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Blog do Giovanni Ramos
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Temer preso, Maia puto, Moro candidato

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Foto: Cesar Itiberê/PR
PRIMEIRAMENTE

Michel Temer foi preso pela Lava Jato carioca. A ordem de prisão foi expedida pelo juiz Marcelo Bretas, o mesmo que já mandou prender Sérgio Cabral e outros do MDB. Segundo informações de o Globo, Moreira Franco também está no alvo das investigações, assim como a turma do Cunha no Congresso.

SURPRESA?

As investigações contra Temer e alguns dos seus ministros já tinha começado durante o governo dele. Mas foram travadas pelo Congresso e pelo foro que o presidente dispõe. Agora, fora do cargo, tornou-se alvo fácil. A prisão vem em boa hora para a Lava Jato, que vai usar a prisão de Temer para aumentar sua pressão sobre o Congresso e o STF. Contra o STF pode funcionar a favor, contra o Congresso pode funcionar contra: deputados vão querer cumprimento de pena em segunda instância vendo um monte de políticos presos?

DINASTIA MAIA

A porrada que Rodrigo Maia (DEM-RJ) deu no ministro Sérgio Moro sobre a tramitação do projeto de lei anti crime do governo no Congresso pode ser resumida em: quem manda nessa p… é o DEM e não vocês. O partido controla as duas casas legislativas, algumas pastas importantes (e quem sabe no futuro a vice-presidência) e é acostumada a fazer o jogo político de Brasília, que Bolsonaro e Moro ainda não aprenderam. Se quiser a reforma da previdência logo, Bolsonaro vai ter que mandar Moro baixar a bola. Será que consegue?

MORO 2022?

Alguém acha que Sérgio Moro não sabia que brigar com o Rodrigo Maia poderia atrapalhar a tramitação da reforma da previdência? Por que então o ex-juiz fez isso? Estaria o ex-juiz mais preocupado em se viabilizar politicamente, colocando o seu projeto como prioridade máxima?

O governo Bolsonaro vive numa bolha?

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Cercado de polêmicas criadas por si próprio, sem a intervenção da oposição, o governo Bolsonaro larga com a mais baixa aprovação desde Collor. Os números do Ibope mostram que a imagem do governo e a pessoal de Bolsonaro caíram de janeiro para agora, em um cenário muito diferente dos primeiros mandatos de Fernando Henrique, Lula e Dilma. A queda das avaliações somadas de ótimo e bom foi de 15 pontos percentuais, um valor significativo.

CAIU SOZINHO

Laranjal do PSL, proximidade da família do presidente com milícias no Rio de Janeiro, declarações trapalhadas de ministros, briga interna pela influência no ministério da educação e situações bizonhas como o tuíte contra o carnaval, seguido do “o que é golden shower”. Enquanto o PT se ocupa com Lula Livre e Maduro, enquanto as outras centro-esquerdas (PDT e PSB) ainda se reorganizam, enquanto o PSDB continua sem rumo e os demais partidos avaliando se entram ou não no barco, Bolsonaro tinha a chance de fazer o que quisesse no início do governo. Está perdendo a chance.

A BOLHA

A reação dos seus eleitores mais fiéis aos números do Ibope foi a esperada: optaram por descreditar o instituto de pesquisa, de dizer que está tudo bem, mantendo o discurso de campanha, falando já 2022. A militância do PT também agia dessa forma (deu no que deu), mas a grande dúvida é saber se o governo terá a mesma reação dos seus militantes. Se cair no conto que é tudo conspiração da imprensa, que o povo está feliz e tudo mais, o governo corre o risco de se complicar ainda mais em breve. Os militares e o DEM, ao que parece, já perceberam o quanto as trapalhadas iniciais atrapalham o governo.

A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Se a popularidade do presidente continuar a cair, a reforma da previdência nem chegará a ser votada no Congresso. Por mais que a ala racional do governo tente se concentrar neste projeto, a maior parte dos deputados são do centrão e são influenciados diretamente pela imagem do Executivo junto a população. Ainda há chances de a reforma sair porque as esquerdas continuam desorganizadas, se preocupando com detalhes individuais do presidente e ainda não fez uma contra campanha forte nas ruas sobre a previdência. O povo, em geral, é contra essa reforma. Mas as esquerdas ainda não convenceram o povo a ir as ruas.

