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Jornalista, professor e pesquisador
11 de novembro de 2021

Jornalismo brasileiro se aproxima de Portugal

Um assinante da Folha de São Paulo tem direito a acessar o conteúdo digital do jornal Público, um dos mais importantes de Portugal. A recíproca é verdadeira e assim, dois dos maiores jornais em língua portuguesa fizeram a primeira grande parceria jornalística entre os países. Mas esta parceria não é isolada. A migração faz com que o jornalismo brasileiro se aproxime de Portugal, com possibilidades de novos projetos.

Jornalismo brasileiro em Portugal: canal my news em Porto
My News gravado em Porto

A migração Brasil>Portugal não para de crescer. Segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) de Portugal, há cerca de 184 mil residentes no país. No entanto, estes números não contam ilegais e brasileiros com cidadania europeia. O Itamaraty estima cerca de 300 mil no total. O município de Braga, no Norte português, possui 182 mil habiatntes, sendo 11 mil estrangeiros. Destes, mais de 7 mil são brasileiros.

Compartilhamento de conteúdos

A partilha das assinaturas não é a única ação da Folha de São Paulo com Portugal. Recentemente, o maior diário brasileiro fechou uma parceria com o jornal Público e o jornal digital local Mensagem de Lisboa a fim de produzir e partilhar notícias e reportagens.

O resultado é a criação da seção “Onde se Fala Português“, dentro do site da Folha, decidado aos assuntos dos países lusófonos. A Folha já tinha antes o blog Ora Pois, assinado pela jornalista Giuliana Miranda, sobre o que se passa em Portugal.

Jornalismo brasileiro: My News em Portugal

Outra publicação brasileira a apostar em Portugal é o My News. O projeto jornalístico idealizado por Mara Luquet e Antônio Tabet, abriu este ano um escritório no país com parcerias no campo editorial (publicação de livros) e cursos online. Além disso, o My News também passou a apostar em conteúdos produzidos em terras portuguesas.

O primeiro deles é o Conexão Europa, apresentado por Flávia Freire, que discutirá semanalmente sobre como investir em países lusófonos. Já o Segunda Chamada foi apresentado essa semana a partir do estúdio montado em Porto, ou seja, um dos carros-chefe do canal foi levado para o público português, apesar do programa continuar focado na política brasileira.

Opinião: Lusofonia e colaboração

Moro há cinco anos em Portugal e escuto desde que cheguei aqui de propostas e projetos para uma maior integração dos países lusófonos. Até mesmo um Espaço Schengen de Língua Portuguesa já foi ventilado. Mas a comunicação social sempre esteve muito distante destas conversas.

Atender os brasileiros que residem em Portugal já seria um ótimo argumento para a mídia brasileira olhar mais para Portugal. Entretanto, a iniciativa do My News mostra que é possível ir além. É perfeitamente possível fazer um jornalismo globalizado a partir da lusofonia. Há público para isto, há interesse dos portugueses em saber o que acontece no Brasil, do mesmo modo que os brasileiros, cada vez mais, querem saber o que se passa em Portugal. É preciso integrar mais os outros países lusófonos, principalmente Angola, o mais populoso.

A estrutura de gigantes como Público e Folha de São Paulo, a criatividade dos nativos digitais como My News e Fumaça permite que esta integração avance. É preciso aproximar cada vez mais a mídia dos dois países. Afinal, trata-se de um movimento onde todos têm a ganhar.

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