Demissões nos jornais da NSC: mudanças irreversíveis

A nova onda de demissões nos jornais impressos da NSC Comunicação, antiga RBS em Santa Catarina, gerou uma nova onda de revolta entre os jornalistas catarinenses. Com sede em Blumenau e uma proposta para ser um veículo regional, o Santa demitiu editores, diagramadores e um fotógrafo, ficando com 10 pessoas ema redação que já teve mais de 50 pessoas há 10 anos.

Muitos jornalistas perguntam: o Santa está sumindo até fechar as portas? A informação que tenho é que sim. A menos que algum grupo de empresários compre, a tendência é que o jornal deixe de existir num futuro próximo. Por que a NSC manteria um veículo caro, uma estrutura grande e pesada, sem ter retorno financeiro? Todos sabem que o que dá lucro no grupo é a televisão.

Está cada vez mais difícil manter grandes estruturas de jornalismo, ainda mais em um país em crise econômica. A Gazeta do Povo, maior jornal do Estado do Paraná, deixou de ser diário e virou um semanário impresso com um portal de notícias. Obviamente que para a nova proposta, a redação pode ser bem menor. A Globo uniu as redações da Globo Esporte, SportTV e Globoesporte.com. A nova estrutura gerou demissões, é claro.

No site do Observatório da Ética Jornalística (ObjETHOS), a jornalista e professora Magali Moser aborda o crescimento de sites jornalísticos na cidade como o Informe Blumenau e O Município. Iniciativas de jornalistas com experiência no mercado que apostam em seus projetos editoriais pequenos ao invés de integrarem grandes redações. Alexandre Gonçalves, do Informe, foi da RIC, uma das principais emissoras de televisão. Evandro de Assis, editor de O Município, já tocou a redação do Santa até pouco tempo.

O cenário que se desenvolve em Santa Catarina faz com que o foco não deva mais ser a manutenção de empregos nas grandes empresas de comunicação e sim a preparação de profissionais para saberem se virar. Todo jornalista deve ser um empreendedor no futuro? Não necessariamente, mas há vários profissionais e estudantes com perfil e potencial para gerirem novos projetos. Pessoas que podem virar empregadores e contratarem no futuro jornalistas cujo talento para o texto não deve ser desperdiçado em áreas administrativas da comunicação.

O modelo que a RBS começou a montar nos anos 90 em Santa Catarina, uma grande empresa dona de vários jornais, com grandes redações, será cada vez mais raro. É hora daqueles que pensam, estudam e se preocupam com o futuro da comunicação olhar além da questão editorial e pensar em novos modelos de empresas de comunicação. Um amontoado de sites independentes, não rentáveis, a maior parte deles sem credibilidade e profissionalismo com certeza não é o caminho.

 

A imprensa local e as novas mídias: como fazer a sustentabilidade?

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Até o NYT abandonou um APP. Imagina os jornais locais

A Universidade da Beira Interior em Portugal promove nesta terça-feira (22) e quarta-feira (23) o Congresso Internacional de Jornalismo e Dispositivos Móveis (JDM). E logo nas primeiras comunicações científicas o modelo de negócio para os veículos de comunicação entrou na pauta: há uma necessidade/obrigatoriedade de os jornais impressos acompanharem as transformações tecnológicas, hoje focadas nos dispositivos móveis, mas ainda há dúvidas de como ganhar dinheiro com isso, principalmente longe das grandes metrópoles.

Se de um lado, a doutoranda em Comunicação pela USP Isadora Ortiz de Camargo apresentou o caso do New York Times, onde a mobilidade tornou-se uma peça chave no modelo de negócios da publicação, a professora da UFRGS Vivian Batochio e o professor Pedro Jerónimo da Instituto Superior Miguel Torga (Portugal) mostraram o conservadorismo de grandes jornais brasileiros e da imprensa de interior portuguesa com os dispositivos móveis.

Na imprensa portuguesa do interior, há pouca familiaridade dos veículos com os dispositivos móveis e as novas tecnologias. Segundo Jerómino, os poucos casos são iniciativas isoladas dos próprios jornalistas, que acabam fazendo sem receber a mais por isso, pois não há incentivo dos proprietários.

Com uma análise dos APPs dos jornais brasileiros para smartphones e tablets, a professora Vivian Batochio apontou a falta de inovação nos veículos nacionais. A maioria dos APPs para visualizar a edição imprensa trazem apenas a reprodução do produto em papel, sem nenhuma recurso a mais.