PSOL

Com apenas 10 deputados, o PSOL vem ganhando destaque nos primeiros meses do novo governo. Com uma liderança em projeção nacional (Marcelo Freixo) e com uma bancada feminina renovada, o partido aparece mais que PT, PSB, PDT e PCdoB no momento. Se continuar bem organizado, vai conseguir projetar suas lideranças e ter um salto significativo para 2020.

LULA LIVRE

O Supremo Tribunal Federal vai julgar a partir de 10 de abril, o recurso que pede a revisão da questão do cumprimento de pena após a condenação em segunda instância, caso no qual Lula está enquadrado. Será uma oportunidade para o bolsonarismo reorganizar a sua tropa. Vamos ver como os partidos lidarão com esse assunto, que terá tema de várias postagens por aqui.

 

 

 

Guedes, o Brexit e as guerras no Congresso

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FOTO: Alan Santos/PR
GUEDES E A CHINA

Um dilema para as esquerdas brasileiras: contrária a Reforma da Previdência e outros projetos ultraliberais do ministro da Economia, Paulo Guedes, as esquerdas se veem obrigada a defender o ministro quando o assunto é Comércio Exterior. Isso porque outra parte do governo assusta ainda mais. O “ministro de Chicago” acompanha o presidente nos Estados Unidos e em um discurso na Câmara do Comércio americana defendeu abertamente todos os negócios brasileiros com a China e ainda provocou os EUA, que se colocam como inimigos dos chineses, mas mantém milionários negócios.

GUEDES E A CHINA (2)

A fala de Guedes faz-se necessária em um governo influenciado por Olavo de Carvalho, ideólogo de extrema-direita que vive a atacar a China. Foi Olavo quem indicou o ministro das Relações Exteriores, o que torna as coisas ainda mais perigosa. O discurso de Guedes nos EUA foi bom, mas é preciso convencer os chineses que ele é mais forte que a turma olavista. Caso contrário, as exportações brasileiras serão ainda mais afetadas.

OLAVO E O GOVERNO

Fica cada vez mais evidente o desconforto da ala racional do governo com a influência do astrólogo da Virgínia. Ontem, foi a vez do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reclamar de Olavo no programa Roda Viva. O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), que foi alvo de ataques do astrólogo, já mandou “beijinhos” ao guru. O problema para esta turma é que Olavo pode até não exercer influência direta no presidente, mas evidentemente faz isso nos filhos e Bolsonaro já mostrou que, na dúvida, fica com os filhos.

NO CONGRESSO

Enquanto o governo se mata entre olavistas e racionais, o Congresso vai sendo abandonado. Os deputados estão dando recados diários sobre as insatisfações com o Executivo. Isso lembra Dilma no início do primeiro mandato, quando gozava de alta popularidade. O resto da história todo mundo já sabe…

BREXIT

O Reino Unido continua pagando caro pela irresponsabilidade do Brexit. Empresas já estão trocando a Inglaterra por outros países da Europa e a forma como o Brexit ocorrerá continua causando caos em Londres. O governo tenta, a força, aprovar um acordo que deixa quase tudo como está, mas sem o direito dos ingleses opinarem na União Europeia. O prazo para a saída é dia 31 de março e os ingleses já pediram o adiamento da saída para os europeus.  Era melhor não ter feito o referendo…

ACOMPANHE

Acompanhe este blog diariamente. Postagens de segunda a sexta-feira no período da manhã.

A Bettina, a Folha, entre outros assuntos

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OLÁ, BETTINA

Você já deve conhecer o meme da Bettina, a jovem de 22 anos do interior de Santa Catarina garota propaganda da Empiricus Research, que ficou milionária em pouco tempo. O vídeo da empresa de consultoria financeira aparecia na publicidade do YouTube e virou piada pelo exagero que é.  A vida de Bettina, natural de Timbó (SC), de família rica de empresários, foi vasculhada na web e ela passou a ser atacada pelos seus privilégios que a permitiram entrar no negócio de ações.

É uma sacanagem atacar a menina. Não é de hoje que a Empiricus Research faz campanhas intensas nas redes sociais com promessas mirabolantes. Ela foi só um rosto a ser utilizado pela empresa. É a Empiricus que deveria ser alvo maior das piadas, não ela.

