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Titulo Teste

Giovanni Ramos

20 de setembro de 2019

Covilhã não sabe brincar. Não sabe, mesmo. Quando é frio, é frio demais. Daqueles dias que você espera horas com a ducha no mais quente possível até ir para debaixo da água. Quando esquenta, nem o diabo aguenta. Muitos dizem que em Covilhã, temos oito meses de inverno e quatro meses de inferno.

Chuva? Covilhã também é estúpida com seus moradores. Se é para chover, fica uma semana, duas, um mês. Quando vem o período de seca, passamos até quatro meses em uma mísera gota a cair do céu. É preciso de uma bacia cheia de água no lado da cama ou uma toalha molhada na ponta para conseguir dormir. No inverno você se esconde, no verão você sofre para respirar.

Covilhã gosta mesmo de extremos. Como disse meu pai, aqui você nunca anda reto, ou está a subir ou a descer. A cidade é, de fato, um amontoado de morros, ladeiras como dizemos no Brasil, no pé de uma serra onde está o ponto mais alto de país. Andar de bicicleta por aqui é um teste para os fortes. E quando os elevadores param de funcionar, todos são obrigados a fazer exercícios físicos.

Sim, elevadores. É tanto morro que são precisos elevadores públicos pela cidade para as pessoas poderem chegar aos seus destinos sem passar mal. É um lugar pequeno, montanhoso, com um clima bizarro e poucas oportunidades de emprego. Poderíamos afirmar até que ela é uma cidade de passagem, de pessoas que vem, estudam na universidade e vão embora.

Só que não. O que este mero observador do cotidiano percebeu nos últimos meses é que ninguém consegue deixar a Covilhã. O amontado de morros escondido atrás da Serra da Estrela possui uma espécie de magnetismo que prende as pessoas aqui. Elas tentam ir embora, mas acabam ficando mais um pouco, emendam um mestrado, um doutoramento. Elas até vão embora, mas voltam sempre aos finais de semana.

São inúmeras as histórias de pessoas que, quando estavam por cá, gritavam para o mundo que queriam ir embora. Estudantes portugueses que mal acabavam às aulas na sexta-feira e já corriam para a estação de Comboio ou de Camionagem para voltarem para as suas cidades. Brasileiros, angolanos e outros estrangeiros que faziam planos de deixar as montanhas assim que todas as unidades curriculares fossem feitas.

Essas pessoas que falavam mal da cidade. Que diziam que não havia nada para fazer, são as que permanecem aqui. Uns arrumam emprego, outros continuam seus estudos, um mestrado, um doutoramento. Temos histórias de pessoas que se encontraram o amor da sua vida aqui.

Aqueles que deixam Covilhã, voltam. Ou retornam para um doutoramento, ou vivem a frequentar a cidade. Visitam amigos, prestigiam eventos,.

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