Até mesmo no New York Times, jornal que segundo a apresentação da pesquisadora Isadora Ortiz de Camargo é um case de sucesso na mobilidade, um aplicativo desenvolvido há dois anos pelo grupo chamado “NYT Now”, destinado ao público mais jovem, foi “descontinuado” por falta de retorno financeiro. Era um APP com mensalidade, algo que não deu certo.

Por que os jornais inovam tão pouco?

Há muitas respostas que podem ser dadas, mas a sustentabilidade dos veículos é um fator que precisa ser destacado. Afinal, como se ganha dinheiro com uma mídia em tempos de mobile? Fazer como nos meios impressos que viviam de anúncios não é, definitivamente, o caminho. A venda de publicidades não avançou na web, algo já comentado aqui neste blog. Com a maioria do público se informando através de smartphones e por redes sociais, ficou mais difícil ainda.

Como convencer, então, um dono de um jornal local, que ainda mantém uma receita de anúncios da forma tradicional no impresso, ainda que em queda, que ele precisa inovar para se manter no futuro? Vale a pena pensar em crowdfundings em mídias locais? Como seria este engajamento?

Como sobreviverão as mídias locais no futuro?

 

 

Jornal Metas tetracampeão em Novas Mídias

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O Jornal Metas (www.jornalmetas.com.br) conquistou no dia 25 de junho, o tetracampeonato no Troféu Pena de Ouro de Novas Mídias, promovido pela Associação dos Jornais de Interior de Santa Catarina (AdjoriSC). Esse prêmio foi criado em 2013 para avaliar os melhores sites dos jornais de interior do Estado e somente o Metas venceu ele. Em 2012, os sites eram uma subcategoria do Prêmio de Ouro do Jornalismo e o bissemanário gasparense também foi o vencedor.

Desde 2012, o site do Jornal Metas está sob minha responsabilidade. A plataforma de conteúdo utilizada é o Polopoly, pertencente a inglesa Atex. É um CMS pouco conhecido por aqui, mas usado por toda a Adjori catarinense.

O layout atual, vencedor esse ano, foi desenvolvido no ano passado por mim e pelo designer gráfico Fábio Moretto. Seguindo um padrão de grandes portais, a capa do site é dividida em setores: Manchetes, Notícias, Plural (lazer) e Esportes. Acrescenta-se ainda a parte multimídia (fotos e vídeos) e os cadernos especiais do jornal.

 

O Grupo RBS e o fim do jornal impresso no país

Não tem jeito. O jornal impresso está em decadência e deve deixar de existir ou tornar-se irrelevante na próxima década. A cada dia que passa, diminui o número de pessoas que procuram os impressos para se informar. Isso porque a geração adulta atual é de um tempo em que o jornal fazia parte do nosso dia-dia. A nova geração, nascida na internet, não demonstra interesse nenhum. E logo logo eles serão o principal público consumidor de informação.

O que aconteceu com os jornais do Grupo RBS nesta terça-feira (5) é mais uma prova do fim do jornal impresso. As três publicações no Estado (Jornal de Santa Catarina, Diário Catarinense e A Notícia) tiveram mudanças no projeto gráfico e editorial. É praticamente o mesmo jornal que circula em Blumenau, Florianópolis e Joinville, mudando uma matéria ou outra, os colunistas e tal.

Junto com as mudanças desta terça, vieram 130 demissões que, segundo a carta enviada pelo presidente do grupo, não é por causa de uma crise financeira mas um redesenhamento. Pergunta: os diretores da RBS acham que demissão é um esporte? Claro que não. A empresa pode ter grana no caixa, mas sabe que o interesse pelo jornal irá diminuir e, consequentemente, os anúncios vão cair. Então, já começaram a enxugar as redações.

O novo projeto dos jornais matou as tradicionais editorias: Geral, Política, Economia. Eles se dividem no caderno A em Notícias, Sua Vida e Esportes. O lazer se chama Anexo e o caderno do final de semana se chama Donna. O Santa desta terça-feira entra para a história. Pela primeira vez, vejo um jornal sem matéria de política, sem um colunista LOCAL de política. Essa editoria foi literalmente para “as cucuias”.

