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Crônicas, contos e devaneios | Página inicial do blog
5 de janeiro de 2022

Quase famosos

Foto meramente ilustrativa? Sim!

Não há sentimento ou hábito de um povo que uma rede social não possa estragar com os seus algoritmos. Um ótimo exemplo é o Facebook. O robozinho deles fica lembrando das suas postagens antigas. Parece uma ideia boba, simples e divertida em prol da nostalgia, mas é na verdade máquina de produção de vergonha.

Meu Deus, eu escrevi isso mesmo? Quem nunca pensou isso ao ver essas recordações que algoritmos mostram que atire a primeira pedra. As previsões são as melhores. Esse ano meu time vai se dar bem. Aquele candidato? Não, ele jamais ganhará a eleição, entre outras furadas. Como vascaíno e de esquerda, vocês sabem muito bem do que eu to falando.

Há também aquele comentário daquela pessoa que você até se dava bem, mas tudo mudou depois de 2018. O aplauso para uma coisa que você não concorda mais e o comentário fofo/safado daquela pessoa que você estava saindo na época e depois nunca viu mais. Poxa, quanto tempo se passou! Será que ela tá bem hoje? É praticamente um Oi Sumida interno, não publicado…

Por outro lado, a viagem no tempo proporcionada pelas redes sociais te coloca em uma nostalgia sem fim. Ora, pensa que a gente já viveu numa época com dólar baixo, emprego, Vasco na primeira divisão. Você era o jovem ligado nas tecnologias, não tinha um TikTok para se sentir velho e o PFL/DEM era o maior problema da política brasileria.

Posts antigos mostram que a gente se importava com coisas pequenas, como diz o Faith no More. A gente sabe que eram coisas pequenas pois a linha do tempo mostra como as coisas foram piorando com o passar dos anos. Em 2011, eu comemorei o título da Copa do Brasil. Em 2015, eu fiquei puto com o rebaixamento. Em 2022, eu vou estar feliz se ficarmos em quarto na Série B.

Recordar postagens do passado é ver como fomos ingênuos, como pensávamos que éramos grandes, quase famosos em nossas vidas. E esse misto de nostalgia e vergonha é o gatilho para fazermos bobagens hoje em dia. Bobagens que entrarão na lista das vergonhas daqui a 10 anos. Nostalgia não é desculpa para a estupidez, diria o Bad Religion. O desafio é saber valorizar as pesquenas vitórias (outra música do Faith no More).

Mais do que uma questão de perspectiva, é contextualizar. Compreender o motivo de tamanha felicidade por um motivo tão besta naquela postagem de muitos anos atrás. Somos a primeira geração a ter a sua história registrada, para ser lembrada no futuro. Uma geração que não poderá alterar as histórias para os seus netos, porque eles terão como saber a verdade.

Duvido que um tiktoker de 20 anos pense que quando tiver 80 anos, alguém vai mostrar a dancinha que ele fez no passado. Talvez a geração dos tiktokers nem esteja se preocupando com isso. E sim, eu gosto de escrever sobre o tempo.

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