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Giovanni Ramos blog
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Coronavírus obriga o jornalismo local a ser ainda mais digital

Jornais que ainda eram mais ligados ao papel precisam rever conceitos

Já é possível tirarmos algumas lições da crise causada pelo Covid-19, sobretudo no jornalismo. Verdade que ainda estamos em meio a tempestade da pandemia global do coronavírus e não sabemos quando ela irá acabar e nem podemos ter ainda uma noção do tamanho do prejuízo na economia. No entanto, a importância do jornalismo já tornou-se mais clara e trouxe uma obrigação nova aos jornais locais: a presença digital.

Pode parecer um absurdo ainda falarmos na importância da presença digital dos jornais em pleno 2020. Mas o fato é que a imprensa local, sobretudo aquela com origem nos meios impressos e de cidades do interior, ainda possuem dificuldades para se adaptar ao digital e acompanhar as mudanças constantes no mundo online.

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A razão é sobretudo econômica. As fontes de receites desses jornais são oriundas da edição impressa e muito já foi escrito sobre as dificuldades da obtenção de recursos no meio digital por parte da mídia. No interior, os anunciantes mais importantes ainda dão mais crédito ao papel e você não vai convencer um diretor de jornal a investir mais no digital nessas condições.

O cenário mudou

Quantos casos de coronavírus já foram registrados no meu país? Quantos na minha região, na minha cidade? O que é possível fazer nos dias de quarentena? Os leitores dos jornais, o público da imprensa do interior, agora está dentro de casa, muitos em homeoffice em entre ao computador, outros sem poder trabalhar, mas ainda em frente ao computador ao celular, informando-se pela grande rede.

Antes da pandemia, você encontrava pessoas que passavam o dia quase que alienada as notícias, que esperava o seu jornal de confiança chegar em casa para ficar bem informado (um público mais velho, sobretudo). Agora não. O hard-news perdeu muito a relevância em um jornal diário impresso. Em semanários, comuns em pequenos municípios, o hard-news está a beira da morte.

Não argumento aqui pelo fim do jornalismo impresso. Ele continuará relevante por mais um tempo, mas cumprindo novas funções e cada vez mais a um público mais seleto e elitizado. Mas se já dizíamos antes que não valia a pena investir nos formatos tradicionais, o Covid-19 acelerou este processo.

Presença e relevância

O jornalismo local precisa ser mais presente e relevante no mundo digital. Todos querem ler sobre o coronavírus: a pandemia está na política, economia, cidades e até mesmo no esporte. As editorias de lazer e cultura continuam relevantes, mas indicando o que fazer em casa.

Neste cenário, a grande imprensa nacional sai na frente: maior capacidade de resposta a velocidade das informações e o poder econômico para poder derrubar seus paywalls e tornar o conteúdo mais desejado gratuito por um determinado tempo.

Os jornais locais que sempre priorizaram o impresso precisam correr contra o tempo: melhorar a presença nas redes sociais, apresentar o conteúdo em diversas plataformas e não restringir o conteúdo apenas a edição impressa, uma prática que era muito comum no interior de Portugal até o começo deste ano.

Mas as mudanças não podem ser apenas no formato e na quantidade de conteúdo distribuído digitalmente. É necessário um bom site, um bom servidor para aguentar o aumento no tráfego e desde já pensar em alternativas de fontes de receitas. A publicidade cai para todo mundo, mas o pequeno sempre perde mais.

Não tem volta

A pandemia vai passar, o comportamento do público em relação a busca por notícias, não. Uma vez que o cidadão que se informava por meios tradicionais acostume com o jornalismo online, ele dificilmente retorna aos hábitos anteriores.

O comércio, que deixou de anunciar agora nos jornais impressos por causa da crise, vai pensar duas vezes em voltar a fazer isso. Isto porque muitos deles, principalmente com entrega em domicílio, já descobriram os resultados de fazer a publicidade via internet.

Esses jornais locais vão precisar dar mais atenção ao digital para sempre se quiserem continuar funcionando. Não apenas capacitar suas redações ao formato, mas também ter uma estrutura adequada e buscar um plano de negócios voltados ao meio.

A desinformação que se espalha como um vírus em meio a pandemia do Covid-19 vai recolocar o bom jornalismo em evidência na sociedade. Mas este jornalismo precisa estar em sintonia com os comportamentos do público.

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