A RBS, como qualquer outra empresa de comunicação, percebeu que o interesse pelos jornais cai a cada dia. E diferente de outros jornalões do eixo, que não abrem mão do tradicionalismo, os gaúchos decidiram inovar. E deu medo. Se é esse o futuro do jornal impresso no Brasil, o caso é preocupante…

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O Museu Oscar Niemeyer em Curitiba está com uma exposição bacana sobre os princípios do fotojornalismo no Brasil a partir da revista O Cruzeiro. São fotos e edições históricas que marcaram o semanário nos anos 40 e 50. Vale a visita. O público viaja no tempo para ver um tipo de jornalismo que está desaparecendo a cada dia do Brasil por falta de leitores.

Jornal Metas é tricampeão do Prêmio Adjori/SC de jornalismo

Jornal de Gaspar também conquistou, pela primeira vez, o Pena de Ouro da Publicidade

Gaspar (SC) Pelo terceiro ano consecutivo, o Jornal Metas, de Gaspar, conquistou o Troféu Pena de Ouro de Jornalismo da Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina. O bissemanário também foi vencedor, pela primeira vez, do Troféu Pena de Ouro da Publicidade. Das oito categorias individuais do jornalismo, o jornal gasparense levou quatro: Melhor Coluna; Melhor Reportagem Livre; Melhor Reportagem Pautada e Melhor Projeto Especial. O JM conquistou ainda o troféu individual na categoria Site e outros dois troféus em Publicidade: Anúncio de Equipe e Anúncio de Agência. A soma das pontuações em cada categoria é que determinou os vencedores do Pena de Ouro do Jornalismo e Pena de Ouro da Publicidade. O JM foi ainda finalista em quatro categorias: Charge/Ilustração; Apresentação Gráfica, Editorial e Campanha de Equipe.

Na 13ª edição do prêmio, 53 jornais associados de diferentes regiões do Estado disputaram a premiação divididos em dois grupos – Bissemanais/Trissemanais e Diários e Semanais/Quinzenais/Mensais. Também concorreram 15 produções acadêmicas. Os 470 trabalhos inscritos foram avaliados por 68 profissionais especialistas nas áreas do jornalismo e da publicidade.

O anúncio dos vencedores aconteceu em concorrida noite de gala, no último sábado, dia 30, em que cerca 600 pessoas entre donos de jornais e jornalistas, autoridades e convidados compareceram ao Costão do Santinho Resort, em Florianópolis. O Prêmio Adjori/SC foi realizado durante o 40º Congresso da Adjori Santa Catarina e 2º Encontro Nacional da Adjori Brasil, entidade criada em 2011 e que tem à frente Miguel Ângelo Gobbi, também presidente da Adjori/SC.

O Jornal

O bissemanal Jornal Metas circula há 12 anos em Gaspar e Ilhota. Tem 32 páginas coloridas (quartas-feiras e sábados) e tiragem de 4.500 exemplares, sendo que mais de 90% é destinada a assinantes. Desde junho de 2002, o JM está sob a administração de José Roberto Deschamps.

Confira no link os trabalhos premiados do JM http://midi.as/bc5

Computação ou Comunicação?

Aberta uma vaga para estágio em uma agência de empregos. A empresa contratante precisa de um estudante que cuide da página da internet dela. Os candidatos precisam conhecer programas de produção de páginas como Front Page e Dreamweaver e softwares de design como Corel Draw e Photoshop. Qual faculdade a empresa pede que o estudante curse? Publicidade & Propaganda? Qualquer um de Comunicação Social? Não, o curso pedido é o de Ciências da Computação.

O exemplo dado é comum nas agências de emprego e gera uma discussão sobre tecnologias de comunicação, principalmente a internet. Quem deve cuidar da página da internet das empresas? O profissional de comunicação ou computação?

A resposta mais óbvia seria os dois. Um site na internet completo necessita de um bom design, de textos simples e claros, de uma arquitetura de informação que torna a navegação fácil, e também uma programação de banco de dados para armazenar as informações, torna-las mais acessíveis e deixar a atualização da página mais dinâmica.

Muitas empresas especializadas em produção para internet são coordenadas por um profissional de comunicação e um de computação, o último presta também serviços de intranet. Mas quando esse serviço não é terceirizado, as empresas de outros ramos costumam ter apenas uma pessoa trabalhando nesse setor, e aí vem o problema.

Graças às novas tecnologias, os meios de comunicação nunca foram tão acessíveis a sociedade. A junção dos serviços do profissional de informática com o da comunicação social na internet é essencial de forma que um precisa do outro.