OLÁ, FOLHA

A Folha de São Paulo é o veículo da grande imprensa brasileira mais atacado por Jair Bolsonaro e seus seguidores na internet. O tradicional diário paulistano resolveu ampliar sua área de atuação com uma promoção interessante e provocadora: quando o senador bolsonarista Major Olímpio (PSL-SP) sugeriu armar os professores após o atentado de Suzano, a Folha decidiu armar os professores com informação. Como docente de escola pública tem direito a uma assinatura digital grátis da Folha por um ano. Arrisco a dizer que a campanha será bem sucedida. Muitos do professores que aderirem devem continuar com o serviço após um ano.

NÚMEROS

O presidente do Brasil está nos Estados Unidos, em tese para se encontrar com Donald Trump, mas principalmente para reforçar sua retórica pró-EUA, como se os presidentes anteriores tivessem ignorado os Estados Unidos em suas gestões. Bolsonaro fala em aprofundar a parceria entre os dois países. Certo. Vamos ver então o resultado desta parceria em números para a nossa economia. Ter ministros e gurus falando mal da China já está repercutindo negativamente em termos de números, justamente com o nosso maior parceiro comercial. Vamos ver qual resultado prático desta parceria com o Tio Sam.

DIÁRIO

A partir de hoje, este blog será atualizado diariamente, de segunda a sexa-feira, sempre até o meio-dia no horário de Lisboa. Acompanhe e ajude a divulgar!

 

 

O DEM é o MDB do governo Bolsonaro

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FOTO: Wilson Dias/Agência Brasil

É verdade que o MDB não deixou de ser o velho MDB de sempre, inclusive com apoios ao novo governo, inclusive com um integrante na Esplanada dos Ministérios (Osmar Terra, no Ministério da Cidadania). Mas quem vai ser o MDB do governo Bolsonaro é o DEM. Explico mais abaixo:

CONTROLE DO CONGRESSO

Com apoio direto do Executivo, do Centrão e até mesmo de partidos de esquerda, Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi reeleito presidente da Câmara dos Deputados. Maia é visto como aliado estratégico, pois teria capacidade de articular o Congresso nas votações de reformas. Porém, o Executivo sabe que Maia não está ali somente pelo governo, é um aliado, não um capacho. Já no Senado, o ministro da Casa Civil Onix Lorenzoni (DEM-RS) articulou para derrubar Renan Calheiros (MDB-AL) e eleger Davi Alcolumbre (DEM-AP) na presidência. Com isso, o Democratas passa a coordenar as duas casas, com aliados do governo, mas não submissos ao bolsonarismo.

RENAN NÃO É OPOSIÇÃO

Parte da imprensa passou a acreditar que Renan Calheiros possa virar uma espécie de líder da oposição no Senado. Bobagem. Calheiros não nasceu para ser oposição. É governista por natureza. Seu desafeto no Planalto é o ministro Onyx Lorenzoni, a quem apelidou de Chuveiro Lorenzetti em outros tempos. O cacique do MDB vai se vingar, mas o alvo não será Jair Bolsonaro. Não vale a pena para ele. O presidente também não vai querer brigar com o cacique, até conversou com ele quando Calheiros foi escolhido para disputar a eleição do Senado pelo MDB.

PSL NÃO TEM FORÇA

O PSL pode ter hoje, a segunda maior bancada na Câmara, mas não é um partido, é um aglomerado de lideranças de vários grupos diferentes, unidas pelas pelo apoio a Bolsonaro. A sigla já está brigando internamente e só tivemos 30 dias de governo. Só com o PSL, Bolsonaro não se sustenta. Ele vai precisar, ser dependente do DEM como o PT ficou dependente do MDB após o Mensalão.

ALIADO, PERO NO MUCHO

Depois de viver a sombra do PSDB, o DEM tem a grande chance do protagonismo. Tem as duas casas do Congresso e um presidente nas mãos. A tendência é Bolsonaro ocupar mais o papel de chefe de Estado, enquanto o DEM + Paulo Guedes ficam com a chefia do governo. Se o Jair decidir brigar com os demistas, o risco é grande. O partido tem condições plenas de derrubar o presidente.

