utilizado pela empresa. É a Empiricus que deveria ser alvo maior das piadas, não ela.

OLÁ, FOLHA

A Folha de São Paulo é o veículo da grande imprensa brasileira mais atacado por Jair Bolsonaro e seus seguidores na internet. O tradicional diário paulistano resolveu ampliar sua área de atuação com uma promoção interessante e provocadora: quando o senador bolsonarista Major Olímpio (PSL-SP) sugeriu armar os professores após o atentado de Suzano, a Folha decidiu armar os professores com informação. Como docente de escola pública tem direito a uma assinatura digital grátis da Folha por um ano. Arrisco a dizer que a campanha será bem sucedida. Muitos do professores que aderirem devem continuar com o serviço após um ano.

NÚMEROS

O presidente do Brasil está nos Estados Unidos, em tese para se encontrar com Donald Trump, mas principalmente para reforçar sua retórica pró-EUA, como se os presidentes anteriores tivessem ignorado os Estados Unidos em suas gestões. Bolsonaro fala em aprofundar a parceria entre os dois países. Certo. Vamos ver então o resultado desta parceria em números para a nossa economia. Ter ministros e gurus falando mal da China já está repercutindo negativamente em termos de números, justamente com o nosso maior parceiro comercial. Vamos ver qual resultado prático desta parceria com o Tio Sam.

DIÁRIO

A partir de hoje, este blog será atualizado diariamente, de segunda a sexa-feira, sempre até o meio-dia no horário de Lisboa. Acompanhe e ajude a divulgar!

 

 

O DEM é o MDB do governo Bolsonaro

FOTO: Wilson Dias/Agência Brasil

É verdade que o MDB não deixou de ser o velho MDB de sempre, inclusive com apoios ao novo governo, inclusive com um integrante na Esplanada dos Ministérios (Osmar Terra, no Ministério da Cidadania). Mas quem vai ser o MDB do governo Bolsonaro é o DEM. Explico mais abaixo:

CONTROLE DO CONGRESSO

Com apoio direto do Executivo, do Centrão e até mesmo de partidos de esquerda, Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi reeleito presidente da Câmara dos Deputados. Maia é visto como aliado estratégico, pois teria capacidade de articular o Congresso nas votações de reformas. Porém, o Executivo sabe que Maia não está ali somente pelo governo, é um aliado, não um capacho. Já no Senado, o ministro da Casa Civil Onix Lorenzoni (DEM-RS) articulou para derrubar Renan Calheiros (MDB-AL) e eleger Davi Alcolumbre (DEM-AP) na presidência. Com isso, o Democratas passa a coordenar as duas casas, com aliados do governo, mas não submissos ao bolsonarismo.

RENAN NÃO É OPOSIÇÃO

Parte da imprensa passou a acreditar que Renan Calheiros possa virar uma espécie de líder da oposição no Senado. Bobagem. Calheiros não nasceu para ser oposição. É governista por natureza. Seu desafeto no Planalto é o ministro Onyx Lorenzoni, a quem apelidou de Chuveiro Lorenzetti em outros tempos. O cacique do MDB vai se vingar, mas o alvo não será Jair Bolsonaro. Não vale a pena para ele. O presidente também não vai querer brigar com o cacique, até conversou com ele quando Calheiros foi escolhido para disputar a eleição do Senado pelo MDB.

PSL NÃO TEM FORÇA

O PSL pode ter hoje, a segunda maior bancada na Câmara, mas não é um partido, é um aglomerado de lideranças de vários grupos diferentes, unidas pelas pelo apoio a Bolsonaro. A sigla já está brigando internamente e só tivemos 30 dias de governo. Só com o PSL, Bolsonaro não se sustenta. Ele vai precisar, ser dependente do DEM como o PT ficou dependente do MDB após o Mensalão.

ALIADO, PERO NO MUCHO

Depois de viver a sombra do PSDB, o DEM tem a grande chance do protagonismo. Tem as duas casas do Congresso e um presidente nas mãos. A tendência é Bolsonaro ocupar mais o papel de chefe de Estado, enquanto o DEM + Paulo Guedes ficam com a chefia do governo. Se o Jair decidir brigar com os demistas, o risco é grande. O partido tem condições plenas de derrubar o presidente.

