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Palavras Pitorescas
Crônicas e contos do cotidiano chulo, por Giovanni Ramos. Página Inicial | Sobre o autor

Colonia: da não publicação ao guia turístico

Tivemos momentos tão bons que não batemos nenhuma foto. O Terêncio Horto do André Dahmer disse isso, mas muita gente já pensou igual. Sendo assim, diria que minha viagem para [ … ]

Tivemos momentos tão bons que não batemos nenhuma foto. O Terêncio Horto do André Dahmer disse isso, mas muita gente já pensou igual. Sendo assim, diria que minha viagem para Colonia foi ruim, pois tirei muitas fotos e até fiz uns videos. Mas começo essa crónica por outro ângulo: a publicação das fotos.

Estava com a ideia de publicar as fotos nos stories e salvar como destaques. Alguém que eu não lembro quem disse para mim que é melhor publicar tudo de uma só vez quando as fotos estão interligadas. Então resolvi fazer isso e fiquei um bom tempo passeando na Alemanha sem me manifestar nas redes sociais.

“Tu tás na Alemanha? Há quanto tempo?? Tu não falastes nada!”- Não foi uma pessoa apenas que disse-me coisas do gênero. Estamos tão acostumados a contar novas vidas nas redes sociais, sobretudo quando fazemos coisas legais como viajar, que quando ficamos em silêncio, todo mundo estranha. Perguntaram se estava tudo bem comigo e tal.

E a quarta maior cidade da Alemanha, a maior do Estado Renânia do Norte-Vestfália, é bonita e interessante. Havia escutado opiniões extremamente opostas antes de vir pra cá. Optei pelo meio termo: um lugar bonito, legal, com cerveja boa, mas não está nas melhores viagens do mundo.

O povo aqui foi bastante simpático, a maioria fala bem inglès e até a mulher da padaria se esforçou para falar comigo, mesmo avisando de cara que não falava inglês. Uma Alemanha moderna, boêmia, divertida, cosmopolita e receptiva, muito diferente daquelas regiões do Brasil que se julgam a Alemanha sem passaporte.

A cerveja deles é a Kolsch, um tipo de lager mais frutada, que deve cair muito melhor no verão do que no inverno. Para um apreciador de inglesas, até que a cerveja alemã é um tanto interessante. Leve, mas diferente das cervejas tradicionais de Munique e de outras lagers tradicionais.

Não aluguei bicicleta porque fiquei pouco tempo e um dos dias choveu, mas deu vontade. Todo mundo aqui pedala. Há ciclovias por todos os lados e tudo é muito bem sinalizado. Outra coisa que queria fazer e não fiz foi ir ao Museu Romano-Germânico, em reforma. A região foi controlada pelo Império Romano e depois foi uma cidade importante do Sacro Império Romano-Germânico. Além de algumas influências romanas, percebi como eles gostam de pizza. Há pizzarias por todos os lados, apesar de ouvir que isso é assim na Alemanha toda.

E como não poderia deixar de acontecer, quando estava na Estação Ferroviária rumo ao Aeroporto (onde estou agora, no momento que escrevo esta crônica), um cidadão oriental me parou na estação e perguntou, arranhando no inglês, onde ficava o banheiro. Respondi em inglês que não era da cidade.

Não há uma cidade que visito nesse mundo que não sou parado por um turista perguntando informações locais. Ria muito dessa situação quando morava no Brasil, mas agora chega a assustar. Não importa onde eu vou, sempre tem um desavisado achando que eu sou morador local. Ou então, devo ter cara de guia turístico.

Verdade que os lugares que visitei no mundo são países ocidentais (América do Sul e Europa). Verdade que não fico andando com câmeras fotográficas, ando rápido, coisas que talvez façam eu não parecer um turista. Mas desconfio que se um dia eu for a China, haverá uma cidadão de outra parte do mundo que vai me parar e pedir informações…

Por fim, digo que Colonia é um lugar interessante e que a Alemanha pode ser visitada mesmo no inverno. Aliás, a temperatura aqui não estava muito diferente do interior de Portugal.