Carregando...

O Facebook e a geração de papagaios

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Você não precisa pensar nas redes sociais. Tem alguém fazendo isso por você. É só compartilhar!

Usuário assíduo de diversas redes sociais na internet, eu eliminei nos últimos dois meses, cerca da metade dos contatos do Facebook da timeline. São pessoas que, talvez, leem o meu conteúdo, mas sem reciprocidade. Desmarcar a opção “Mostrar no Feed de Notícias” foi uma das maiores invenções de Mark Zuckerberg. É o fim do stress no Facebook.

Seria eu, um antissocial? Não! Eu adoro ler o que os meus contatos escrevem no Facebook, no Twitter, no Google+ (sim, eu uso o Google+). O problema é que muitos “facebookeiros” não escrevem em suas timelines. Nem postam fotos, nem vídeos. Eles apenas COMPARTILHAM o que gostaram.

Mas poxa, Giovanni, por que você é tão chato? O que há de errado em alguém compartilhar o que achou interessante? Nada! Não tem nada de errado. Eu também compartilho informações, ideias, até piadinhas bobas, daquelas que todo mundo já divulgou. O compartilhamento de informações é algo maravilhoso na difusão de ideias, pensamentos e pode ser uma ferramente importante na comunicação social, espalhando uma notícia que talvez não tenha recebimento um destaque maior na imprensa dita tradicional.

A discussão neste caso é sobre as pessoas que só compartilham e não produzem nada! Não escrevem, não fotografam, não comentam em postagens dos outros, apenas espalham o que os outros pensaram.

Pelo que acompanho no Facebook, há quatro tipos básicos de compartilhamento: imagens de gatinhos e outros animais de estimação, piadas, mensagens de auto-ajuda e “críticas políticas”. Concordo que os três primeiros podem ser muito chatos quando enviados inúmeras vezes por dia, mas é sobre as mensagens de protesto que eu quero abordar.

A maioria dos compartilhamentos de críticas sociais e políticas abusam de clichês, pensamentos simples e polêmicos, ao melhor estilo Prates (ex-RBS). As mensagens vem dentro de imagens (para chamar mais a atenção) e a origem delas são páginas fakes do tipo “Isso é Brasil” “Movimento contra a corrupção”.

Por que eu chamo de fakes? Porque ninguém sabe quem são os administradores. Elas são criadas com apenas para esta finalidade: viralizar no Facebook.

Uma pessoa compartilhar um imagem dessas porque concorda com a opinião apresentada é normal. Todo mundo já fez isso uma vez na vida no Facebook. Agora eu me pergunto: o que leva alguém a só postar isso? Não tem opinião própria? Não consegue desenvolver a sua ideia?

Já vi pessoas compartilhando imagens com ideias que se contradizem. Mas o usuário não divulga porque concordava com o pensamento?

No saudoso Orkut, que funcionava como uma central de fóruns, as discussões em tópicos dentro das comunidades era o espírito da rede social. Cada time de futebol, cada religião, cada partido político, tinha sua comunidade onde os usuários discutiam os temas. Em comunidades mais abertas, ocorriam as famosas guerras, PT X PSDB, Vasco x Flamengo, ateus x evangélicos, as pessoas levantavam bandeiras e e entravam ema batalha de argumentos, ideias, notícias.

Já o Facebook facilitou a vida dos preguiçosos. Não precisa argumentar para defender o que você acredita. Tem alguém que já fez isso por você. É só ir lá na página e compartilhar em sua timeline. O debate de ideias ficou mais pobre com a geração de papagaios que a rede social criou. Uma geração que só repete, ou ecoa, como diria o meu irmão…

Alguns jornalistas blogueiros no Brasil estão fazendo campanha em prol do conteúdo original nos blogs. Uma campanha pelo fim simples Ctrl C + Ctrl V que se infesta na blogosfera brasileira. Gostou do texto? Comenta no seu blog e link, mas não apenas reproduza ele. Esta campanha também deve ocorrer nas redes sociais. Não seja um papagaio, interaja, contribua para a discussão!