MOURÃO, O TEMER DO JAIR

O vice-presidente acorda e toma café pensando em como vai assutar/provocar o bolsonarismo. O general Hamilton Mourão (PRTB) já deixou claro que não aceita ser um vice decorativo. Adora se aparecer, falar com a imprensa e deixar evidente suas diferenças com o presidente. Quer mostrar a todos que possui mais capacidade, que é uma figura mais moderada que o titular.  Assim como Temer, Mourão quer protagonismo. Se o presidente não souber lidar, Mourão será um problema como Temer foi. O ex-presidente será do MDB, um partido forte, estruturado, gigante, que sabia exatamente o que fazer no caso da queda da Dilma. Mourão também sabe, mas hoje está no minúsculo PRTB. Fica a pergunta: até quando?[:]

A esquerda precisa parar de passar pano para o Maduro

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FOTO: José Cruz/Agência Brasil
É TUDO REGIME MILITAR

Um regime nacionalista que se apoia em “proteger o país de inimigos externos”, com um governo apoiado no Exército. Um governo populista, irresponsável no aspecto econômico, militarista e que levou o país ao atraso, ao buraco. Estou falando da Ditadura Militar Brasileira ou do regime chavista tocado agora por Nicolas Maduro? O fato de Chaves ter sido eleito com apoio popular e os militares tomaram a força é principal diferença. Nos demais, troca-se o a farda vermelha pela farda verde-amarela.

AUTORITARISMO

O regime de Chávez era populista, demagogo, montou a economia apenas a base do petróleo. Mas tinha apoio popular e sofreu um golpe de Estado (mal feito). Agora, Nicolas Maduro…Ele ganhou eleições suspeitas de irregularidades, convocou uma Constituinte para alterar aquela criada por Chávez só para tirar força da oposição no parlamento. Perseguiu adversários, destruiu até mesmo o legado positivo do antecessor, que criou programas sociais importantes. Tanto é que já há uma dissidência no chavismo contra Maduro, um governante irresponsável, autoritário, que deveria deixar o governo.

AFUNDANDO JUNTOS

A esquerda brasileira apoiar Chávez, principalmente quando foi vítima de um golpe de Estado, tudo bem. Mas manter o apoio a Maduro depois de tudo que aconteceu é burrice.  O desastrado governo Bolsonaro, que conseguiu acumular problemas em menos de 30 dias de gestão, vai se aproveitar MUITO do apoio do PT ao Maduro para manter o apoio popular.  A esquerda precisa parar de passar pano para o Maduro. É preciso reconhecer publicamente que ele é um desastre.

NEM A, NEM B

Criticar e denunciar Maduro não significa dar um cheque em branco para a oposição venezuelana. Não significa apoiar Guaidó, o líder do parlamento que se autoproclamou presidente interino do país. A oposição venezuelana também é responsável pela crise, desde 2002, quando tentou um golpe em Chávez, passando por algumas lideranças que declararam guerra ao chavismo, favorecendo seu discurso.

A SAÍDA E MEDIAÇÃO

Especialistas em política internacional são quase unânimes em afirmar que a saída melhor para a Venezuela era um acordo entre governo e oposição onde: a) Maduro deixasse a presidência, b) fossem convocadas eleições com fiscalização internacional e regras bem claras definidas no acordo, c) ocorresse uma transição política sem guerra entre o governo atual e o novo.  Porém, não há interesse em nenhum dos lados para que isso ocorra. A Venezuela já teve líderes de oposição conciliadores, mas o chavismo o destruiu. Um acordo desses só ocorreria com mediação internacional, ou melhor uma pressão internacional nos dois lados.

O PAPEL DO BRASIL

Deveria ser do Brasil a iniciativa para resolver a situação da Venezuela através de um acordo. É o mais país da América Latina e os venezuelanos precisam do Brasil para a reconstrução do país. Dilma poderia ter feito isso após a primeira eleição de Maduro, quando a crise se intensificou. Mas preferimos ficar do lado do Maduro, sem dialogar com a oposição. Agora, o cenário se inverte. Bolsonaro e sua trupe não têm condições de mediar a crise pois já escolheram um lado.

O NANICO

O governo Bolsonaro discursa contra Maduro, mas nada ajuda o país a sair da crise. Como dito antes, o Brasil poderia fazer Maduro sair sem guerra, dispõe de mecanismos para isso. Mas até agora, o governo brasileiro não fez nada além de xingar muito no twitter. Talvez porque não saiba como fazer.