MOURÃO, O TEMER DO JAIR

O vice-presidente acorda e toma café pensando em como vai assutar/provocar o bolsonarismo. O general Hamilton Mourão (PRTB) já deixou claro que não aceita ser um vice decorativo. Adora se aparecer, falar com a imprensa e deixar evidente suas diferenças com o presidente. Quer mostrar a todos que possui mais capacidade, que é uma figura mais moderada que o titular.  Assim como Temer, Mourão quer protagonismo. Se o presidente não souber lidar, Mourão será um problema como Temer foi. O ex-presidente será do MDB, um partido forte, estruturado, gigante, que sabia exatamente o que fazer no caso da queda da Dilma. Mourão também sabe, mas hoje está no minúsculo PRTB. Fica a pergunta: até quando?[:]

A esquerda precisa parar de passar pano para o Maduro

FOTO: José Cruz/Agência Brasil

É TUDO REGIME MILITAR

Um regime nacionalista que se apoia em “proteger o país de inimigos externos”, com um governo apoiado no Exército. Um governo populista, irresponsável no aspecto econômico, militarista e que levou o país ao atraso, ao buraco. Estou falando da Ditadura Militar Brasileira ou do regime chavista tocado agora por Nicolas Maduro? O fato de Chaves ter sido eleito com apoio popular e os militares tomaram a força é principal diferença. Nos demais, troca-se o a farda vermelha pela farda verde-amarela.

AUTORITARISMO

O regime de Chávez era populista, demagogo, montou a economia apenas a base do petróleo. Mas tinha apoio popular e sofreu um golpe de Estado (mal feito). Agora, Nicolas Maduro…Ele ganhou eleições suspeitas de irregularidades, convocou uma Constituinte para alterar aquela criada por Chávez só para tirar força da oposição no parlamento. Perseguiu adversários, destruiu até mesmo o legado positivo do antecessor, que criou programas sociais importantes. Tanto é que já há uma dissidência no chavismo contra Maduro, um governante irresponsável, autoritário, que deveria deixar o governo.

AFUNDANDO JUNTOS

A esquerda brasileira apoiar Chávez, principalmente quando foi vítima de um golpe de Estado, tudo bem. Mas manter o apoio a Maduro depois de tudo que aconteceu é burrice.  O desastrado governo Bolsonaro, que conseguiu acumular problemas em menos de 30 dias de gestão, vai se aproveitar MUITO do apoio do PT ao Maduro para manter o apoio popular.  A esquerda precisa parar de passar pano para o Maduro. É preciso reconhecer publicamente que ele é um desastre.

NEM A, NEM B

Criticar e denunciar Maduro não significa dar um cheque em branco para a oposição venezuelana. Não significa apoiar Guaidó, o líder do parlamento que se autoproclamou presidente interino do país. A oposição venezuelana também é responsável pela crise, desde 2002, quando tentou um golpe em Chávez, passando por algumas lideranças que declararam guerra ao chavismo, favorecendo seu discurso.

A SAÍDA E MEDIAÇÃO

Especialistas em política internacional são quase unânimes em afirmar que a saída melhor para a Venezuela era um acordo entre governo e oposição onde: a) Maduro deixasse a presidência, b) fossem convocadas eleições com fiscalização internacional e regras bem claras definidas no acordo, c) ocorresse uma transição política sem guerra entre o governo atual e o novo.  Porém, não há interesse em nenhum dos lados para que isso ocorra. A Venezuela já teve líderes de oposição conciliadores, mas o chavismo o destruiu. Um acordo desses só ocorreria com mediação internacional, ou melhor uma pressão internacional nos dois lados.

O PAPEL DO BRASIL

Deveria ser do Brasil a iniciativa para resolver a situação da Venezuela através de um acordo. É o mais país da América Latina e os venezuelanos precisam do Brasil para a reconstrução do país. Dilma poderia ter feito isso após a primeira eleição de Maduro, quando a crise se intensificou. Mas preferimos ficar do lado do Maduro, sem dialogar com a oposição. Agora, o cenário se inverte. Bolsonaro e sua trupe não têm condições de mediar a crise pois já escolheram um lado.

O NANICO

O governo Bolsonaro discursa contra Maduro, mas nada ajuda o país a sair da crise. Como dito antes, o Brasil poderia fazer Maduro sair sem guerra, dispõe de mecanismos para isso. Mas até agora, o governo brasileiro não fez nada além de xingar muito no twitter. Talvez porque não saiba como fazer.

AS OUTRAS ESQUERDAS

Portugal, Espanha, Equador e Uruguai são governados também pela esquerda. E tomaram outras posições diferente do PT no Brasil. O apoio de China e Rússia a Maduro é por interesses econômicos. O Brasil não deveria tomar partido nessa história, deveria mediar o conflito. Mas tratando de Bolsonaro estamos pedindo demais…

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