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Jornalista, professor e pesquisador
12 de maio de 2021

Assinatura de podcasts: Depois da Apple, Spotify lança serviço

Faça uma assinatura do podcast e ouça episódios exclusivos para assinantes, assinando pela Apple ou Spotify. A frase anterior deve tornar-se cada vez mais comum nos próximos anos. A ideia de paywall e produtos premium para assinantes chegou ao mercado de podcasts através de duas gigantes do setor.

A Apple havia anunciado a possibilidade de assinaturas pela sua plataforma no final de abril. Nesta quarta-feira, 12 de maio, foi a vez do Spotify, streaming de áudio mais popular no mundo, ofertar esta possibilidade para os produtores de podcasts, gênero que ganha cada vez mais espaço no aplicativo.

De acordo com o e-mail enviado aos produtores, os podcasts poderão ofertar assinaturas pela plataforma e com isso, disponibilizar episódios exclusivos para assinantes que estarão disponíveis apenas no aplicativo. Para participar, o podcast precisa estar hospedado no Anchor, plataforma de hospedagem comprada pelo Spotify e, inicialmente, o serviço está disponível apenas nos Estados Unidos.

O Spotify promete repassar até 2023, 100% da receita das assinaturas. Depois disso, passa a cobrar uma taxa de manutenção de 5% de cada assinatura.

A Apple cobra hoje, 30% das assinaturas de taxa. O podcaster poderá escolher o valor da assinatura e o Spotify promete ferramentas para aproximar mais os ouvintes que pagam dos produtores, incentivando a assinatura. Outro ponto diz respeito a publicidade. O Spotify/Anchor possui uma ferramenta de mídia programática tipo Google AdSense, ainda exclusivo para o mercado americano. O podcast poderá disponibilizar a versão sem propaganda para seus assinantes.

Guerra de aplicativos

Até a publicação deste post, concorrentes como Deezer e Amazon Music não haviam se manifestado sobre criar um produto concorrente. Mas a tendência é que também disponibilizem este recurso. No caso da Amazon, a empresa é dona também da Twitch, ferramenta que já conta com serviços pagos, o que pode ser uma estratégia. O fato é que Spotify e Apple deram um passo a frente na batalha dos aplicativos de streaming de áudio, que ganha novos traços com os podcasts.

Um programa, ao lançar o serviço de assinaturas, vai fazer campanha para que seu podcast seja ouvido nas ferramentas onde estão os episódios premium. Hoje, o produtor pouco se preocupa qual aplicativo o ouvinte utiliza – o importante é ouvir.

LEIA TAMBÉM – PODCASTS, A INDÚSTRIA DA MÚSICA E O JORNALISMO

Premium Paywall domina

Com as assinaturas neste formato apresentado por Apple e Spotify, os podcasts seguem o padrão do Premium Paywall, que vai aos poucos se tornando a regra no mercado de jornalismo e de outros tipos de conteúdos na internet. Há quatro tipos de muros de pagamentos (paywalls) hoje em dia:

  • Hard-Paywall – Quando o conteúdo é completamente fechado. Somente assinantes acessam;
  • Soft-Paywall – Quando conteúdo é gratuito conforme o consumo do utilizador (ex: até 10 notícias grátis por mês)
  • Micropagamentos – Quando o produto é vendido de forma avulsa, não recorrente (ex: 40 centavos por notícia)
  • Premium – Quando há um conteúdo gratuito e outro pago, sendo o pago a versão mais sofisticada e/ou exclusiva.

O Soft-Paywall foi o mais utilizado pelos jornais a partir do final da primeira década e é ainda o mais usado. Os leitores não assinantes já estão acostumados a ter um controle da quantidade de conteúdos que irão poder acessar. Mas a tendência atual é apostar no Premium, valorizando principalmente grandes reportagens, furos jornalísticos e colunistas de renome com contrato de exclusividade.

A jovem indústria dos podcasts vai precisar definir ainda o que será um conteúdo premium. Que tipo de material será entregue a ponto de fazer um ouvinte pagar por ele. Hoje, a principal fonte de receita dos podcasts não vinculados a jornais, rádios ou emissoras de TV são as campanhas de financiamento coletivo recorrente, onde o programa oferece um clube de vantagens para quem apoia. Mas até hoje, o produto principal sempre foi 100% gratuito.

Vamos acompanhar

O serviço do Spotify ainda não está disponível no Brasil, nem em Portugal, assim como o Sponsorships, a mídia programática do Anchor. Assim que eles estiverem disponíveis, alguns pontos devem ser observados por quem estuda o mercado:

  • Quais serão os primeiros podcasts no Brasil e em Portugal a aderirem?
  • Quais serão os valores cobrados?
  • Que tipo de conteúdo será disponibilizado para os assinantes?
  • O ouvinte vai ter que pagar para ouvir o episódio premium num aplicativo que você precisa pagar para não ouvir publicidade?

2 comentários
  1. […] Mas a diferença mesmo está na força do Spotify no mercado de streaming de áudio. A empresa sueca já anunciou que vai permitir que criadores de conteúdo possam monetizar as lives no Greenroom. No entanto, essa opção está disponível apenas para os Estados Unidos, assim como as assinaturas de podcasts. […]

  2. […] sobre assinatura de podcasts em abril, quando o serviço foi disponibilizado nos Estados Unidos. O Spotify/Anchor não cobrará taxas […]

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