AS OUTRAS ESQUERDAS

Portugal, Espanha, Equador e Uruguai são governados também pela esquerda. E tomaram outras posições diferente do PT no Brasil. O apoio de China e Rússia a Maduro é por interesses econômicos. O Brasil não deveria tomar partido nessa história, deveria mediar o conflito. Mas tratando de Bolsonaro estamos pedindo demais…

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É melhor já ir voltando ao palanque

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Nos primeiros dias do governo Bolsonaro, vários analistas na imprensa apontaram que o governo se mantinha com o discurso de campanha e que o novo presidente e seus ministros precisariam entrar logo na realidade. Pois bem, a realidade chegou e já estamos com saudades quando os atos do bolsonarismo eram só palanque de campanha.

REFERÊNCIAS PARA QUE?

O novo presidente mudou o edital para aquisição dos livros didáticos que serão entregues em 2020 na rede pública. Pasmem: não é mais necessário que eles venham com referências bibilográficas. E não para por aí, notícia do Estadão mostra que erros de revisão e impressão e publicidade poderão entrar nas obras. Segundo a Folha de São Paulo, o compromisso de não violência contra a mulher também foi suprimido do edital.

IMIGRAÇÃO

Bolsonaro avisou a ONU que o Brasil vai sair do Pacto Global de Migração da entidade. O presidente voltou ao seu estilo de palanque usando o twitter para falar que o país é soberano sobre quem aceita receber no país, que imigrante precisa cantar o hino nacional e outros blablablá. Disse ainda que o Brasil continuará acolhendo venezeuelanos que fogem do ditador Maduro. Essa é a única crise migratória do Brasil, mas os venezuelanos apenas estão de passagem. A maioria não quer ficar no Brasil, quer ir para outro país sulamericano, que também fale espanhol. Ninguém quer morar no Brasil, o país não é um destino de refugiados como a Itália, por exemplo. A imigração nunca foi um problema para nós, pelo contrário, foi assim que a nação se ergueu. A ação do presidente é infantilidade, é fazer um péssimo marketing e piorar a imagem junto aos outros países do mundo.

GESTÃO TRAZ PARENTE

O assunto foi o mais comentado na terça-feira (8), mas vale repetir. O filho do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) foi promovido a assessor do presidente do Banco do Brasil e terá seu salário triplicado, chegando a 36,3 mil reais. O nepotismo é um velho clássico da política brasileira e não seria diferente com um governo que só é novidade da boca para fora.

O PRESIDENTE QUE RECUAVA – PARTE 2

Entre as bizarrices dos primeiros dias do governo, algumas continuam não indo para frente. O presidente que recuava também desistiu da ideia ventilada de uma base militar americana no país. Por que? Porque os militares brasileiros não querem. Não é por acaso que muitos falam que o verdadeiro político do Exército é o vice General Mourão e não o capitão Bolsonaro.

DESBOLSONARO

As primeiras notícias do novo governo de Santa Catarina, também nas mãos (em tese) do bolsonarismo, vão em outra direção. Carlos Moisés (PSL) resistiu a pressão dos reacionários para colocar um secretário de Educação alinhado com o “Escola Sem Partido” e colocou um técnico ligado ao ensino profissional. Nos primeiros dias de governo, buscou pontes com a oposição, Assembleia Legislativa, não procurou inimigos (nem na imprensa) e ainda apresentou a proposta de implantar o imposto verde no Estado, isto é, produtos nocivos ao meio ambiente pagariam mais impostos.

O BOLSONARO AMERICANO

Bolsonaro não foi chamado de Trump dos trópicos pela imprensa internacional por acaso. Ontem, o presidente americano foi a televisão para atacar os Democratas, que controlam a Câmara dos Congressistas, exigindo que eles aprovem o orçamento que preveja 5 bilhões de dólares para construir o muro na fronteira com o México. Lembrando que a promessa de campanha de Trump era construir o muro fazendo os mexicanos pagarem. Com os Democratas controlando parte do Legislativo e com a esquerda no poder no México, vai ficar difícil.[:]

O presidente que recuava

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RECUAR É PRECISO

Se durante a campanha presidencial, Jair Bolsonaro (PSL) já tinha ficado famoso por voltar atrás em suas propostas, os primeiros dias na presidência mantiveram o estilo. Os três “equívocos” sobre as reformas da previdência e tributária, “corrigidas” pelo ministro da Casa Civil mostram um desencontro entre ser um candidato twitteiro que ataca todo mundo e ser o presidente da República. Tempo para corrigir e aprender a se comportar como chefe de Estado, o novo presidente tem de sobra.