A sociedade em geral confunde as duas profissões quando se trata de internet. Para muitos, a pessoa que faz a montagem do site é a mesma que arruma um computador quando ele estraga. Quando essa confusão chega numa empresa, o resultado é um serviço de má qualidade produzido por uma pessoa que acumula funções distintas.

A divisão rígida de funções pode ser coisa do passado. As tendências no mercado podem apontar para profissionais que conheçam diversas áreas. Mas é preciso ter cuidado para perder a qualidade no serviço. As grades dos cursos de comunicação social e computação provam que mesmo na internet, suas funções são bastante distintas.

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Este artigo foi escrito há seis anos, quando eu era estudante de jornalismo e estagiário do Noticenter, na época, um recém lançado site de economia. Apesar de estar empregado (tinha também outro estágio na Univali) me queixava do mercado de trabalho, principalmente na área da internet. Publiquei o artigo por causa das vagas lançadas no CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola).

E hoje? O mercado sabe diferenciar comunicação digital de ciências da computação? Está claro para todos que é o web designer quem planeja o site, e não um profissional de sistemas de informação?

Há seis anos, o webdesigner não era reconhecido como uma profissão na cidade. Muitos programadores PHP eram contratados para fazer todo o serviço. Hoje, quem sofre são os analistas de mídias sociais. Mas será que as dúvidas de antes foram esclarecidas para todos?

 

Só enviou e-mail? Azar o seu

Salve salve amigos assessores de imprensa! Vocês sabem quantos e-mails por dia chegam na caixa de e-mail da empresa onde trabalho? Mais de 200! E vocês sabem quantos desses eu leio? Nem a metade!

Uma observação a respeito dos e-mails que um jornalista de redação recebe por dia foi feita pelo jornalista Pedro Machado, editor do Noticenter. O comentário dele no twitter gerou uma reflexão deste blogueiro: devemos levar a sério os assessores que se limitam a enviar relases por e-mail?

Na caixa de e-mail recebo releases de asssesorias que prestam serviço para empresas cuja abrangência é o interior de São Paulo. Por que diabos, eu deveria receber um e-mail desse? O assessor acha mesmo que um jornal do interior de Santa Catarina vai divulgar o assunto? Ou trata-se de um preguiçoso que comprou um mailing nacional, sem olhar direito?

O pior de tudo são aqueles releases que pedem confirmação automática de resposta. Você não consegue deletar ele na hora. Aparece uma maldita mensagem do programa (Outolook, Live Mail, Thunderbird) perguntando se você quer enviar um e-mail confirmando recebimento. Não, eu não quero mandar. Eu não quero saber!

Fico pensando: o assessor avisa o assessorado: “este assunto foi enviado para mais de 10 mil jornalistas em todo o país. Seis mil já lerem o release”. Como se isso funcionasse para alguma coisa.

No meio de tantos e-mails, informações do interior de São Paulo, do vereador de Minas Gerais, e dos tradicionais spams (elarge your pennis, você está sendo traído, entre outros), estão as mensagens que realmente me interessam. Notícias locais, pedidos de informação, respostas de e-mails que eu mandei…

Portanto, ALÔ ASSESSORES DE IMPRENSA – NÃO SE LIMITEM A MANDAR E-MAILS. O trabalho de vocês é facilitar a comunicação do assessorado com a imprensa. Quando um repórter liga precisando de uma informação, você não deve responder “Não sei, não posso fazer nada”.

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PS. Não estou falando de vocês, bons assessores de imprensa. E sim daqueles pitocos que acham que o seu trabalho é só escrever textos básicos e clicar “Send”. Como todos sabem, há muitos desses no mercado…

As capas do Santa

Eu não sei o que anda acontecendo dentro do Jornal de Santa Catarina, mas com certeza, alguma coisa mudou. Desde o início do ano, o diário blumenauense resolveu investir em capas criativas, daquelas que chamam a atenção na banca de revistas, levando o leitor a compra do periódico.

A primeira “bola dentro” do ano foi a notícia do fim do carnaval, apresentado como note fúnebre. Destaca-se ainda, as notícias da morte de Zilda Arns, o fim da praça da Figueira e a distribuição de novos agentes prisionais em Santa Catarina, a última apresenta o jornal tomando posição explícita sobre algo polêmico, o que não é tão comum por aqui.

As outras capas de janeiro foram mais simples, mas é fácil perceber que houve uma tentativa para que fosse diferente do padrão. Sem sempre um jornal vai acertar, mas é bom saber que há uma preocupação constante nisso.