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Navios iranianos e o surrealismo brasileiro

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Porto de Imbitura no Litoral Sul de Santa Catarina

Americanismo cego pode atingir estado mais bolsonarista em 2018

Se as declarações polêmicas e absurdas proferidas pelo presidente da República fossem os únicos problemas do Brasil em 2019, estaríamos muito bem. O problema é que as loucuras vão muito além das frases. O caso dos navios iranianos na costa do Sul do país mostram o quanto um governo que prima por questões ideológicas nas relações comerciais pode prejudicar a nação.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, somente no primeiro semestre de 2019, o Brasil exportou U$ 1,3 bilhão para o Irã, enquanto importou R$ 26 milhões, evidenciando o saldo positivo nas relações comerciais com o país do Oriente Médio. A principal troca entre os países é o Irã vender fertilizantes (ureia) e o Brasil vender milho.

O governo americano tem sanções ao Irã, mas que segundo fontes consultadas pela Revista Exame, não atingem alimentos e remédios. Ainda sim, dois navios iranianos estão parados na costa do Paraná por falta de combustível e a Petrobrás recusa-se a abastecer por causa da aproximação do governo brasileiro com os Estados Unidos.

É surreal! O Irã é sim um parceiro comercial importante para o país, um grande comprador dos produtos brasileiros, em sua maioria alimentos, o que não entra nas sanções americanas. Mas como disse o jornalista Reinaldo Azevedo, Bolsonaro é mais trumpista que o próprio Trump.

Puxa-saquismo pode atingir Santa Catarina

Além dos dois navios parados no Paraná, há outros dois na costa de Santa Catarina, que trarão ureia e levarão milho do Porto de Imbituba para o Oriente Médio. Não há no momento, riscos desses navios ficarem parados no litoral catarinense porque o porto em questão não faz abastecimento. Mas é importante ressaltar que 67 mil toneladas de milho catarinense serão carregados e vendidos ao exterior.

No início do ano, o governo brasileiro queria mudar a embaixada de Israel da cidade de Tel-Aviv para Jerusalém, em uma clara provocação a comunidade islâmica, que é uma grande importadora de produtos brasileiros. Agora, por um puxa-saquismo aos Estados Unidos maior que o solicitado pelos americanos, o Brasil arrisca-se a azedar de vez as relações com os iranianos.

Se azedar, afetará diretamente a produção agropecuária de Santa Catarina, estado que deu a maior vitória para Bolsonaro em 2018. Afetará a população inteira, mas sobretudo os produtores rurais catarinenses, que até agora foram fieis ao governo.