É A ECONOMIA

E os assuntos que o presidente falou e foi “desmentido” foram na área da Economia, onde o empossado sempre disse, quando deputado, não entender nada. Como disse o jornalista Carlos Tonet no Facebook, o ideal é o presidente viajar por aí e deixar a equipe que entende do assunto trabalhando.

Ô LOUCO, MEU!

A indireta do Faustão no último domingo para o presidente ainda é um dos assuntos mais falados no twitter e nas redes sociais em geral. Faustão falou no “imbecil que está lá e não devia estar pode até ser honesto, mas é um idiota que está lá e está ferrando todo mundo”. A claque de fanáticos do presidente já tem inúmeros vídeos para atacar o apresentador e emissora, mas o fato é que Fausto Silva não arriscaria isso sem um OK da direção da Globo.

O FILHO QUE…

A família do presidente continua gastando energia e credibilidade com assuntos pequenos, arriscando não ter mais nada quando uma crise, de fato, se instalar no governo. Eduardo, o filho que é deputado federal e não integrante do Ministério da Educação, usou as redes sociais para “orientar” os professores a não falar sobre feminismo nas escolas.  A ex-namorada dele, Patrícia Lélis, pelo twitter disparou:

BRASIL OU VASCO?

Político populista, com carreira iniciada no PP e discurso ultraconservador, vence as eleições após uma gestão desastrosa dos adversários na Economia. Pode ser o Brasil atual ou o Vasco em 2014, quando Eurico Miranda voltou ao cargo. Eurico também tinha os filhos envolvidos, sempre palpitando e atacando adversários. O filho mais polêmico do mandatário vascaíno começou sem cargo, mas era uma espécie de diretor informal do clube…

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A campanha acabou, os palanques continuam montados

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Se você, leitor, é um daqueles que não aguentava mais as discussões apresentadas durantes as eleições de 2018, uma má notícia: a tendência é continuar em 2019. O presidente e alguns ministros dão sinais que vão manter um debate bobo com uma visão limitada da política e da sociedade, um debate raso de internet que pouco contribui ao Brasil. A campanha acabou, mas os palanques continuam montados.

SOCIALISMO E MARXISMO

Dizer que vai libertar o Brasil do socialismo pode funcionar muito bem numa campanha. Mas com o mandato em andamento, a frase é vazia e não significa absolutamente nada. Jair Bolsonaro foi eleito com 55% dos votos válidos, mas é um erro achar que esses 55% são de eleitores fanáticos de direita. Muita gente votou nele porque estava cansados dos outros nomes. Muita gente que votou nele não está nem aí para socialismo, marxismo, globalismo. O discurso de Bolsonaro na posse agita a militância, mas não dá para governar só para eles.

A situação é a mesma para a Educação. Dizer que vai combater o marxismo cultural não significa nada. O militante bolsonarista aplaude, o povo em geral fica na espera para ver o que vai acontecer na prática. O PT sempre foi muito bom de retórica e hoje está em baixa pelos resultados negativos do governo Dilma. Mantém a força no NE graças aos resultados positivos oriundos do governo Lula. Resumindo: o povo vai avaliar Bolsonaro pelos resultados, não por esses discursos.

O RISCO INTERNACIONAL

O ministro das Relações Internacionais é outro que ainda não saiu do palanque. Sua posse é cheia de frases de efeito, mas perigosas para o país. Bolsonaro assumiu dizendo que as relações exteriores não seria mais pautada por questões ideológicas. Na prática, pode ocorrer exatamente o contrário. O novo Chanceler não gosta da China, do Mercosul, quer uma política alinhada aos Estados Unidos. O Itamaraty quer levar a embaixada de Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, provocando a comunidade islâmica. As ideias do chanceler levam a uma ideologização do Itamaraty e vão contra as ideias de Paulo Guedes, da Economia, que defende uma visão ultraliberal que comercializa com todos os países, independente das ideologias dos partidos que governam os outros países. É um caso contra o palanque vai afetar o governo na prática.

