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Cronicles (portuguese)
Crônicas e contos do cotidiano chulo, por Giovanni Ramos | Home

As flores de plástico

Chatinho. Foi assim que uma guria referiu-me quando comentava sobre gostos musicais. Eu era o chato que reclama que quase tudo que toca por aí. E é verdade. Eu sou a pessoa mais seletiva e implicante com a música. Tenho um leque musical extremamente limitado, com sérias dificuldades de sair da minha bolha.

E olha que eu sou uma pessoa muito ligada a música. Com oito anos, fiz cursos de violão. Parei porque era uma criança que queria fazer muitas coisas ao mesmo tempo e…mentira. Parei porque era ruim, mesmo.

Parei de tocar violão, mas nunca consegui largar a música. Desde a infância prefiro ficar ouvindo música a ver filmes, por exemplo. Fico horas em uma playlist, no repeat, transcendendo enquanto o som toca a alma.

Comigo há sempre uma trilha sonora. Os fones de ouvido me acompanham, o walkman, o discman, o mp3 player, winamp, o celular com Spotify. Aonde quer que eu vá, alguma trilha sonora me acompanha. Por isso, há sempre frases, trechos musicais a serem citados nas conversas.

Isso tudo acontece por uma paixão. Uma paixão que completou 30 anos esse ano, não sei exatamente em qual mês. Uma paixão que começou com um riff de guitarra em 1989, quando era uma criança precoce. Uma criança que desde os cinco anos deixou de ouvir “músicas infantis” para ouvir aquilo que os irmãos mais velhos ouviam.

A criança musicalmente precoce pegou as influências musicais dos irmãos até criar seu próprio estilo. Mas foi condenada a permanecer para sempre no início dos anos 90, quando começou a entender o que era música.

Era necessário fazer uma crônica sobre o rock and roll. São 30 anos de devoção a um estilo musical. Uma ligação tão forte que me dificulta escutar outros estilos. Dentro do universo rock, vou de Legião Urbana a Sepultura, de Beatles a Slipknot, de Led Zeppelin a Offspring. Não há um padrão, não há uma regra, mas tudo que tenha o mínimo do espírito rock and roll.

Não sei o que seria de mim sem o rock. Não sei o que seria de mim se não fosse aquele riff de guitarra entrar na minha cabeça em 1989. Meus irmãos lembram de Rock and Roll do Led e Rockway Beach do Ramones como músicas que adorava ouvir quando criança. É verdade, mas a memória mais antiga que tenho musicalmente é daquele riff.

Aliás, são poucas as memórias antes do riff. Tem uma de desenhos de bandeiras em um bar, mas isso é para outra crônica. O riff foi algo muito marcante. Foram as notas iniciais de uma vida de fidelidade ao rock and roll.

Quem convive comigo sabe o quanto gosto de Faith no More, de System of a Down, de Offspring, de Queens of the Stone Age. Sabe que irei a Lisboa ver o Faith no More mais uma vez em 2020. Sabe que gosto de passar horas ouvindo música, falando sobre música, lendo sobre música. Sabe que eu não presto atenção nas pessoas que passam nas ruas porque estou concentrado nos fones de ouvido.

E tudo isso começou há 30 anos. Antes que 2019 acabasse, precisava registrar isso. Tudo começou com aquele riff.

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