DAMARES

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos voltou a ser assunto na internet (e nas mesas de bar) com a frase que “menino veste azul, menina veste rosa”. A ministra já tinha sido piada quando falou que viu Jesus em um pé de goiaba. É, provavelmente, a titular do primeiro escalão com menor tato para a política e será um alvo constante de críticas. Sinceramente, acho muito difícil ela implantar as coisas que discursa em seu palanque. Mas o seu fanatismo “terrivelmente cristão” pode leva-la a transformar o discurso em algo concreto. O risco é alto: se não conseguir, para o ministério e cai. Se conseguir, fará mal a muita gente.

ECONOMIA

Paulo Guedes nunca tinha ocupado cargo público e durante a transição assustou senadores com sua inexperiência. Porém, mostrou para a sociedade nos primeiros dias que é o mais coerente e organizado. Toda a sua equipe tem experiência pública e é alinhada com as ideias dele. O ministro da Economia ainda tem apoio de parte do Congresso, do lobby empresarial/financeiro e logo terá da mídia para implantar seus projetos. É o mais interessado em trocar o palanque pela prática. Seu maior inimigo não será a esquerda, atualmente fraca e desarticulada. Seu inimigo será o próprio governo.

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A venda da Abril e notas fim de ano

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A família Civita vendeu nesta semana, 100% do Grupo Abril, editora responsável por revistas como Veja e Exame. O empresário Fabio Carvalho, segundo o site Infomoney um especialista em recuperação de empresas, pagou um valor simbólico de R$ 100 mil pela empresa, além de assumir toda a divida do grupo, em torno de R$ 1,6 bilhão. Carvalho ainda não definiu quem será o Publisher, mas o contrato prevê que o novo proprietário não possa vender a revista Veja separadamente a um terceiro.

MUDANÇAS

O Grupo Abril, que já foi um dos gigantes da comunicação do Brasil, pediu recuperação judicial em agosto. A editora era especialista em produção de revistas, mas não soube de adaptar os tempos atuais. Seu antigo dono, Roberto Civita, demorou para aceitar que o negócio de revistas seria atropelado pela internet. A escolha do Publisher será decisiva para saber como será a Veja sem os Civita. Uma nova onda demissões para “enxugar” a empresa também pode acontecer.

EX-REFERÊNCIA

A Veja já foi um dos símbolos máximos do jornalismo brasileiro. Indispensável, como era seu slogan. Mas a partir dos anos 2000 ela trocou sua credibilidade por ataques sistemáticos aos governos do PT, a ponto que contratar qualquer um para ser blogueiro, desde que odiasse Lula. Perdeu credibilidade, publicidade e mesmo com a vitória da direita em 2018 não pode comemorar, pois os seguidores de Jair Bolsonaro também não gostam da revista.

IMIGRAÇÃO

Portugal recebeu nos últimos dias, as primeiras famílias de um total de mil refugiados que o país se dispôs a receber em um programa ligado a União Europeia e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Eles chegam da Síria e Sudão do Sul e serão um teste para um dos poucos países da União Europeia onde a extrema-direita nacionalista não ganhou relevância até agora. Portugal é acostumado a receber migrantes, mas eles vem em sua maioria de países lusófonos. Com certeza haverá um grupo tentando usar os refugiados para ampliar um discurso nacionalista. A forma que em que os imigrantes forem adaptados ao país será decisiva.

IMIGRAÇÃO (2)

Enquanto Portugal recebe refugiados, o presidente eleito do Brasil Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que irá revogar a participação do Brasil no Pacto Global da Migração, assinado pelo chanceler atual, Aloysio Nunes, há poucos dias. Como exemplo, Bolsonaro falou que viver em alguns locais na França hoje está insuportável por causa de muitos imigrantes. Um embaixador frances já ironizou o presidente, comparando o número de homicídios na França com o Brasil. Ora, a fala do presidente é um mero mimimi para jogar para sua torcida. O Brasil pouco recebe refugiados porque ninguém quer ir pro país. Nem mesmos os venezuelanos, visto que a maioria dos refugiados de lá vão para os outros países da América do Sul. A fala do presidente eleito é só uma bobagem ideológica.

FELIZ NATAL

Este volta volta a ser atualizado no dia 2 de janeiro.[:]